Em Espanha é assim: os escritores não se encerram em torres de marfim nem evitam emitir opinião sobre os temas do momento, por mais polémicos que sejam. É o caso de Félix de Azúa, que há mais de uma década mantém o seu blogue, vivo e actualizado. Vale a pena lê-lo. Porque pensa bem e não foge ao debate de ideias. “Quanto mais totalitário é um Estado, mais recorre à mentira factual”, anotava há dias este admirador de Hannah Arendt, sem esconder a aversão pela administração Trump, que recorre a métodos popularizados por regimes comunistas e estados teocráticos.
Elejo o seu El Boomeran(g) como blogue da semana.

Pena que por aqui os escritores e autores se tenham vendido. Onde pára a música de intervenção? O romance denúncia neo realista, que pululou durante o Estado Novo? É vê – los esses artistas de intervenção a fazerem spots publicitários para aqueles que outrora denunciavam como os exploradores da massa operária. Sérgio Godinho, Faustos, com os seus concertos a 40 € o bilhete. Bem sei. Agora é a arte pela arte. A arte do absurdo. Do sci fi. Enfim do escapismo. Ideologia é crendice. Uns tudologos