Leicas (*). Belas e caras, maravilhas tradicionalmente mecânicas agora cheias de electrónica. Há cerca de 90 anos impuseram um formato de negativo (o dobro de um fotograma de cinema) que ainda hoje, em época de sensores digitais, define o melhor compromisso entre portabilidade e qualidade de imagem. Quase todos os grandes fotógrafos das décadas de ouro da fotografia as utilizaram. Como no caso dos relógios suíços, lideraram o mercado antes de os japoneses descobrirem formas mais baratas e versáteis de se atingir o mesmo fim (ironia: a primeira reflex com focagem automática foi uma Minolta usando tecnologia cedida pela Leica, cujos responsáveis não acreditavam no sistema). Permitem aceder às melhores objectivas disponíveis no mercado (foi também para não comprometer a perfeição óptica que, há 40 anos, os tais responsáveis desdenharam da focagem automática). São maioritariamente fabricadas por portugueses, em Vila Nova de Famalicão, numa fábrica que em breve terá novas instalações (as quais representaram um investimento de 15 milhões de euros), antes de seguirem para a Alemanha, para a fase final da montagem e a – muito importante, em termos de marketing – marcação Made in Germany. Porque, mais uma vez como no caso dos relógios, o pedigree é importante. De resto, há quem as compre como objectos de status e também há quem as compre para coleccionar (alguns japoneses nem sequer as retiram da caixa). Mas vai para uma centena de anos (o primeiro protótipo foi construído em 1913) que as Leica se destinam acima de tudo a tirar fotografias, encontrando-se particularmente adaptadas, pelo seu tamanho e design (ao contrário de uma reflex, uma M não esconde a cara do fotógrafo), à reportagem de cariz humano. Como se pode constatar no blogue oficial. O blogue da semana.
(*) De Leitz Camera. Há poucos anos decobriu-se que, apesar de ser membro do Partido Nacional Socialista, Ernst Leitz fez sair algumas centenas de judeus da Alemanha durante a década de trinta do século passado – um pouco como Oskar Schindler mas em menor escala (Schindler terá salvo mais de 1200 pessoas).


Boa peça, sobre uma excelente máquina!
É só um pormenor: o fotograma de cinema 35mm é METADE (e não o dobro) da uma fotografi a e 35mm. No cinema o filme corria “em pé”, enquanto nas câmaras corria “deitado” – tudo no passado porque o digital acabou com os filmes, embora os formatos tenham ficado.
Oooops, corrigido (é o que dá escrever à pressa por, não me tendo apercebido de que era a minha vez de escolher o blogue da semana, estar dois dias atrasado). Obrigado.
Quando o meu filho entrou para a Universidade ficou combinado irmos dar uma volta pelos países nórdicos. Às tantas percebi que ele estava com pressa em chegar à Oslo. Para comprar uma Leika, (ou partes dela) numa das muitas lojas que vendiam em 2ª mão. Ele trouxe a máquina e eu vi uma das mulheres mais bonitas de sempre. A vendedora…
Luís: aposto que nem regateou. Devia ter usado a máquina para lhe tirar uma fotografia. Isto, claro, se conseguisse focar…
O meu avô tinha uma Leika muito bonita, daquelas que hoje são “de colecção”. Tinha a paixão da fotografia, como tu e como uma das minhas irmãs… que se instituíu herdeira oficial da máquina, claro. 🙂
Espero que tenha conseguido algo pelo menos quase tão bom. Uma casa com piscina, por exemplo. 😉
Bah, a Leika era a coisa mais valiosa que havia lá em casa… 🙂
Naquele tempo em que sabemos tudo (aí pelos 13 anos) a Minolta, a Canon, a Nikon eram as marcas da “moda”.
Visitei então um tio que sabia gostar de fotografia, mas logo me compadeci com o aspecto ultrapassado das máquinas dele. Piedosa e respeitosamente aventei os nomes de que se falava. Com simpatia respondeu-me, mostrando-me as máquinas alinhadas no seu “laboratório” que “as lentes são muito importantes e estas são boas” indicando-me uma máquina que me pareceu velha e feia mas que, isso era verdade, tirava óptimas fotografias que ele próprio revelava.
Uns anos mais tarde, agradeci-lhe a simpatia com que me tinha tratado, quando já podia perceber que falava com o feliz possuidor de várias Leicas e uma Hasselblad.
Pois. É por estas e por outras que não me importava de ter outra vez 33 anos mas nem que me pagassem queria ter outra vez 13. 😉
(Um bocadinho sob pressão com a aproximação da Nikon e da Canon às resoluções dos dorsos de médio formato, a Hasselblad anda a fazer coisas ligeiramente embaraçosas: blad-lunar/)
http://www.photoxels.com/tag/hassel