Na memória televisiva da minha infância ficarão sempre os filmes de Bud Spencer e Terence Hill – divertidíssimos no seu exagero e na química entre a dupla de italianos com nome artístico “à Hollywood”. Carlo Pedersoli, imortalizado como Bud Spencer, morreu hoje aos 86 anos. A pouco e pouco, o mundo fica mesmo menos divertido.


E convém lembrar: foi dos melhores nadadores olímpicos nos anos 50, tendo ido aos JO de Helsínquia e Melbourne, foi recordista italiano e venceu o campeonato italiano de pólo aquático. Foi uma espécie de Weissmuler à italiana 🙂
Pois é, mas quando eu era miúdo o meu pai só me mostrou os filmes dele com o Terence Hill. As provas de natação terão de ficar para outra altura 🙂
Um dos ícones da minha infância. O inesquecível companheiro do Trinitá. Éramos estupidamente felizes quando víamos estes filmes. E não fazíamos a menor ideia disso.
As coisas importantes da vida descobrem-se quase sempre tarde de mais.
Estupidamente felizes, com o mundo à nossa frente e a certeza de o conquistar. De uma inocente, abençoada estupidez de que estamos irremediavelmente afastados. Pela nossa frente: um dia após o outro, com uma noite pelo meio.
Costa
Dizes aí uma grande verdade, Pedro.
Passei muito tempo da minha adolescência e juventude a rir por causa deste maravilhoso actor. Ria quando o via… ria quando me contavam as cenas dos filmes dele… ria quando as recontava eu… A cena dos feijões é inesquecível… A esta hora, no céu, deve estar Nosso Senhor preocupado: “Mas que se passa aqui?”… “Chegou o Bud Spencer…” “Aquele….?” “Ah ah ah ah ah!….” – E a terra tremeu…
Há muito tempo que não revejo os filmes dele. A ver se corrijo isso nos próximos meses.
A “bisarma morna”, como lhe chamou o Eurico de Barros no Observador, foi uma presença constante durante toda a minha infância. Tanto que era quase uma visita de casa.
Sempre me pareceram absurdos os que desatam em prantos com a morte de gente que nunca conheceram pessoalmente. Mas, admito, é inevitável sentir-me triste com a morte deste gigante, que interpretou quase sempre personagens meigos com os fracos e implacáveis com a injustiça.