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Enquanto o cinema vai definhando, monopolizado em grau crescente por blockbusters de fabrico industrial que prometem (quase sempre sem cumprir) «arrasar nas bilheteiras», as séries florescem. Reflectindo a tendência actual: as pessoas trocam esse espaço colectivo que é uma sala de cinema regida por horários fixos pelo reduto doméstico em que imperam. Do social ao individual, do gregário ao solitário, do real ao virtual. Sair de casa, cumprir uma deslocação física, partilhar durante um par de horas uma sala (quando existe, o que já não sucede em várias cidades) com uma porção de estranhos deixou de atrair jovens e menos jovens.
Nos últimos três meses, à moda antiga, vi apenas duas longas-metragens que justificam elogio: Era Uma Vez em Hollywood, de Quentin Tarantino, e Dor e Glória, de Pedro Almodóvar – este com uma interpretação superlativa de Antonio Banderas. Sem surpresa, vejo ambas incluídas na lista dos três melhores filmes do ano elaborada pela revista Time.
No mesmo período, reforçando uma tendência dos últimos anos, vi bastante mais séries com qualidade.
Destaco três, que já mencionei aqui.
The Crown – «Muito mais do que uma simples série televisiva: é uma exemplar coreografia do realismo político, aqui elevado a um patamar artístico.» (Terceira temporada, na Netflix)
O Método Kominsky – «Vive de inteligentes e subtis modulações de texto em torno da velhice e da decadência física a ela associada, numa linha de fronteira ténue entre o drama e a comédia sem nunca excluir a ironia.» (Segunda temporada, na Netflix)
Ray Donovan – «Uma série amarga e tensa e desencantada, servida por um notável elenco onde se distingue o veterano Jon Voight.» (Sétima temporada, na Netflix)
Recomendei-as antes, recomendo-as de novo. Não por acaso, os cineastas de maior mérito e os actores mais consagrados têm trocado os estúdios de cinema pelas produções televisivas: é neste formato que hoje dão livre curso aos seus atributos artísticos. Aproveitemos, enquanto espectadores, esta idade de ouro da televisão. Com a certeza antecipada de que não durará sempre.

Pois tem razão, quanto ao fecho dos cinemas. Na minha cidade fechou mesmo, com muita pena minha que o frequentava sempre que podia. Porque não é a mesma coisa ainda que se veja o mesmo filme. Ao longo de 2019 fui uma única vez ao cinema e acabei por não ver a fita; era uma sessão nocturna e atrasou mais de meia hora. Pareceu-me inadmissível e pedi a devolução da verba. Portanto nada vi em grande écran, creio eu.
Quanto às séries concordo, têm qualidade – algumas. Das que cita ando a ver a terceira season de The crown, já vi o método Kominsky e talvez experimente Ray Donovan, que indica, pode ser que goste. Vi também a série Unbeleavable e gostei.
Acabei de ver a última temporada de “The Crown”, também com excelentes actores, mais velhos e não envelhecidos o que conferiu mais realismo a esta biografia da Grã Bertanha do pós-guerra.
Sou grande apreciadora das séries britânicas. Têm uma dinâmica diferente das séries de fast food.
O Ray Donovan de algum modo, também enquadra este tipo de dinâmica em que a as palavras são a acção.
E mais uma vez, o Quentin Tarentino ofereceu-me aquele sorriso de conforto e boa disposição. Bom fime.
Bom Domingo, Pedro.
Adorei The Crown.
Também eu. Uma série que tenciono revisitar.
Eu confesso que tenho uma fixação pelo universo Star Wars. Coisas que a psicologia explica.
Por isso recomendo além do filme que aparentemente termina a saga, a série da Disney “The Mandalorian”.
Esses filmes que menciona são muito bons, os filmes do QT são simplesmente épicos.
Gostei ultimamente de “Os dois Papas”, “História de um casamento” com interpretação imperdivel de Scarlett J., e “O Irlandes”, do génio Scorsese. Para além do Joker, com J Phoenix superlativo.
E um filme francês que me recomendaram, vi em DVD, uma comédia focada no tema da xenofobia, “Quest-ce qu,on fait aux bon Dieu”. Muito bom.
Séries, vi na Netflix de uma assentada “Peaky Blinders”, muito bem filmada e interpretada.
E tentei ver o Witches, uma recomendação, na Netflix, mas não achei grande piada.
Continuação de bons filmes e séries.
O comentário de cima é meu, não sei porque nao apareceu assinado.
Sorry.
