Columbo continua em reposição na RTP Memória: uma boa iniciativa que veio ao encontro de um público interessado e fiel, como ficou evidente quando aqui publiquei um texto sobre esta série de culto. Com entrada directa para o top ten dos postais mais comentados de sempre no DELITO DE OPINÃO.
Muitos apreciadores da série gostariam de saber mais sobre ela. Pois encontram tudo neste blogue norte-americano assumidamente columbófilo. Lido por fãs de todo o mundo.
The Columbophile é o nosso eleito da semana.

Excelente!!!
Miguel Nunes
Sou fã da série, fiquei fã do blogue. Columbófilo também.
O detetive que tudo e todos desvenda deixa ao cuidado do telespectador o mais simpático e emblemático enigma da história da ficção televisiva: a existência da sua mulher. Sempre gostei de acreditar que a senhora Columbo existe. E sempre gostei de a imaginar afável, sensível, inteligente e, sobretudo, profundamente cúmplice e protectora do descuidado marido. Se ela não existisse, que sentido faria que ele, pela forma como a lembra, trata e refere ( embora ausente, está sempre carinhosamente presente ) fosse o feliz e descontraído tenente que desconcerta os mais engenhosos e até os mais intrépidos assassinos. O cinismo e a imposturice não são características que o definam. Além da argucia, é a inteligência, a simpatia e o humanismo.
Bem sei que muito pouco ou quase nada nos é revelado acerca da tão misteriosa senhora – apenas o pouco que ele desvela. E ainda bem! Assim cada um/a imagina-a de acordo com os seus próprios ideais e nunca se sentirá defraudado/a!
J M
Esse é um dos condimentos mais interessantes de uma série que à partida não proporciona mistérios, pois sabemos desde o início quem assassinou. Direi mesmo: o maior mistério, nunca esclarecido.
Columbo é personagem fascinante. Pelo seu desleixo formal, pelo seu surpreendente engenho intelectual, por ser um polícia desarmado (há anos que não usa pistola e até falha sucessivas vezes a obrigatória inscrição na carreira de tiro, indispensável para renovar a licença de porte de arma) e por ser claramente fetichista: a gabardina encardida, o charuto omnipresente, o carro francês a cair de podre, o cão sem faro que ele insiste em transportarao colo. Ele é inseparável dos seus adereços, que ajudam a compor a iconografia columbófila.
O incumprimento da renovação do porte de arma e a forma como vai protelando a ida semestral à carreira de tiro para o efeito( pede a alguns colegas que o façam por ele quando já não pode protelar mais), não é uma falha de carácter. Mas é desconcertante: aos pequenos espíritos parecer-lhes-à soberba!
Os fetiches são igualmente desconcertantes, sobretudo para os habitantes duma icónica cidade de luxos.
O cão que ele tranporta ao colo e leva a passear ao parque, é tratado como um
semelhante: tem direito ao gelado e à conversa da praxe como qualquer familiar ou amigo.
Enfim, é muito singular e cativante. É o compincha que eu gostaria de ter!
JM
Também eu (excepto se fosse homicida).