Brilhante: que tal fingirmos?


escafandro,

Para evitar que ele fosse denegrindo, de modo involuntário mas absolutamente implacável, a fraca imagem que já tenho dele, nos últimos meses procurei não ouvir declarações de António José Seguro. No entanto, hoje esta decisão causou-me um problema: ouvi-o apresentar um conjunto de propostas no Parlamento e nem sei se são originais ou já andam por aí em discussão desde a segunda, ou mesmo a primeira, tentativa de demissão de Vítor Gaspar. Seja como for, gostei particularmente desta: que a parte nacional do financiamento de projectos com apoio comunitário não conte para o défice público. Bati na testa com tanta força que fiquei a conseguir olhar para trás rodando a cabeça para cima. Convenhamos que é uma ideia brilhante (tão brilhante que, admitiu-o ele, não é dele mas de outro génio qualquer, em Itália). Só tenho dificuldade em entender por que havemos de ficar por aí. Que tal o pagamento dos juros dos empréstimos da Troika também não contar para o défice público? E porquê ficar pelos da Troika? E, numa época de tanto desemprego, que tal o subsídio de desemprego também não contar para o défice? Bastam estas medidas para atingirmos um excedente orçamental. Sendo que, evidentemente, pode ir-se ainda bastante mais longe: afinal, por que tem qualquer despesa do Estado de contar para o défice público?

 

Aviso: Posso demorar algum tempo a aprovar comentários porque vou ali ao banco pedir que os montantes que gasto em alimentação (para já; mais tarde avançarei para o vestuário) não me sejam debitados na conta.

28 comentários em “Brilhante: que tal fingirmos?”

  1. E a parte comunitária do financiamento podia perfeitamente servir para baixar o défice público em vez de ser estupidamente aplicada nesses tais projectos.

    1. Tolamba deve desconhecer que os fundos comunitários pagam salários a 50% da população activa nacional e põem a estudar meio milhão de pessoas (entre os quais estrangeiros que não deviam receber subsídios)

  2. É a solução parva a um problema estúpido. A UE coloca dinheiro à nossa disposição para investir, por um lado, e por outro lado obriga-nos a um espartilho orçamental que nos impede de o fazer. Há tanta lógica do lado de Seguro com do lado da Europa.

    1. Não creio que seja estúpida a exigência de uma comparticipação nacional. Até com ela, e apesar da necessidade de aprovações europeias, os exageros foram o que se viu. Dito isto, eu compreenderia que o PS pedisse que, durante um determinado prazo e para países sob assistência ou com défices acima de determinados valores, a comparticipação nacional pudesse ser dispensada. Isto, claro, porque outras soluções nunca lhe agradariam. Por exemplo:
      – A minimalista: acabar com os fundos comunitários e diminuir as transferências para o orçamento da UE;
      – A maximalista: passar financiamento e escolha dos projectos para a UE, com base em critérios objectivos (certamente Portugal não teria direito a nem mais 1 km de auto-estrada mas talvez tivesse direito a apoios para a via férrea).

  3. O défice público é uma análise de 1ª ordem.
    O défice de gastos públicos é de 2ª ordem.
    No manual socialista não existe o primeiro, o que interessa é o segundo… a que também chamam crescimento, porque é fundamental para o crescimento da irmandade subsídio-dependente de verbas públicas.

    Quando se soube que Passos teria como “aliados” Portas e Cavaco, as leis de equilíbrio exigiriam Seguro como líder da oposição.

  4. Tróica?Dívida?
    Não se paga.Fazem-se notas,muitas e há logo dinheiro,quando queremos o dinheiro aparece sempre como muito bem ensinou o camarada Mário.Acaba a fome,o desemprego,repõe-se os subsídos tirados(e com juros!),o petróleo jorra e as searas crescem,as medicinas alternativas(muito mais baratas e dispensando importações de remédios) curarão as doenças,os estaleiros de viana vá de construir barcos de pesca e recreio para todo o povo!Não percam mais tempo.

  5. Está visto que o financiamento do projecto do camarada Sócrates de tirar mais um curso por fax também não lhe afecta as contas, caso contrário não poderia vir todas as semanas a Lisboa em executiva.

    1. Ó querido camarada,ainda duvida de que o dinheiro aparece sempre?Olhe,não hesite,contrate já a sua dívida virtuosa e se lha negarem faça notas,mas despache-se.

  6. Vexas brincam mas isto de ter o mais provável futuro 1º do reino a dizer esta barbaridades assusta. Ponha aqui um aprovo/não aprovo evita-se mais paleio.
    Aprovo 100% .

