A parte mais difícil de uma crise é sair dela. É esse o conflito a que assistimos: no pós-troika, os grupos de interesses e as corporações tentam não perder doses excessivas do poder que detinham. Para isso, criam um clima de horror, desvalorizando o presente: quem disser que a economia começou a crescer e a criar emprego é acusado de propagandista. O passado é negado ou revisto.
Na primeira década do século, o regime democrático avançou para o desastre em atitude sonâmbula, adiando as reformas que podiam ter evitado a queda. Todos os partidos foram responsáveis, mas os socialistas cometeram erros calamitosos. Em 2011, o País entrou em pré-falência e foi salvo pelos seus parceiros europeus, que impuseram reformas estruturais associadas à redução da despesa pública. Esse programa foi cumprido pelo actual governo, com três anos de duros sacrifícios para a população, empobrecimento, aumento do desemprego, cortes nos salários e pensões, mais impostos e menos consumo, falências, emigração.
Entretanto, finda a tutela, os políticos e os comentadores falam como se isto nunca tivesse acontecido. O País não criou a sua própria dívida, o resgate não tinha condições definidas num memorando difícil (e mal negociado). Até se repete que as exigências externas não foram cumpridas. Assim, o ajustamento foi um absurdo, mero zelo ideológico, teimosia de um governo incompetente ou ao serviço de interesses alheios. A austeridade e o empobrecimento não são sintomas do fracasso, mas as causas do mal.
Talvez o País decida regressar aos desequilíbrios crónicos das contas públicas e à cultura dominante da irresponsabilidade das clientelas partidárias. No último século e meio, foi essa a tendência, as reformas foram sempre demasiado curtas para mudar o essencial. E, no entanto, desta vez parece diferente: os europeus tentarão evitar o regresso da tendência e as nossas paupérrimas elites instaladas, uma das causas do atraso nacional, terão menos poder. Se escolhermos o passado, voltaremos à situação de pedintes ou teremos de sair da Europa desenvolvida. A UE também mudou com esta crise, como demonstram o Tratado Orçamental, a união bancária e a política francesa. Isto é algo que muitos não querem compreender: seremos europeus ou caóticos.

A análise do momento económico nunca é simples.
Mas quem jurava em 2011 que tinha a solução ideal e que a ia aplicar está tão preso a estas afirmações que não pode simplesmente admitir que falhou. Qualquer afirmação de que os objetivos enunciados pelos proponentes dos planos de resgate não foram atingidos, tendo alguns sido simplesmente abandonados, é considerado como uma afirmação de “grupos de interesses e as corporações que tentam não perder doses excessivas do poder que detinham”.
A situação era insustentável em 2011 e era necessário cortar as despesas, convinha talvez distinguir entre as necessárias e desnecessárias. O que se cortou foi a capacidade de produção do país como um todo. Colocar 15% da população sem trabalhar, mandar um grande número emigrar, fazer os salários descerem 10% e em seguida dizer que a economia está melhor é hipócrita.
Venderam-nos que o principal problema eram a dívida e o défice, e que tinham sido causados porque os salários e os serviços públicos eram bons demais. A dívida cresceu muito para além do previsto e já ninguém se arrisca a dizer quando vai descer. O défice vai ser 10% este ano graças à gestão aos nossos grupos económicos, cujos administradores foram voz ativa no desenhar da “solução” que nos arranjaram.
Se isto é um sucesso…
Como é possível acreditar e ter confiança em planos feitos e acarinhados pelos mesmos incompetentes que nos estão a puxar para o abismo?
Quem lhe disse que a situação está melhor? O administrador do banco de Portugal que mentiu aos portugueses como os dentes todos no caso do BES? O primeiro ministro que fez a campanha eleitoral seguida das medidas que jurou não tomar? A ministra dos SWAPS?
Tenha atenção que esta gente mente sempre que lhe convém.
Com 4-5% de Défice estamos a piorar só que a um ritmo inferior à desgraça socialista.
Exigências não foram cumpridas, défice zero é o minímo para se começar a reduzir o peso da dívida.
Que muitos Keynesianos digam as asneiras que bem retrata só mostra o buraco onde estamos metidos. Pior, não é só em cá.