2
CA…… SARKIS G……..N

Bastou a João Cosme um esfregar de olhos mais acordadiço para perceber que o livro havia de ser obra de bifes. Vamos e convenhamos: depois de uma mão cheia de filmes de estio na praça da vila, as garatujas da capa não exigiam um Detective Varatojo.
Já a aparição daquele volume ali, no seu quarto, o quarto do seu falecido padrinho, na exacta madrugada do regresso da “expedição”? Preocupante o suficiente para entender o quanto antes. Talvez começar por aquele resto de assinatura na folha de rosto: Ca…… Sarkis G……..n?
Cosme ouviu os passos curtos e ainda ligeiros de Vivelinda em direcção à sala de refeições. O cheiro a pão fez parágrafo no seu ritual matinal de higiene, mais longo que o costume, dada a quantidade de lama terrosa que havia ficado por limpar.– Vivelinda! – chamou, com poucas maneiras.
– Diz lá, João… – respondeu a sexagenária, em tom simétrico.
– Qu’é lá?! – impôs ele.
– Faz favor, menino Cosme… – fingiu a serviçal.
– A madrinha e o professor José Augusto, já estão na casa de jantar? – inquiriu, por fim.
– Não, menino, ainda só estás só tu e o Eduardo – despachou, empurrando o carrinho dos beberes.
– Já não estamos nos Freixos, Vivelinda – resmoneou, deixando escapar o sotaque.
– Pois não, João Cosme! – suspirou.
– Bom dia, D. Linda – acenou, respeitoso, o outro inquilino.
– Bom dia, sr. Eduardo – correspondeu, plácida.
(Este é o segundo capítulo do nosso ‘cadáver esquisito’, explicado aqui. A próxima mão a embalar o cadáver é a da Ana Vidal.)

Ele era cego, minha ordinária!!!
hi hi hi!
então não se estava mesmo, olha que a propósito, a ver??
nunca mais deixo fugir uma personagem.
OK: quem é que palmou a password do Adolfo?
🙂
Quem te mandou:
a) não dizeres – literalmente – que ele era ceguinho (deixando a porta aberta aos desmancha-prazeres – bruá-há-há!: ouves daí a gargalhada malévola?- ), hã, se o querias ceguinho até ao fim?
b) introduzires um narrador omnisciente que, ao dizer a cor dos lençóis do ceguinho, pode por isso ser reinterpretado a bel-prazer do seguinte?
Posto isto: nem quero ver o que vão fazer às minhas pistas….
Não podia fechar as portas todas, convencido que estava de que te tinha deixado já um pesado encargo!
Parem lá com as portas. Tenham piedade de mim…
Se alguém meter as ditas no romance vê-se comigo!
hi hi hi nº2.
Deixa lá… Talvez ainda alguém faça surgir na história um miúdo maluco vestido com um fato de gorila.
Estousem cumputador por uns dias e por isso pior do que o Cosme da nossa história: cega, surda e muda. Resta-me o telefone, e dou graças aos céus por ter deixado de embirrar com smartphones há pouco tempo. Por isso venho só aqui dizer, Cláudia do meucoração, que arranjaste maneira de armadilhar a história por muitos posts. Ah, valente! Mas a vingança serve-se fria, ou seja, uma semana depois. Vais ver o que eu faço com esses teus serões na província… 😉
Ai, Ana , tu segura-me a esse telefone, senão deslizas (como certas-e-determinadas-pessoas) para uma dimensão…oitocentista!
Isto vai ser ainda mais divertido do que pensávamos: suspeito que a maior parte de nós se mostrará tão pouco desprendida quanto o Adolfo em relação às suas criações, eheh.
Precisamente. Quais divergências políticas… O Cadáver Esquisito é que vai levar ao fim do Delito.
Esqueci-me do 🙂 para esconjurar a profecia.
🙂
Rimastezes, reparastezes?!
Por acaso, não. Ssshhhhh, não digas ao Adolfo, que ele detesta rimas.
Pois é, já perbebi que vou refilar também se tratarem mal as minhas personagens… eheheheh