88 comentários em “Bob Nobel Dylan”

      1. É uma nova janela que se abre!! Um género literário há muito desconsiderado na profundidade que tem no campo da criação com a palavra escrita. A canção!! Não vejo razão ontológica alguma para que se exclua tal género do mundo da literatura!!
        Inicialmente, fiquei relativamente perplexo, tal como a Clara!! Dez minutos depois aplaudi a decisão. Não a pensar em Dylan, mas, em muitos outros autores, Leonard Coen por exemplo.

    1. É uma nova janela que se abre!! Um género literário há muito desconsiderado na profundidade que tem no campo da criação com a palavra escrita. A canção!! Não vejo razão ontológica alguma para que se exclua tal género do mundo da literatura!!
      Inicialmente, fiquei relativamente perplexo, tal como a Clara!! Dez minutos depois aplaudi a decisão. Não a pensar em Dylan, mas, em muitos outros autores, Leonard Coen por exemplo.

          1. “….Quando me encontro no calor da luta ostento a aguda empunhadora à proa,
            mas meu peito se desabotoa.
            E se a sentença se anuncia bruta mais que depressa a mão cega executa, pois que senão o coração perdoa.”

          2. Frase declamada por Ruy Guerra no ‘Fado Tropical’, que teve um trecho amputado pela censura da ditadura militar brasileira: “E a sífilis, é claro.”

  1. E eu estou muito feliz pois The times they are a-changin’ at the Nobel Academy.
    E Bob Dylan, para além de músico, é um grande poeta.
    🙂 Antonieta

        1. Suspeito sou. Por ser leitor voraz da poesia de Dylan desde a adolescência. E por figurar entre os dez maiores apreciadores em Portugal da obra musical deste ‘cantautor’.
          A propósito, também gosto muito deste: http://www.newyorker.com/magazine/2016/10/17/leonard-cohen-makes-it-darker?mbid=nl_TNY%20Template%20-%20With%20Photo%20(104)&CNDID=38625166&spMailingID=9676616&spUserID=MTMzMTg0NDkxMTE2S0&spJobID=1020932541&spReportId=MTAyMDkzMjU0MQS2

          1. Foi de quem me lembrei logo, caro Pedro Correia. Assim que ouvi a notícia do Dylan, veio-me o L. Cohen à cabeça, como sempre nestas coisas da literatura cantada!!

          2. Ok, mas sem a música a poesia de B. Dylan não teria o mesmo efeito. Foi pela música que se tornou icónico e não pela poesia ou pelos seus outros escritos.
            O prémio devia distinguir escritores excelentes.

          3. Acima de péssimos, caro Pedro Correia!
            Na minha péssima e pouco fundamentada opinião, obviamente contestada por muitos, e evidentemente mais esclarecidos, não sei como, por exemplo, em 2008 e 2009, o Le Clézio e a Muller, foram premiados!!

          4. Pois. Mas isso foi um slogan publicitário à coca-cola.
            Está tudo dito, meu caro.

          5. Não foi verso algum. Foi um slogan para a campanha publicitária da Coca-Cola.
            Nunca fez parte de qualquer poema. A agência publicitária era a Hora, onde Pessoa trabalhava.

          6. Obrigadinho pela lição, doutor. O que eu quero dizer é que tudo em Pessoa era poesia. Também este ‘slogan’ publicitário – que não o chegou a ser – pode ser lidoo e entendido como um aforismo poético. A prova é que sobreviveu muito para além do contexto a que se destinaria.

    1. Barreiros merece ser galardoado. Há na sua arte poética uma dicotomia entre o naturalismo e o simbolismo que resulta de um processo natural de assimilação das formas de arte ditas tradicionais, transfigurando-as com o seu olhar inequivocamente original num activismo de expressão que julgo não despiciendo considerar como herdeiro da imagética pessoana no seu lirismo transubstancial.
      Penso eu de que.

    2. … e o Carlos do Carmo? Os ´’mídia’ da Capital já têm tanta reportagem e extensas epigrafes pronta para nos ‘informar’ pela xésima vez – cá para mim é p’ró ano, em parelha com o Tonecas que vai lá receber o Nobel da Paz….

  2. A intelectualice indigena da esquerda parece aceitar mal que o Nobel da Literatura tenha sido atribuido a Bob Dylan. Pela parte que me toca, que não sou intelectual nem de esquerda, acho que esta distinção só peca por tardia.
    O facto de Bob Dylan receber o Nobel da Literatura, também acaba com a ideia que para o receber seria condição sine qua non ser comunista.

