Camões, Cultura e Estratégia


Patrícia Reis,
 

A 10 de Junho de 1580 morre Luiz Vaz de Camões e a homenagem ao escritor dos Lusíadas é muitas vezes esquecida no âmbito do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Esquecida apesar de Camões ser um nome maior da Cultura nacional e a promoção e divulgação da cultura ser essencial para manutenção da nossa identidade.

Temos na Cultura, como em outras áreas, nomes maiores. E continuamos a ter, nas novas gerações, mentes criativas e inovadoras. Não me refiro apenas à Literatura. A nossa Cultura é uma moldura de grande dimensão e reflecte a nossa História, as nossas lendas, os nossos mitos e, ao mesmo tempo, fixa a contemporaneidade.

A Cultura é, por sistema, a parente mais pobre da política. Nos governos sucessivos que preenchem a nossa jovem democracia, a Cultura nunca teve o investimento que deveria ter.

Este 10 de Junho, celebrado na cidade do Porto, é porventura um momento para pensar se temos uma estratégia cultural que acompanhe o facto de Portugal estar na moda, ter tão bons indicadores ao nível do Turismo, e se apostamos ou não em quem insiste em ser agente cultural, artista plástico, escritor, músico, etc.

Há ainda uma reflexão adicional que deveremos fazer, sobretudo num país que parece estar cada vez mais deslumbrado pela juventude: apoiamos ou não apoiamos os mais velhos que contribuem significativamente para este património que é nosso, a Cultura Portuguesa?

Marcelo Rebelo de Sousa esteve mais de uma década na televisão como comentador. Sempre teve uma rubrica de livros. Há uns tempos, confidenciou-me que gostaria de ter feito um programa de livros na televisão. Pode ser que ainda venha a fazer. O único programa sobre livros que existe é na RTP 2. As outras estações de televisão dizem que a Cultura é uma chatice, pouco comercial, não ajuda aos shares e outras coisas.

Marcelo Rebelo de Sousa, homem culto, tem corrido feiras do livro, festivais literários, lançamentos e é um Presidente atento à cultura. Há muito tempo que não tínhamos um Presidente para quem a Cultura fizesse diferença. Pode ser que aconteça algo de extraordinário e o Presidente consiga que o resto das instituições oficiais entendam que sem Cultura não existe a soberania, não existem as comunidades portuguesas e, consequentemente, não existe necessidade para um 10 de Junho.

Texto para o site do Porto Canal

0 comentários em “Camões, Cultura e Estratégia”

  1. Patricia
    Este teu texto é modelar e mostra bem que as ideologias só por má fé afectam a cultura, um bem que é de todos nós e a todos nós faz bem.
    Antes, na TVI, houve um programa que falava de livros, a cargo do João Paulo Sacadura. Acabaram com ele por falta de share.
    Qualquer dia acontecerá o mesmo ao da RTP2, um dos poucos canais que ainda vale a pena ver. Mas nós somos assim!

  2. A cultura não tem cor nem credo. É a identidade de um povo e só ultimamente parece que foi redescoberta pelo mesmo povo que identifica.
    A eleição de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente de Portugal, fez mais pela cultura do nosso País do que os últimos ministros de todos os últimos governos juntos. Tem sido um excelente veículo de divulgação de Portugal e do povo português, sendo ele, como diz e muito bem, um homem culto e totalmente virado para a cultura. Nada faz por caso. nem as famosas “Marcelfies” são outra coisa senão a prova do contacto directo com as raízes do país que o elegeu.
    Excelente texto.
    Obrigada. BFS

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