Blá, blá, blá, blá, blá….


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A entrevista de Sócrates resume-se ao título deste post. Espremida,  daquela hora não jorrou uma gota de sumo. Culpa de Sócrates? Concerteza… mas se quisermos ser imparciais e fazer um juízo isento, temos de reconhecer que a culpa não foi só dele.

Os portugueses esperavam  que Judite de Sousa e José Alberto Carvalho obrigassem Sócrates a  falar dos problemas do país, a reconhecer  que não sabe o que fazer para minorar os efeitos da recessão, que  confrontassem o PM com medidas erradas tomadas ao longo destes quatro anos, mas os jornalistas perderam mais de metade da entrevista a discutir o discurso de Cavaco e o caso Freeport. Discutiram tricas, em vez de discutir o país. Sócrates deverá ter saído dos estúdios da RTP com um sorriso de orelha a orelha, porque acabou por conduzir a entrevista para onde lhe dava mais jeito. Azar dele, os portugueses preferem as novelas da TVI às novelas do caso Freeport  e do discurso de Cavaco, caso contrário teria ontem ganho votos suficientes para renovar a maioria absoluta. Os entrevistadores deveriam saber disso. Ou não?

Sócrates foi arrogante? Não! Sócrates é arrogante. Mas até nisso teve sorte, porque a arrogância de Judite de Sousa ( tão contrastante com a docilidade canina que exibe perante entrevistados de outros quadrantes políticos, como foi o caso da entrevista a Dias Loureiro)não lhe ficou atrás.

Judite de Sousa e JAC tiveram ontem uma oportunidade de encostar Sócrates à parede e desperdiçaram-na, porque preferiram falar de questiúnculas em vez de falar dos problemas do país. Fizeram mal. Até porque, ao contrário das novelas da TVI, nestas novelas já se conhece o fim.

 

Nota: A notícia sobre os bastidores do vídeo me apanharam  de surpresa . Sou bruxo? Não, mas tal como outros jornalistas, já conhecia há pelo menos uma semana o desfecho desta história que a TVI tem servido em episódios. Compreende-se que assim seja. Num canal de televisão que apenas exibe telenovelas durante todo o horário nobre, sete dias por semana, é natural que a partir de determinada altura se confunda jornalismo com outras coisas.

18 comentários em “Blá, blá, blá, blá, blá….”

  1. Realmente, Sócrates não parece um político – parece um apóstolo fanático sem rasto de cultura democrática: julga-se um iluminado que nunca errou e jamais errará e parece genuinamente incomodado (e irritado) por nem toda a gente dar isso de barato.
    Ter um Primeiro Ministro destes é dramático para qualquer país; para Portugal, sem grandes tradições democráticas e com uma sociedade civil muito débil, é trágico.

  2. O jornalismo do Expresso é mau, o do correio da manhã é mau, o do Público é mau, o da TVI é mau, JS e JAC são maus. Ainda há de explicar que ojornalismo e jornalistas acha que são bons.

    1. Nunca dise que o jornalismo do Expresso e do Público era mau, nem que JS e JAC eram maus jornalistas. Limitei-me a criticar situações pontuais, assim como elogiei outras A questão é que não vejo o mundo a preto e branco. Não me reconhece esse direito?
      Agora pode ter a certeza de uma coisa: como em tudo na vida, há bons e maus jornalistas, há bons e maus jornais e revistas, há bom e mau jornalismo. O importante é saber analisar as coisas de uma forma equidistante. Afinal, essa é uma das características do bom jornalismo.

  3. eu não esperava que JS e JAC “obrigassem” o PM a falar dos problemas do País. Sobejamente conhecidos, aliás.
    O que eu esperava além de uma entrevista educada e correcta sem laivos de arrogância idiota que em nada contribuem para a imagem que pretendem os assessores, era que o PM falasse das soluções para os problemas.
    De forma sincera e calma e apelando a todos nós para o ajudar a resolver a alhada em que se meteu.

    1. Nunca criei demasiadas expectativas, Once. Nem quanto aos temas que iriam ser discutidos, nem quanto à arrogância de Sócrtaes. O que me surpreendeu foiu a arogância da Judite, confesso.
      Quanto a Sócrates pedir a nossa ajuda e compreensão, só mesmo uma alma muito bem intencionada poderia esperar que el o fizesse.

  4. Eh Eh Eh… então os jornalistas iam «obrigar» o Exmo. Sr. Eng. Dr. Arq. a reconhecer que cometeu erros?

    Isso é tão impossível quanto o clube do Sr. Eng. Dr. Arq. ganhar o campeonato…

  5. Peço muita desculpa, mas blá, blá, blá, blá, blá foi quando falavam os jornalistas.

    Quando falava o nosso primeiro, era um discurso calmo, ponderado, convincente, mobilizador, entusiasmante até.

    Veja lá isso.

  6. Se eu fosse como certa gente da direita, diria que, sendo Judite de Sousa esposa de um destacado militante do PSD, é normal que ela seja macia ao entrevistar um militante do PSD, mas dura ao entrevistar Sócrates. É também normal que, ao entrevistar Sócrates, ela – e o PSD – se focalize em aspetos de personalidade ou pessoais, como as conversas com o Presidente ou o caso Freeport, em vez de se focalizar em soluções concretas alternativas para os problemas do país – aspeto em que o PSD não se diferencia do PS.

    Mas isto seria se eu fosse mauzinho… e se visse as entrevistas de Judite de Sousa, que nunca vejo.

  7. Carlos Barbosa Oliveira confessa que ficou surpreendido com a arrogância de Judite Sousa. O que posso concluir desta afirmação é que não tem por hábito ver a Grande Entrevista da senhora. Porque arrogância é o seu ponto forte. Mas também lhe confesso uma coisa… Faz bem eu não ver.

    http://www.esquerdismosliberais.blogspot.com

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