  3. Eu acho que, pelo andar da carruagem, um ano destes quem recebe o Nobel é o relator de futebol da Antena 1.
    Usa grande riqueza linguística, com expressões rebuscadas como “carregador de pianos”, “matar o borrego” e outras que tais. Expressões de fino recorte linguístico e grande valor metafórico.
    Depois deste Nobel, já nada me espantará vindo daqueles lados.

  4. Tenho a ligeira impressão que o caríssimo, e interessantíssimo, Bruno Vieira Amaral andou a ler aqui esta caixa de comentários. Ou então, objectivamente, há método na estética, que é ética, como já aventavam os antigos!!

  5. Caro Pedro Correia, o Bruno Vieira Amaral quedou-se desconcertado com o Nobel, como aqui a cara Clara (ou eu, momentaneamente, nos primeiros 10 mins)!
    Contesta-o, sem contestar! Compreende a janela aberta, mas diminui-lhe a dimensão! Gosta, mas não gosta! Acho que ainda está a assimilar coisa…
    Estou em crer que há-de elaborar um outro método para o dissenso, ou resigna-se!!

  6. Há inúmeros prémios de música, o Nobel da Literatura passou a ser + um.
    Até Sara Danius recomendou a “obra” Blonde on Blonde, que é um álbum. Não é preciso dizer mais nada.

  7. As letras de Bobo Dylan já há muito que são matéria de estudo em aulas de literatura.
    Se acho que com mérito? Absolutamente. Foi a voz de uma geração. Uma delas, mas a que mais perdurou.
    Estou encantada. Não li o Tarantula nem a biografia. A crítica descrevia o romance como um espelho fiel das letras das suas canções da época.
    Nem acreditam se eu vos contar as letras do Bob que eu sei de cor… e eu a pensar que era uma velha nostálgica…

      1. Sim, claro.
        Tanto que as suas crónicas Vol I (biografia) não passou desse primeiro volume. Há anos!
        Não confundamos os temas, sejamos sensatos.

      2. Dylan havia de mandar um postalinho de agradecimento ao John N. Smith, que aquilo de pôr os alunos perdidos da Michael Pfeifer a estudar literatura através das suas letras foi muito bem pensado, foi sim senhora…
        A realidade é bem mais estranha que a ficção, sem dúvida.

    1. “e eu a pensar que era uma velha nostálgica…”
      Pode bem ser esse o caso. Só que não está sozinha.

      Para mim, isto é o canto do cisne dos baby boomers.


      1. Beijinho, Antonieta,

        May God bless and keep you always
        May your wishes all come true
        May you always do for others
        And let others do for you
        May you build a ladder to the stars
        And climb on every rung
        May you stay forever young
        Forever young, forever young
        May you stay forever young

    2. — “As letras de Bobo Dylan já há muito que são matéria de estudo em aulas de literatura.”

      Também por cá analisam canções e textos jornalísticos e até, pasme-se, extractos de programas da TVI: uma coisa é aulas de “Português” (que imagino cada vez mais deprimentes para quem sabe pensar e escrever) e outra coisa são aulas de “literatura”.

      1. Nada que espante. A propósito: a galardoada com o Nobel de 2015, Svetlana Alexievitch, só escreveu textos jornalísticos – essencialmente reportagens e entrevistas.

  8. Lembrando-me do seu post acerca do Nobel. Não houve ninguém, nem o Pedro a falar de Dylan. Nem 1.
    Agora, Dylan é um trovador, um Nobel merecido há muito. Por favor, a AS é absurda. Podem gostar de mas daí a Nobel? Por muito que não gostemos de alguns laureados não os podemos juntar ao trabalho de Dylan.

  9. Acho que está na hora de convidar Dylan para cabeça de cartaz do Super Bock Super Rock.
    A alta literatura e as bejecas a rodos prometem resultar num admirável panaché.

  10. Valha-nos que nem tudo são más notícias: os Depeche Mode anunciaram novo disco e nova digressão.
    Deus é bom.

  11. Pelo que ouvi nas televisões, o prémio está centrado no equívoco de que Dylan foi “activista”, “homem de causas”, “mensagens”, “canção de protesto” e o resto das balelas da cartilha marxista dos retornados da SIC. Na verdade, e durante cerca de 6 meses entre Agosto de 63 e Dezembro de 63, Dylan foi vagamente político, sobretudo para se afirmar na cena musical. O seu “activismo” além de mínimo, foi meramente instrumental (o trocadilho é involuntário). Pouco depois, já em 64, afastou-se dessas cenas e começou a utilizar guitarras eléctricas precisamente para se afastar esteticamente da cena folk e hippie. Se observarem os vídeos das entrevistas dessa altura, Dylan até gozava com os jornalistas. Foi colonizado desde o início pela Esquerda e agora é difícil libertá-lo dos rótulos que ele nunca aceitou.

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