Agente: (Atirando a fotografia para cima da mesa com o mesmo nojo com que se pega num rato morto) Mas o que é que vem a ser isto, ó Cartier-Bresson dos batizados de província?
Fotógrafo: (Ajeitando os óculos, ofendido) É a Emmylou, chefe. A essência pura da Hot Band. A magia do palco, a luz, o momento…
Agente: A essência? Qual essência? Isto tem tanto grão que, se eu regar a fotografia, nasce um campo de milho no Ribatejo. E esta iluminação? Que luzes vermelhas e azuis são estas? A mulher está a dar um concerto de country ou foi mandada parar pela brigada de trânsito?
Fotógrafo: É a atmosfera da época! É 1975, é televisão! Repare no sorriso dela, na pose com a Gibson J-200…
Agente: Ah, a Gibson… pois. A única coisa que se vê nesta desgraça. Com esse teu enquadramento parece mesmo que a rapariga está agarrada a um presunto!
Fotógrafo: Mas veja a textura! O cabelo comprido ao vento, e o vestido! O vestido é um pedaço de história! Aquelas riscas azuis e roxas… pertencia à Gail Davis, a atriz que fazia de Annie Oakley!
Agente: (Esfregando a cara com as mãos, à beira de um AVC) Genial. Um autêntico visionário. A rapariga prestes a lançar o Luxury Liner para vender discos, e tu achas brilhante imortalizá-la vestida com o que sobrou do toldo da pastelaria da avó. O vestido não é histórico, ó imbecil, é pré-histórico! A fotografia já é antiga por natureza, mas com essa roupa de defunta e aquela gargantilha azul ela envelheceu três séculos num só clique!
Fotógrafo: É arte! É o auge dela, o Pieces of the Sky…
Agente: Pieces of the shit, é o que isso é. Ouve lá bem, ó génio das cataratas: pega nesta “relíquia”, enterra-a no deserto do Texas e reza para que os gajos da editora sejam invisualis. Agora sai-me da frente antes que eu te faça engolir o flash.
Fotógrafo: (A murmurar para si mesmo enquanto sai) A malta do management não percebe nada de semiótica visual…
Agente: (Gritando para o corredor) E leva o vestido da Annie Oakley contigo, que a mulher está a cheirar a naftalina!
Bolas, que olho (quase) clínico. A guitarra parece uma (mítica) Gibson J-200, mas a Gibson, a pedido dela, fez-lhe uma Gibson L-200, ligeiramente mais pequena.
Peço as minhas mais sinceras desculpas por não ter sacado logo do paquímetro para medir a escala da guitarra através de um ecrã com uma imagem de 1975. Realmente, falhou-me esse detalhe absolutamente vital para a compreensão da história da música e apreciar a aura da Emmylou Harris. Que olho clínico. Que precisão. Que vida social vibrante deves ter para reparar nisso. Pelo teu olho clínico, deves ser de certeza o urologista da acústica, sempre pronto a provar que o instrumento dos outros é ligeiramente mais pequeno do que parece. A Emmylou Harris está de certeza lavada em lágrimas de gratidão por teres finalmente reposto a verdade acústica mundial. Mas agora guarda lá o teu diploma de carpintaria musical, e deixa os adultos olharem para o conteúdo da fotografia em paz, sim? Um abraço e as melhoras.
Porreta, rapaz, o teu ego tem a medida do universo (e não é necessário paquímetro!). Fiz apenas um levíssimo comentário apreciativo sobre o facto de, e ainda que avulte a enorme Emmylou, esse alguém conseguir, ainda, dar nome à guitarra. E limitei-me a apreciar isso e a acrescentar mais um pormenor. Mas não percebi que andarás tão inebriado contigo próprio e com a tua lengalenga que não permites um pequeno reparo ( ou para aproveitar a tua imagem de marcenaria, uma apara). Ó pá, desculpa lá o percalço. É aqui que te largo da trela… (Sim, já tenho idade suficiente para te tratar por rapaz e distinguir um rafeiro.)
Por acaso acho fascinante dizeres que me “largas da trela”. Fazes muito bem, campeão. E como um bom rafeiro que dizes que sou, só te deixo um aviso: agora que me largaste, vê lá onde pisas no caminho de volta para o teu pedestal. É que há por aí muita merda, e tu já mostraste que a trazes toda na cabeça. Um abraço, mestre.
Agente: (Atirando a fotografia para cima da mesa com o mesmo nojo com que se pega num rato morto) Mas o que é que vem a ser isto, ó Cartier-Bresson dos batizados de província?
