Bingo


Sérgio de Almeida Correia,

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(foto: LUSA)

Uma das vantagens da Coligação PSD/CDS-PP apresentar listas conjuntas é que, qualquer que seja o resultado eleitoral, a avaliação de desempenho dos últimos quatro anos será infalível. Os nomes escolhidos reflectem as alterações climáticas, a secura dos solos, a desertificação, a falta de peixe graúdo. Confirma-se a ideia inicial de que este é um bom negócio para o CDS-PP. Não ter cabeças-de-lista permitir-lhe-á sempre, e nisso Portas é único, no caso de um mau resultado, ficar na sombra da humilhação, deixando os holofotes para os outros. Se o resultado for bom reclamará a sua quota-parte. Com muita humildade.

Sem critérios conhecidos – para lá dos empresariais -, será necessário ir pelos sinais para perceber o que ficou na lista. Com a PSP de plantão, nota-se a falta de peso da banca. Há mais mulheres, o que é bom sinal, embora não se saiba – com excepção do caso de Coimbra que sobressai da pobreza geral – se por mérito, para tapar buracos ou a título de reconhecimento dos fretes da legislatura. Não podendo colocar Macedo e Relvas, companheiros da ascensão entretanto caídos antes do tempo nas diversas frentes de combate – opinião pública, vistos gold, polícias, universidades, espiões, associações discretas –, sem gente como Poiares Maduro, Mota Amaral ou a própria Assunção Esteves, que sempre têm outra estatura, era preciso trabalhar com os funcionários. E com os que ficaram depois da debandada de Couto dos Santos, de Moedas, de Fernando Nobre (já nem me lembrava desta estrela de 2011), de Manuel Meirinho e de Francisco José Viegas, entre outros, que se safaram a tempo. A “prata da casa” está lá toda. Não só a prata, é certo. A representação das diversas famílias honra a memória de Robert Michels. E tirando o “independente” das homílias, o ilusionista com pronúncia do Norte e a “especialista” em assuntos constitucionais e outros que tais, sem esquecer o infalível licor Beirão, sempre presente à hora da refeição, é um cartaz digno do Campo Pequeno. A separação nos Açores e na Madeira revela o entendimento autonómico entre as hostes dos dois partidos.

O resultado da renovação, tal como do alívio da carga fiscal e das prometidas reformas, ver-se-á lá para o Outono. Sem chernes, para já ficamos com o que se conseguiu: faneca e carapau. E os, por extenso para que ninguém se esqueça, dois milhões oitocentos e treze mil e sessenta e nove votos com que a Coligação vem de 2011 e parte agora para a lota de 4 de Outubro.

0 comentários em “Bingo”

  1. Por Baptista-Bastos
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    Não quero mais este tipo na minha casa, na minha rua, no meu bairro, na minha cidade, na minha pátria. Este tipo vendeu-nos, com um descaramento inacreditável. Este tipo parece um serventuário; parece, não: é um serventuário da alemã, e enxovalha-nos a todos quando, reverente e subalterno, caminha ao lado dela, atento ao que a alemã diz, e toma nota e fixa o que a alemã diz com reverente cerimónia. Este tipo disse que gastávamos demais, nós, os portugueses, que nunca soubemos o que era prosperidade, ter uns tostões a mais no bolso, satisfazermos os pedidos dos nossos filhos, por muito modestos que fossem. Eu, por exemplo, nunca consegui adquirir, nem em segunda mão, uma bicicleta para os meus filhos, embora tivéssemos feito, a minha mulher e eu, sacrifícios inauditos para os educar, sem a ajuda de ninguém.

    Já deixei de ouvir este tipo. E desligo logo a televisão, quando o vejo e ouço, sobretudo na SIC, que parece ter uma câmara sempre às ordens para filmar o mais desinteressante dos movimentos deste tipo. Este tipo é um mentiroso relapso e contumaz: toda a gente sabe e ele também, mas passa adiante. Este tipo disse, agora, que está em campanha, ter como prioridade o equilíbrio social entre os portugueses; mas foi ele que nos aplicou essa miserável doutrina do empobrecimento, mascarada de austeridade.

    Que fizemos para merecer tal provação? Foi este tipo, de olhar gelado, que nos atirou para o desemprego, para a emigração, para o desespero mais incontido, para uma vida sem esperança nem sonho. Foi este tipo que nos roubou os sonhos, não se esqueçam!

    Este tipo que despreza os velhos, que diz coisas imponderáveis, preso ao poder como uma lapa. Este tipo que está a pôr em causa a própria natureza da nacionalidade. Este tipo que, para seguir um nefando projecto capitalista, está a vender a pátria aos bocados e ainda há quem o aplauda. Os estipendiados de todas as profissões, os jornalistas venais, os políticos corruptos.

    Este tipo desavergonhado, que diz que não disse o que disse, e diz o que não faz, com um impudor nunca visto. Este tipo, este tipo.

    Não quero mais este tipo na minha casa, na minha rua, no meu bairro. Não quero este tipo em nada do que me diga respeito. Escorracem este tipo do nosso viver quotidiano. Este tipo.

    1. Porque é que o Batista Bastos impóe a sua vontade aos outros? Que crie uma Comuna com quem concorde com ele.

    1. Ao menos isso, Helena. Cada vez há menos sentido de humor.

      Se levarmos estas coisas todas ( e a nós próprios) demasiado a sério perdemos anos de vida. É preciso não perder a capacidade de nos rirmos de nós mesmos e da nossa sina. Mas, infelizmente, há quem não o entenda assim.

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