
Há muito que os diversos comentadores políticos próximos do Governo salientavam que este tinha apenas um problema de comunicação, porque afinal se trataria de um Governo extraordinariamente competente. Precisamente por isso o Governo achou que precisava de alterar a sua estratégia de comunicação. Assim, o novo Ministro Adjunto, Poiares Maduro, assessorado pelo seu Secretário de Estado Adjunto, Pedro Lomba, acharam que o que fazia falta eram briefings diários com os jornalistas. Os mesmos só têm servido, no entanto, para pôr a nu a absoluta incompetência governamental, tendo conseguido demitir mais membros do Governo que todos os partidos da oposição juntos.
Realizar um briefing não é uma brincadeira. Recorde-se que foi um briefing mal executado que deitou abaixo o muro de Berlim. Um membro do Governo da RDA tinha sido encarregado de anunciar aos jornalistas que o país estava a pensar em abrir no futuro as fronteiras do país. Ninguém, porém, teve o cuidado de lhe explicar que se tratava apenas de anunciar uma intenção para um futuro distante. Por isso, quando um jornalista lhe perguntou quando é que essa medida entraria em vigor, o desgraçado hesitou um segundo e a seguir respondeu: “Penso que … imediatamente”. Assim todos os meios de comunicação mundial anunciaram que a RDA tinha aberto as suas fronteiras e os guardas fronteiriços não foram capazes de deter a multidão que exigiu passar para o outro lado, acabando por derrubar o muro.
Ontem, passou-se, à nossa reduzida dimensão, algo semelhante. O Governo tinha descoberto que a versão do documento da apresentação dos swaps que possuía não coincidia com a que circulava nos meios de comunicação social e quis aproveitar essa discrepância a seu favor. Por isso, no briefing que fez o Secretário de Estado Pedro Lomba anunciou o seguinte: Que existiam “inconsistências problemáticas” que o Governo ia “averiguar” relativamente a documentos referentes ao envolvimento do secretário de Estado do Tesouro na tentativa de venda de swaps ao Governo anterior. O Secretário de Estado referia-se apenas à divergência dos documentos, mas foi imediatamente interpretado por toda a comunicação social como referindo-se à inconsistência problemática do Secretário de Estado do Tesouro, evidenciada pelo próprio em briefing anterior. Como bem salientou João Gonçalves, “ninguém explicou ao Dr. Lomba que não se fala de cordas em casa de enforcado”. Por isso, toda a gente ficou a aguardar o anúncio da demissão do Secretário de Estado. O que todos pensaram imediatamente foi: “Homem ao mar!”.
Não sabendo como descalçar essa bota, o Governo só ao fim da noite anunciou efectivamente o que estava em causa: uma mera divergência entre os papéis, quando todo o País já esperava pela demissão do Secretário de Estado. Este, estupefacto pela situação em que o tinham metido, preferiu naturalmente atirar-se ao mar a continuar a navegar em tão excelsa companhia. Quanto a nós, que assistimos a esta tragicomédia, só nos resta perguntar até quando vamos ter que aguentar estes briefings. É que são maus de mais para serem verdadeiros.

O 2º parágrafo é histórica e factualmente verdadeiro pelo que me deu enorme vontade de rir, mas quero felicitá-lo por esse paradigma de os briefings, mal feitos, poderem redundar no que redundaram, evocando um momento crucial da História do Mundo Actual (ou configurado como tal a partir desse momento).
Uma boa abordagem do tema, Parabéns
Rui Machete criticou a «podridão» dos hábitos políticos.
Mas parece que não se trata de podridão, pois a fruta nem sequer deixou de estar verde. Trata.-se de um bando de infantis, imaturos que gostam de brincar com brinquedos caros de que não conhecem o funcionamento. Só fazem asneiras causam avarias. E estas têm sido resolvidas aumentando a quantidade de sanguessugas.
Quantos secretários de Estado entrarão para o lugar que este deixou vago???
E porque mantêm o SE do MNE que não sabe línguas? Como se vai entender com os diplomatas? Como lê os papeis que chegam do estrangeiro? Quais são as tarefas de que o encarregam?
Cumprimentos
João
De vómito em vómito, o brilhante jornalismo e comentarismo político faz o seu caminho, facilitado por um Governo que querendo ser mediático e aberto só alimenta a besta!
O fulano que faça a barba, canudo.
Muito bom este texto.
Na verdade, neste ” colégio de crianças ” haveria de estar uma ” educadora de infância ” á altura.
Infelizmente não está.
Pena que ainda não tenham morto o governo inteiro
ou seja, por enquanto, na minha opinião devem continuar…
Teresa
Não deixo de ter pena destes tipos. Os coitados são cegos e fazem parte da tecnologia do plástico, que surgiu e maturou-se com o advento do petróleo. Esta gente confunde elasticidade com plasticidade. Um dia destes são reciclados pela indústria dos moldes, quem sabe para fazer tetas. Como a ideia é chupar e as tetas lá vão secando nada melhor que oferecer-lhes a ilusão de poderem continuar a fingir.
Eu não sei quem são os assessores de imagem e comunicação do governo, mas são umas verdadeiras nulidades. É mau demais para ser verdade. Esta gente não pensa, não raciocina?!
O silêncio, meus senhores, o silêncio vale ouro…
Mau?!
Errado.
É bom demais. É uma cereja no topo do bolo…
A propósito, qd é que partimos o bolo?
Será que não dá para fazer um “Swap” desta cambada, e assim, livrar-mo-nos de todos os ativos tóxicos do governo?
Outro briefing que correu mal foi o anúncio que Gorbatchev estava mal de saúde a quando do golpe de 1991.