Belles toujours


Pedro Correia,

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Inga Ibsdotter Lilleaas

8 comentários em “Belles toujours”

      1. E que culpa tem a rapariga ser de nacionalidade de um país com sindicatos de meia-tigela que não sabem decretar greves comme il faut ?
        Fosse ela portuga e de branquinha passava num ápice a morenaça, tipo Xena princesa guerreira.
        Votos de excelente fim-de-semana

    1. Quando a beleza feminina é julgada pela bochechina, pouco mais ou mesmo nada há a acrescentar à sustentabilidade progressista do macho tuga.
      É triste e desolador, mas verdade.

  1. Um estúdio de fotografia.

    O Fotógrafo (esfregando os olhos, a olhar para o teclado): “Pronto, a obra-prima está finalizada. Vou só exportar o ficheiro para mandar para a agência. Como é que se escreve o teu nome mesmo? É Inga quê ? I-b-s… d-o-t… isto tem dois T’s? Inga, a sério?”

    Inga (olhando as unhas, desdenhosa): “É ‘Ibsdotter Lilleaas’. I-b-s-d-o-t-t-e-r. L-i-l-l-e-a-a-s. Quantas consoantes duplas precisas para entender que sou da realeza nórdica e não um móvel do IKEA?”

    O Fotógrafo: “E dois L’s e dois A’s seguidos? Quem é que adormeceu em cima de um teclado? Sabes que mais? Vou gravar o ficheiro como ‘Inga_Foto_Noruega.jpeg’. Anda cá ver isto. Vais chorar de emoção.”

    (Inga levanta-se, arrasta os pés até ao monitor de 32 polegadas e fica em silêncio durante dez agonizantes segundos.)

    Inga: “Meu Deus. O que é isto? Foi para isto que estive duas horas na maquilhagem?”

    O Fotógrafo (ofendido): “Isto? Isto, minha cara Ibs-qualquer-coisa, é o expoente máximo da luz difusa! Repara naquela transição gradual sublime entre as áreas claras e escuras no teu rosto.”

    Inga: “Transição gradual? Tu apagaste-me as feições todas do lado direito! Onde é que está o meu maxilar? E o que é que se passa com o meu cabelo?”

    O Fotógrafo (a perder a paciência): “Estás a ser deliberadamente cega para a arte. Olha para os teus olhos! Aquele catchlight nas pupilas? Deu-te uma vivacidade incrível.”

    Inga (suspira, exasperada): “Vivacidade? Há tanta ‘luz difusa’ que a minha estrutura facial oval parece um ovo cozido. E já agora, muito obrigada por aquele grande plano no meu queixo.”

    O Fotógrafo: “O que tem o queixo? O enquadramento é um plano médio curto! É para cortar a meio do peito e focar a atenção na postura!”

    Inga: “Focar na postura? Focaste no meu sinal, estúpido! E repara bem no milagre que fizeste com a profundidade de campo…”

    O Fotógrafo (carregando violentamente no rato): “Sabes que mais, Lille-ass? O problema de fotografar noruegueses é que o vosso coração é mais frio que a paleta de cores desta imagem. A foto está um estrondo.”

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