Calvin & Hobbes e Garfield de regresso à imprensa portuguesa


eventhorizon,

É com alguma surpresa que descubro nas páginas do Correio da Manhã não uma mas duas bandas desenhadas diárias. E, pasme-se, bandas desenhadas clássicas: Garfield, de Jim Davis, e a incontornável Calvin & Hobbes, de Bill Waterson, provavelmente o melhor cartoon jamais concebido para o formato. Sim: já foram publicadas e republicadas milhares de vezes; e, no caso do gato cor-de-laranja, já passou há muito para a televisão, para o cinema e para merchandising diverso (Watterson, por seu lado, sempre rejeitou qualquer exploração comercial de Calvin & Hobbes). Nem por isso, porém, perderam qualidade ou pertinência.

 

Honra seja feita ao Correio da Manhã, tantas vezes criticado pela sua linha editorial popular, por manter viva a tradição da banda desenhada de qualidade na imprensa diária – finda a publicação de anos da célebre tira de Rick Kirkman e Jeryr Scott, Baby Blues, o diário da Cofina opta por não por um mas por dois títulos incontornáveis na história do formato. Diga-se de passagem que está bem acompanhado nessa tradição: o Diário de Notícias continua a publicar as excelentes tiras do nosso Bandeira, e tanto o Público (que durante anos publicou a tira de Bill Watterson) como A Bola mantêm tiras diárias do bem-humorado Luís Afonso (que também publica semanalmente na Sábado). Os outros dois desportivos, Record e O Jogo, também mantêm as suas bandas desenhadas. 

10 comentários em “Calvin & Hobbes e Garfield de regresso à imprensa portuguesa”

  1. Bem observado, João. Resta acrescentar que também o ‘i’ – com as tiras do Dilbert – começou a investir recentemente nesta área, à semelhança dos títulos que mencionas, retomando uma das melhores tradições da imprensa (portuguesa e não só).

    1. Muito bem visto, Pedro. “Dilbert” é também um cartoon de grande qualidade (ainda há dias comprei um “i”, reparei na tira, e esqueci-me dela quando estava a escrever isto). É óptimo ver como na imprensa portuguesa actual convivem bons cartoons portugueses com alguns clássicos internacionais.

    1. Bons tempos – quando os jornais ainda se mantinham fiéis à
      tradição de terem sempre banda desenhada nas últimas páginas, com as belas pranchas coloridas de domingo.

    1. Muito actual. Tenho andado a reler a obra completa de “Calvin & Hobbes”, e é impressionante ver como muitos comentários e muitas críticas que o Watterson tecia à televisão e à cultura consumista são muito mais pertinentes hoje do que o eram entre 1985 e 1995. Gosto muito de “Garfield” pela personagem e pelo humor, excelente e despretencioso, que atravessa as tiras; mas “Calvin & Hobbes” joga noutro campeonato.

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