Breve história da política e de como chegámos aqui


Rui Rocha,
 

 

Algures no passado, quando as cidades eram Estados, os cidadãos reuniam-se na Ágora para discutir e decidir o destino comum. Antes ou depois de irem ao mercado. O espaço político era então um minifúndio. Cada um tinha uma enxada e ia deitando as suas sementes à terra ou ao vento. Com o advento do Estado-Nação, a participação directa dos cidadãos tornou-se impossível. Criaram-se então os partidos políticos tal como os conhecemos. À volta dos quais os cidadãos se organizaram em função da compatibilidade das suas ideias. Os partidos eram as alfaias agrícolas do campo político latifundiário. Os cidadãos podiam escolher entre debulhadoras, ceifeiras e tractores. Todavia, em qualquer dos partidos políticos coexistia, basicamente, dois tipos de pessoas. As que tinham uma vida fora da política e as que faziam da política a sua vida. Com o tempo, os do primeiro grupo foram à vida. Deles. Os do segundo grupo continuaram a sua vida. Na política. Como é natural, os do segundo grupo tornaram-se cada vez mais importantes nos partidos e ascenderam a funções de responsabilidade na estrutura partidária. Com todo o capital de experiência que decorre de não terem outra vida. E de terem colocado cartazes e gritado palavras de ordem em comícios. Hoje, alternam-se democraticamente no poder. E nós? Bem, nós cá vamos tratando da nossa vida. Entre uns dias que correm menos mal e outros que nos dão mais que fazer, vamos dizendo mal dos políticos. É uma estranha forma de vida.

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