O blogue que escolho esta semana remete para um espaço – o café – que convida ao fragmento, à escrita que não exige, como condição de inteligibilidade, critérios de unidade ou coesão: chama-se Café Central. É de lá que trago frases de Teixeira de Pascoaes, o poeta que fez da saudade o princípio de uma suposta ‘arte de ser português’:
Camilo regressa ao Pôrto, êsse imenso penedo, fendido em ruas e vielas, esculpido em obscuras habitações, grávidas de gente dedicada ao comércio, às tainasde verdasco e peixe frito, à irmandade do Terço e do teatro lírico, onde, nos camarotes, os cantos da Derbeille e da Belloni provocam fome de frangos assados e cabritos. E, como centro intelectual, o Café Guichard, na Praça Nova, ainda muito rústica e arborizada, com landós e cupés de aluguer, parados, sob a copa das ramagens. (Teixeira de Pascoaes. O Penitente)

O Porto é um imenso penedo?! Fendido???!!! Isto ainda vai acabar tudo à estalada…
🙂 O Pascoaes preferia o Marão…