Nos momentos em que tudo corre mal, aparecem comentários que comparam eventuais erros e omissões ‘à orquestra do Titanic’. Em certos textos, critica-se que a música continue, de forma imperturbável, exemplo de estupidez e inutilidade. Assim, lemos frases deste género: ‘O barco afundava e havia quem fizesse como a orquestra do Titanic, continuando a tocar’. As melhores prosas acrescentam detalhes de incompreensão da realidade e, além da vertigem do erro, existe igualmente uma espécie de loucura ou tolice.
No entanto, esta é uma péssima utilização de um episódio verídico. Se existe lição a extrair da orquestra do Titanic é a da espantosa coragem de oito músicos que, durante o afundamento do grande paquete, em 1912, continuaram a tocar até uma fase avançada do naufrágio: muitos sobreviventes afirmaram ter ouvido música mesmo nos instantes finais da catástrofe.
Não se sabe ao certo o que levou estes músicos a tocar até ao fim. O que se sabe é que todos ele morreram, embora não fizessem parte da tripulação e estivessem no navio com estatuto de passageiros (podiam tentar salvar-se). A intenção de acalmar os outros náufragos é conhecida, pois o chefe do grupo dissera que teria essa atitude em caso de naufrágio. Não sabemos como convenceu os restantes membros da orquestra, mas percebemos que tocar até ao fim não foi uma decisão estúpida ou inútil, mas uma escolha nobre e de grande valentia, que salvou vidas.
Nas crises, nunca é problema a existência de uma orquestra do Titanic, que continua a tocar até ao fim, sabendo que vai pagar o grande preço. Pelo contrário, o problema é a sua ausência, o salve-se quem puder, a corrida aos botes, o pânico e a cobardia.

E seria possível você (ou alguém) arranjar-me um emprego na orquestra enquanto dura o naufrágio, sempre pagava umas dívidas e ficava com um lugar no rodapé da história……………
Se não percebeu o texto, talvez seja melhor ler segunda vez. Se o seu problema e o de não gostar da assinatura, também tem bom remédio, não leia.
Se não gosta dos meus comentários, pode sempre censura-los ou então não escrever textos laudatórios (tente ser isento) ao estado a que isto chegou.
Você seria sem duvida um dos que estaria do outro lado da barricada, acaso o inginheiro ainda andasse por aí, esquecei-me, ele ainda anda, a servir de espantalho.
Muito mal vai uma Nação que traz dentro de si quase tantos inimigos como ignorantes.
Se ler o post, verá que ele não e laudatório de coisa alguma nem se refere a um tema de política, mas apenas a uma orquestra com oito músicos e a um episódio histórico concreto.