Bom senso ou double standards?


Rui Rocha,

Em 9 de Março, o New York Times publicou um anúncio colocado pela Freedom From Religion Foundation. No anúncio, apelava-se a que os respectivos fiéis abandonassem a Igreja Católica. O principal fundamento apontado foi o dos escândalos sexuais com envolvimento de padres e a cumplicidade da hierarquia da Igreja. Uns dias depois, Pamela Geller, líder do movimento Stop Islamization Now (conhecida, é bom dizê-lo, por posições radicais e inaceitáveis) solicitou ao jornal a publicação de um anúncio “simétrico” em que se apelava ao abandono do Islão com fundamento principal na falta de respeito pelas mulheres e pelos não islâmicos. 

Desta vez, o New York Times recusou a publicação apesar de Geller estar disposta a pagar os mesmos 39.000 USD cobrados pela colocação do primeiro anúncio. De acordo com as explicações prestadas pelo jornal, não se trata de uma recusa definitiva, mas de um adiamento da publicação, motivado pela violência desencadeada no Afeganistão na sequência do episódio em que foram queimados exemplares do Corão e pelo temor de que vidas fossem postas em causa por novas reacções exacerbadas. A matéria é delicada. Mas, o que a decisão tem subjacente é o entendimento de que a liberdade de expressão deve ser limitada a partir de uma avaliação da perigosidade dos fiéis das duas religiões. Terá o NYT agido correctamente? Ou demonstrou apenas que utiliza inaceitáveis double standards editoriais?

 

* Mais detalhes sobre a notícia podem ler-se aqui.

7 comentários em “Bom senso ou double standards?”

  1. É claro que houve double standard, mas também é claro que a decisão foi correta.
    De facto, quando se publica (ou diz) alguma coisa tem que se ter em conta as possíveis ou prováveis consequências daquilo que se está a publicar.
    Por exemplo, se um padre católico, num sermão numa igreja de Lisboa, recomendar aos fieis que batam nas respetivas mulheres, a provável única consequência será que os fieis deixarão de frequentar essa igreja. Nem valerá a pena perseguir judicialmente esse padre – os fieis encarregar-se-ão de o ostracizar.
    Se, no entanto, se tratar de um líder muçulmano quem diga o mesmo num sermão na respetiva mesquita, então já o caso muda de figura – tal sermão poderá ter um efeito real em termos de agressões a mulheres.
    Ou seja, a mesma coisa, dita em diferentes contextos e a pessoas diferentes, pode ter consequências diferentes. E é preciso medir tais consequências.

  2. O NYT utiilizou os double standards da hipocrisia da Esquerda.
    O mais grave é recompensar a intimidação, violência e gangsterismo Islâmico.

    Faz parte dos objectivos de boa parte da esquerda destruir a civilização ocidental. Se fossem cristãos a usarem tácticas iguais o NYT e aliados nas TVs já combateriam sem apelo nem agravo.
    Quando aparecerem Brevicks de outro tipo não se admirem. O sistema de incentivos para tal acontecer está a ser bem oleado.

  3. Isto seria impossível de ler no New York Times e quiçá mesmo no Washington Post:

    “If the pope called for the destruction of all the mosques in Europe, the uproar would be cataclysmic. Pundits would lambaste the church, the White House would rush out a statement of deep concern, and rioters in the Middle East would kill each other in their grief. But when the most influential leader in the Muslim world issues a fatwa to destroy Christian churches, the silence is deafening.

    On March 12, Sheik Abdul Aziz bin Abdullah, the grand mufti of Saudi Arabia, declared that it is “necessary to destroy all the churches of the region.” The ruling came in response to a query from a Kuwaiti delegation over proposed legislation to prevent construction of churches in the emirate. The mufti based his decision on a story that on his deathbed, Muhammad declared, “There are not to be two religions in the [Arabian] Peninsula.”…”
    http://www.washingtontimes.com/news/2012/mar/16/destroy-all-churches/

    E é o repelente New York Times a bíblia (ou será o corão?) do jornalismo tuga.

  4. Boa pergunta. Gostei do facto de, não apresentar respostas. É que às vezes não há certezas e cair para um ou outro lado passionalmente nem sempre ajuda. De longe.
    Agora, tentando entender… Não é uma questão de aceitar e legitimizar o que é mau no islão, é uma questão de não exarcebar certos ânimos (falta a muitos esse desprendimento, é verdade), sobretudo porque há também ESPANTEM-SE pessoas fabulosas que professam a religião muçulmana. Assim como convidar a abandonar o cristianismo é algo que não se compreende. O que vale aqui é que os cristãos já se desprenderam de tal forma (e não sei se mal ou bem, diria bem;)) que não iriam incendiar-se os ânimos. Diferentes estados de culto, num undo caótico onde às vezes é preciso arrefecer e não atear:)

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