Havia três possibilidades: o BES falia e verificavam-se perdas monstruosas; alguém generoso comprava o banco; ou era aplicado um resgate. Sendo impossíveis as duas primeiras, o País foi conduzido para a terceira hipótese e, pela primeira vez, as novas regras europeias foram usadas no salvamento de uma instituição financeira.
Este é o aspecto que mais me espanta nos comentários que tenho lido e ouvido sobre o caso BES e o aparecimento do Novo Banco: os analistas evitam referir que a solução aplicada é europeia e o dinheiro vem da troika; que foi tudo negociado com a Europa, com apoio do BCE, onde o Banco de Portugal tem assento; que o dinheiro é um empréstimo temporário e remunerado; que a forma deste resgate estava escrita numa lei europeia em vigor.
No final, é bem possível que o contribuinte perca dinheiro, mas primeiro pagam os accionistas e os credores que arriscaram. A alternativa a esta intervenção era o estoiro puro e simples de um banco enorme (para a nossa dimensão), o que seria uma catástrofe económica sem precedentes.
Também me espanta a reacção partidária, sobretudo a reacção apressada do Bloco de Esquerda. À primeira pergunta (então, o que se fazia aos depósitos?), a líder do bloco começou a patinar. Os críticos desta opção têm de explicar muito bem qual era a alternativa. Como é que se salvava o banco sem aplicar a lei comunitária, em grande parte imposta pela Alemanha?
Um mito persistente afirma que a Europa é irrelevante, mas este caso prova que a zona euro começa a ter uma união bancária e mudou por completo a lógica da integração. Antes do resgate, um pequeno banco português estoirou e foi possível ao governo salvar os seus accionistas, pagando várias vezes as loucuras que tinham sido feitas (ainda estamos a pagar a conta). A intervenção seguinte, sob ajustamento, envolveu dinheiro da troika que está a ser devolvido, mas foram preservados os interesses dos accionistas e a solução leva tempo. Agora, havendo igualmente um empréstimo temporário, as regras são bem piores para os accionistas. O interesse dos contribuintes e dos depositantes conduz toda a operação, que será muito mais rápida.

Ainda não compreendi como é que os bancos portugueses, que para se capitalizarem a eles próprios têm de pedir dinheiro emprestado, vão arranjar dinheiro para pagar alguma coisa caso não se consiga vender o BES.
E a ideia que vão comprar o BES pelo valor que lá foi posto é cantiga para encantar meninos.
A menos que se pretenda nacionalizar a banca toda de uma vez só.
Vamos lá então a factos.
– O BES faliu.
Se o BES faliu, não há banco… há apenas restos do banco.
Os restos do banco devem ir primeiro para pagar aos depositantes, e só depois o resto iria para credores.
Assim deveria ter acontecido. Ponto final.
Quem pensa doutra forma, é porque alinha na solução PCP e BE da nacionalização completa dos bancos. Ou então alinha com a criminalidade pública de nacionalizar apenas as perdas. Escolha-se.
O que se fez foi inventar um esquema para pagar aos credores, e manter um banco que não existe, inventando um novo banco.
Um Novo Banco faz sentido neste momento?
Não. Não inspira nenhuma confiança e os bancos vivem da confiança.
Só por aí, a solução é um aborto completo.
A solução apresentada visa dar um banco limpinho a Vitor Bento, financiado pelo erário público.
Quem irá ser responsabilizado por esta manobra? O Banco de Portugal e como é óbvio o Estado Português. O BCE também poderá financiar a operação para já, mas será sempre como dívida… e por isso quem terá que pagar a irresponsabilidade da nacionalização das perdas e os inúmeros processos judiciais dos credores, será o contribuinte nacional. Não é já, será nos próximos anos, ao estilo PPP – o pior vem depois, agora é só a farsa.
Não há melhor solução? Para quem? Só se for para os credores que vão procurar receber tudo em processos judiciais, responsabilizando os autores da manobra pelas suas perdas.
Concordo na generalidade com o texto, mas não venham dizer que não é uma nacionalização, pois que o é sim, e só deixará de ser uma nacionalização SE e QUANDO o tal empréstimo de quase 5 mil milhões for restítuido (e com juros) ao Estado.
(vamos rezar para que consigam vender o tal Novo Banco a um outro banco estrangeiro por valores acima do empréstimo, o risco existe e é elevado)