Ao passo que por cá politólogos e comentadores (uma infestante autóctone) competem vivazmente por minutos televisivos em que possam derramar as sua opiniões, palpites e profecias, distinguindo-se uns dos outros somente pelo grau de azedume e pelo nível de pesporrência, noutras longitudes, parece incrível, prevalece a análise em vez da diletância e a feroz competição pelo “acesso” mede-se pela qualidade com que se extrai inteligência do “big data”.
(O conceito e os efeitos do “big data” são, aliás, a discussão do momento nas “ciências políticas” [o que quer que isto queira dizer] desde que um punhado de carolas alavancou Obama até à Casa Branca à força de algoritmos).
The Monkey Cage é amiúde reputado como um dos blogues mais interessantes sobre política e política americana. O nome é um mimo que decorre da célebre frase de H. L. Menken: “a democracia é a arte de administrar o circo a partir da jaula dos macacos”; posto que o blogue tem como objectivo concatenar análises quantitativas e complexas com a espuma dos dias. Às vezes resulta outras não, mas The Monkey Cage é quase sempre muito pouco excitante, nunca tremendista, o que em linguagem lusa designar-se-á como “chato”, ou seja, incapaz de ser convertido em perguntas espertas pelo pivot de turno. Para quem gosta do tema é conduto, para quem só lhe toca-e-foge, será uma perda de tempo.
