1. «O cenário de ajuda externa é um cenário de último recurso. Farei tudo para evitar que isso aconteça.»
José Sócrates em entrevista à RTP (segunda-feira, dia 4)
2. «É urgente pedir um empréstimo intercalar já.»
Ricardo Salgado, presidente do Banco Espírito Santo, em entrevista à TVI (terça-feira, dia 5)
3. «A notícia é falsa. Não passam de rumores sem fundamento.»
Gabinete do primeiro-ministro, reagindo à notícia do Financial Times sobre um pedido de ajuda de Portugal à União Europeia (manhã de quarta-feira, dia 6)
4. «É necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu.»
Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos (quarta-feira, 18 horas)
5. «O Governo decidiu hoje dirigir à Comissão Europeia um pedido de assistência financeira, por forma a garantir condições de financiamento a Portugal.»
José Sócrates em comunicação ao País (quarta-feira, 20.30)

Lembro-me de há muito tempo o Valéry Giscard’Estaing ter dito, a propósito duma desvalorização do franco, que o governo tem a obrigação de desmentir todos os rumores até ao anúncio oficial. Não se poderá assim, neste caso muito específico, dizer que houve uma mentira ou uma mudança súbita de opinião.
Não lhe chamo mentiroso. Confirmo apenas que não podemos acreditar no que diz.
Neste caso específico não podemos acreditar no que dizem os responsáveis. Faz parte dos deveres profissionais dos governantes desmentir este tipo de notícias. Por este facto, não se pode avaliar a tendência para faltar a verdade dum governante, pelo que ele diz numa situação destas. O que acabo de dizer tão pouco é uma manifestação de confiança no que diz quer o primeiro-ministro que o ministro das finanças. Tenho aliás também motivos para acreditar que não podemos acreditar em muitas das coisas que eles dizem. O meu ponto era apenas que estas afirmações específicas não devem contribuir para alterar a credibilidade que fomos construindo ao longo do tempo.
No meu caso concreto não contribuiram para alterar a imagem do ainda primeiro-ministro que fui construindo ao longo do tempo.
Hmm, isto para cronologia da crise, é como se para contarmos a história da Humanidade começassemos no ano 2000… 30 anos não são 3 dias…
L. Rodrigues: houve um célebre pensador contemporâneo que nos ensinou que “o mundo muda muito em três dias”. Estes três dias demonstraram que esse pensador tinha carradas de razão.
Outro não menos célebre disse que tudo tinha que mudar para ficar na mesma…
Essa frase, que encerra um belo romance, merece o prémio máximo do cinismo. O efeito literário é fabuloso. Pena é que seja adoptada como lema por tantos políticos.
Exemplar coerência, fiabilidade garantida.
Como será este homem visto pela História, um dia? Gostava muito de saber…
Eu tenho o palpite de que a História não o verá com muito bons olhos, Ana.
Um canastrão político, dirá a história (com h) num rodapé em corpo 4 itálico…
Ridicularizam sempre muito tudo o que sai das bocas do BE e do PCP, mas eles lá têm razão acerca de quem manda mesmo neste país.
Dá para fazer uma analogia engraçada com os verdeiros donos do Sporting.
Era precisamente aí que eu queria chegar.
Isto estava tão porreiro até ao PEC 4 pá!
Os outros PEC’s foram porreiros pá!
O PSD não foi nada porreiro pá!
O mundo muda muito rápido pá!
Luís não fiquei porreiro pá!
Esta “agenda” cronologica de disparates dos nossos governantes é bem reveladora da incompetência, da fraqueza dos mesmos.
Acredito que o Sr. Primeiro Ministro acredite piamente naquela velha máxima: “uma mentira repetida muitas vezes torna-se verdade”…. pior é que ele próprio ACREDITOU na mentira que criou.
Pena ter arrastado milhares de pessoas para o desemprego, para a miséria, para o desespero.
Pena ter feito acreditar que éramos ricos, e que tudo era de fácil acesso, que ninguém iria pagar por isso. =(
Agora temos uma dívida publica, e que nem daqui a “quarenta” geraçoes, iremos saldar. =(
A “mentira” tem perna curta, será que nunca pensou nisso?!?!? que um dia iria vir ao de cima?!?!?
Sócrates acaba de ser considerado como o melhor sogro do ano (li no facebook, logo é verdade): deixou tudo à nora.