  7. Vê-se que o autor gosta que o déficit seja grande e sobretudo tratado com os pequenos países de forma diferente, castigadora, como acontece com os juros.
    Ok, admitamos o masoquismo. Podemos ir mais longe e continuar a proclamar que é mais eficiente penalizar quem comeu bifes todos os dias do que quem compra um porsche de 4 em 4 anos, redecora a casa de 2 em 2, muda a côr da piscina de 3 em 3, faz cruzeiros ao rio de 1 em 1. Seguro não sabe disso e coitado lá anda, a dar trabalho a bloguistas e repentistas, cantadores ao desafio e vendedores da banha da cobra. Mais 500.000
    desempregados, mais 20 mil milhões de dívida, menos 6% de riqueza nacional, menos 30% de rendimento dos
    reformados, menos 20 mil professores, menos 50 mil empregados do estado, cortes na climatização de unidades hospitalares, 8 mil milhões de juros por ano por 66 mil M de putativa “ajuda”. De facto Seguro não sabe disto, coitado, e lá anda. Espero que não se descoza e acabe por enfiar o barrete do 2º resgate que já está em banho maria e que gaspar não quis assumir para não levar mais cuspidelas na fila de pagamento.
    Mas o masoquismo fica bem a capatazes, comissários,
    inteligentes e apoderados desta política bovina (dos bois, que nomeiam, são nomeados e já transitaram para os lugares prometidos) F I M

    1. Tenho a certeza que Seguro não sabe !
      O homem nem sabe o que é média, o homem é um cobarde no meio da tralha socrática que o rodeia e ajuda e vai continuar a ajudar a espetar-se e bem contra a parede.
      Se o homem não conseguiu arranjar melhor que tralha (para não dizer outra coisa) socrática para o assessorar com medo que o pusessem borda fora (o que é que ele ia fazer depois ?) como já esteve para acontecer e vai acontecer acha mesmo que era esse acagaçado que ia pôr os lóbis bancários , das PPP , das energias e profissionais na ordem .
      Ganhe juízo !
      Entre dois males escolhe-se sempre o menor e na actual conjunctura o que precisamos menos é de mais um mentiroso e malabarista de 3ª categoria para nos governar.
      O senhor Seguro se os tivesse no sitio e fosse provido de inteligência já tinha dito o que iria revogar das medidas que o actual governo implementou ou quer implementar e como resolvia a trapalhada para que a tralha socrática nos empurrou de vez.
      O pessoal que diz que os deputados e afins são demais tem razão , mais vale poucos e honestos com o próximo do que muitos sendo que 70% são intelectualmente desonestos (nalguns casos são verdadeiros menires) e depois o que passa para o comum cidadão é que são todos iguais e que estão ali para fazer as vontades a quem lhe patrocina ou patrocinou o lugar , nem uma m**** de uma lei conseguem fazer que não tenha alçapões.
      A tralha socrática fez a engenharia da obra , o PSD / CDS abriu o buraco e será a tralha socrática a fechar o buraco , a não ser que ????

  8. Quanto ao euro concordo que o país se atirou de cabeça sem acautelar,mas julgo que deveria ter entrado em melhores condições.A Argentina outra vez???Ó homem veja a quantidade de recursos naturais que a argentina tem(o que é que tem aqui para comparar),de matérias primas,hidrocarbonetos,território,pecuária,agricultura em exploração desde o princípio do século,e uma sucessão de governos incapazes que até uma guerra sem proveito desencadearam…e o resultado:uma enorme inflação,pilhagens aos supermercados,greves…uma vergonha para um país que pode ser autosuficiente.Cá,e de comum só a incompetência política.

  9. Em nenhum país se pode fazer um reequilíbrio em 2 anos, em período de estagnação económica e respeitando a dignidade dos cidadãos. Só imbecis pensaram que sim e estúpidos fazem perguntas infantis. Acha que a troika está interessada para além de receber juros e evitar prejuízos aos grandes bancos financiadores dos comedores de bifes todos os dias ? Há ingenuidades e ingenuidades: as dos estúpidos e imbecis e dos espertos-
    chicos que justificam as falsidades e imbustes. Leia o que Paulo Morais diz no seu livro da Corrupção à Crise (faço votos que a menção deste autor não lhe tenha causado irizipela), não acredite nas ideias feitas e divulgadas por papagueadores de serviço e bloguistas pagos pelo ppd/cds (não é um deles, pois não ?) e passe uma vista de olhos pelo “Arrastão”, já agora que entrei infelizmente em conselhos. Digo-lhe outra vez que só IMBECIS acreditavam que em 2 anos reduziam a dívida, colmatavam o déficit e davam satisfação ao capital financeiro internacional, mantendo a aparência de que tudo estava bem e os desempregados rejubilavam, os reformados transferiam as reformas para o ministério de gaspar com os seus melhores cumprimentos, os idosos não se queixavam de moléstias e a população aumentava de tão satisfeitos viviam os recém-casados !!! Só mesmo IMBECIS, os estrangeiros que se estão a borrifar para nós e os nossos votantes que foram comidos de cebolada ( como portas quis fazer a coelho, a bem da credibilidade). Será que não tem consciência disto e engole alegremente todo o ranço que lhe oferecem no discurso sério de gente sem escrúpulos ? Foi à missa ver como era a assistência da apresentação do novo amparo do poder e distribuidor de parcelas de céu e resignação aos bem comportados ? Em 2 anos produziu-se a maior poluição anti-democrática de que há memória em tempos recentes e creio bem que não vamos ficar por aqui porque os poderosos têm prazer em humilhar os fracos e acagaçados, sobretudo se fôr gente séria, as verdadeiras forças vivas da nação. Diga lá.

    1. Olha um “Democrata popular”… ou seja tudo menos Democrata a chorar lágrimas de crocodilo.

      Daqueles que estão muito contentes por o Governo ter poder de endividar, só tem pena é de não ter ainda mais poder. De inflacionar.

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