Fotógrafo: (Ajeitando os óculos, ofendido) É a Emmylou, chefe. A essência pura da Hot Band. A magia do palco, a luz, o momento…
Agente: A essência? Qual essência? Isto tem tanto grão que, se eu regar a fotografia, nasce um campo de milho no Ribatejo. E esta iluminação? Que luzes vermelhas e azuis são estas? A mulher está a dar um concerto de country ou foi mandada parar pela brigada de trânsito?
Fotógrafo: É a atmosfera da época! É 1975, é televisão! Repare no sorriso dela, na pose com a Gibson J-200…
Agente: Ah, a Gibson… pois. A única coisa que se vê nesta desgraça. Com esse teu enquadramento parece mesmo que a rapariga está agarrada a um presunto!
Fotógrafo: Mas veja a textura! O cabelo comprido ao vento, e o vestido! O vestido é um pedaço de história! Aquelas riscas azuis e roxas… pertencia à Gail Davis, a atriz que fazia de Annie Oakley!
Agente: (Esfregando a cara com as mãos, à beira de um AVC) Genial. Um autêntico visionário. A rapariga prestes a lançar o Luxury Liner para vender discos, e tu achas brilhante imortalizá-la vestida com o que sobrou do toldo da pastelaria da avó. O vestido não é histórico, ó imbecil, é pré-histórico! A fotografia já é antiga por natureza, mas com essa roupa de defunta e aquela gargantilha azul ela envelheceu três séculos num só clique!
Fotógrafo: É arte! É o auge dela, o Pieces of the Sky…
Agente: Pieces of the shit, é o que isso é. Ouve lá bem, ó génio das cataratas: pega nesta “relíquia”, enterra-a no deserto do Texas e reza para que os gajos da editora sejam invisualis. Agora sai-me da frente antes que eu te faça engolir o flash.
Fotógrafo: (A murmurar para si mesmo enquanto sai) A malta do management não percebe nada de semiótica visual…
Agente: (Gritando para o corredor) E leva o vestido da Annie Oakley contigo, que a mulher está a cheirar a naftalina!
Bolas, que olho (quase) clínico. A guitarra parece uma (mítica) Gibson J-200, mas a Gibson, a pedido dela, fez-lhe uma Gibson L-200, ligeiramente mais pequena.
Peço as minhas mais sinceras desculpas por não ter sacado logo do paquímetro para medir a escala da guitarra através de um ecrã com uma imagem de 1975. Realmente, falhou-me esse detalhe absolutamente vital para a compreensão da história da música e apreciar a aura da Emmylou Harris.
Que olho clínico. Que precisão. Que vida social vibrante deves ter para reparar nisso.
Pelo teu olho clínico, deves ser de certeza o urologista da acústica, sempre pronto a provar que o instrumento dos outros é ligeiramente mais pequeno do que parece.
A Emmylou Harris está de certeza lavada em lágrimas de gratidão por teres finalmente reposto a verdade acústica mundial.
Mas agora guarda lá o teu diploma de carpintaria musical, e deixa os adultos olharem para o conteúdo da fotografia em paz, sim? Um abraço e as melhoras.
Porreta, rapaz, o teu ego tem a medida do universo (e não é necessário paquímetro!).
Fiz apenas um levíssimo comentário apreciativo sobre o facto de, e ainda que avulte a enorme Emmylou, esse alguém conseguir, ainda, dar nome à guitarra. E limitei-me a apreciar isso e a acrescentar mais um pormenor.
Mas não percebi que andarás tão inebriado contigo próprio e com a tua lengalenga que não permites um pequeno reparo ( ou para aproveitar a tua imagem de marcenaria, uma apara).
Ó pá, desculpa lá o percalço. É aqui que te largo da trela…
(Sim, já tenho idade suficiente para te tratar por rapaz e distinguir um rafeiro.)
Por acaso acho fascinante dizeres que me “largas da trela”. Fazes muito bem, campeão. E como um bom rafeiro que dizes que sou, só te deixo um aviso: agora que me largaste, vê lá onde pisas no caminho de volta para o teu pedestal. É que há por aí muita merda, e tu já mostraste que a trazes toda na cabeça. Um abraço, mestre.
Mas que jovem tão bonita.
Já que estamos no domínio do “Country”, espero que a Cristal Gayle um dia passe por aqui…
JSP
”foi à viola”
Não é um bacalhau da Noruega.