Uma das ”actualizações” de que fui alvo por parte de um amigo, logo que, quando em Setembro de 1979 cheguei a Lisboa, foi a dos, para ele, evidentes sinais de decadência do cinema enquanto espectáculo público. Bom, eu vinha de um país, tal como o meu amigo (mas muito antes de mim), onde os cinemas esgotavam e nem interessava que filme até iriam projectar depois de devidamente aprovado pela amaldiçoada censura oficial: todos eles eram consumidos com um entusiasmo que, no essencial, nos permitiam ultrapassar a realidade em que vivíamos. f_=tt_cl_t1). Mais nomes serão cedidos a pedido de interessados…
O 1.o filme que vi em Portugal foi o Apocalipse Now. Pouco antes de chegar a Portugal, tinha assistido num cinema local de onde vinha, ao The Deer Hunter. Até meados de Setembro de 1979, o Apocalipse Now até não apareceu programado para qualquer cinema local e falava-se, nos meios interessados, em censura… desde então, devo-o ter visto uma meia centena de vezes e o outro, umas 3 vezes.
Pela Pordata, descobri que em Portugal, em 1994 (então com 10.008.659 residentes), foram registados 7.133.000 de espectadores de salas de cinema, durante todo o ano. Já em 2018, para 10.276.617 residentes, registaram-se 14.776.626: julgo ser evidente que, pelo menos a nível nacional, «o cinema (NÃO) vai definhando, monopolizado em grau crescente por blockbusters de fabrico industrial que prometem (quase sempre sem cumprir) «arrasar nas bilheteiras»»…
De uma outra coisa também tenho a certeza: sim, até concordo com o autor deste texto quanto às «séries florescem.» E ainda bem: é que esse facto, mesmo apesar de vir a ser apresentado como um contributo para o “apocalipse”, agoirado pelo menos (do meu conhecimento) desde 1979, não conseguiu (também, pelo menos no Portugal até 2018) vir a ser confirmado pelo, de facto, número de espectadores dos cinemas.
Eu não vi (e quase que garanto que nunca hei-de vir a ver) Dor e Glória, de Pedro Almodóvar! Por outras razões, também não vi Era Uma Vez em Hollywood, de Quentin Tarantino (ou The Irishman, do Scorsese) mas até agora vi bons filmes como The Mule ou The Professor e, também, Birds Of Passage, para apenas citar alguns…
Nas “séries”, retomei a meada a Frontier, The Son e Vikings. Descobri Mayans M.C., See e Looking for Alaska… e acabei a colocar na lista de espera, Godfather of Harlem, The Mandalorian e The Witcher.
Quanto ao “facto”, descoberto pelo autor do texto, de que «os cineastas de maior mérito e os actores mais consagrados têm trocado os estúdios de cinema pelas produções televisivas» fez-me apenas lembrar a atitude da minha mãe quando “descobriu” que eu, que detestava peixe, até passei a gostar de bacalhau à Brás: um exemplo, é o do protagonista da série The Son, Pierce Brosnan, que nos anos posteriores a ter participado na dita série até entrou numa série de filmes (https://www.imdb.com/name/nm0000112/?re
Na realidade, os tais «cineastas de maior mérito e (…) actores mais consagrados» não têm “trocado” nada mais para além do que certos tabus que lhes serviam para estigmatizar todos os “actores sérios” que antes, aqui e ali, resolviam trabalhar para produtos destinados ao pequeno ecrã. O oposto desta estigmatização era a elevação a um pedestal, de todos os que se conseguiam um papel, mesmo que secundário, no grande Teatro. Ou se quiserem, menos conhecido é o tabu existente entre o pessoal do Teatro em relação aos seus pares que se “passavam” para o Cinema
Porque raio deixei de ir a cinemas? Porque envelheci e descobri que, a menos de metro e meio de distância, um ecrã de TV de umas 50/55 polegadas e um bom sistema de som “surround”, ultrapassa o que uma sala de cinema me pode oferecer…
Quando é que prefiro séries a filmes? Quando me rareia o tempo.
Eu vim a Portugal e vi um filme luminoso, superior: Vitalina Varela, de Pedro Costa.
Adoro o metodo kominsky- brilhante! A crown desapontou-me nesta temporada pela troca dos actores principais. Este ano adorei tambem a serie do ricky gervais (nao me lembro do nome, afterlife?) e a australiana the let down. Vou tentar a ray donovan; ainda nao vi
Andava há não sei quanto tempo para “pegar” na série Shameless, iam aparecendo outras e ia ficando esquecida. Comecei a vê-la e… aquilo é de loucos. Soberbas interpretaçôes de William H Macy e Emmy Rossum.
CarlosC.