Belles toujours


Pedro Correia,

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Chiara Ferragni

35 comentários em “Belles toujours”

  1. Que mulher bonita. Quer-se crer que conheço uma alentejana, bem morena de pele e com olhos mais que assim?! Pois conheço. E é linda de morrer.

    1. Eu também não gosto de piercings no mamilo, logo não coloco. Até porque no aeroporto seria complicado, a máquina apitava, e depois tinha de me despir ali…

  2. Mas não é uma mentira?
    Não é o programador-da-reprodução que vos anda a enganar há muito tempo na filogenia?
    E ainda vão nesta cantiga?
    Um robot não é muito melhor?
    Não há diferença de textura de pele. As reações e emoções são as mesmas. Fazem os mesmos ruídos, e dizem o que acharmos melhor. Escolhe-se a estética e o tamanho que se quer. Muda-se o tipo de personalidade e a atitude consoante a nossa vontade. É mais barato. Não tem defeitos de fabrico. Não envelhece. Não necessita de depilação. Não gasta papel higiénico. Dá o mesmo prazer. E assim sucessivamente…
    Então, para que ficar neste estado evolutivo macacóide, a ser enganado por um programador exterior?

      1. Mas essa, a insuflável… não me lê em voz alta, não toca música, não faz as tarefas domésticas, não limpa a casa, não me lava a roupa, não põe a mesa, não me trata das contas, não passeia o cão, não vai às compras, não faz videovigilância, não trabalha por mim, não me leva a passear, não me convida para jantar à luz de velas, não se compadece da minha incompletude, acolhe-me sempre com amizade e com um sorriso desbragado, não põe todos a olhar para a sua mini-saia, e não me serve de guarda-costas contra os macacos humanos mais fortes.

      2. 2016. Zheng Jiajia e Yingying contraíram matrimónio. Zheng (de 31 anos, engenheiro em IA, quadro da multinacional Huawei, e professor na universidade), pressionado para que se casasse, fabricou a sua esposa-robot Yinging. O casamento cumpriu toda a tradição das bodas da cultura chinesa (incluiu banquete, presentes e véu vermelho). Diz, que espera viver com Yinging… “até que a morte dele, ou a bateria dela, os separe”.

        2019. Joey Morris, em Maryland, desde maio 2019 namora com uma Robotroll (inspirada na série “BattleTrollz”). Aparece todos os dias com ela em público. Joey, desde que dura o namoro, luta desesperadamente para que o casamento se faça numa igreja, mas os padres teimam em resistir. Perguntaram-lhe, como se tinha apaixonado. Respondeu, que foi “pelo sorriso e pelo cabelo”.

        2080. Como será?

          1. 1. Mas porque terá que ser uma “concubina”? Não pode ser uma amiga e um amor, como acham o Joey Morris ou o Zheng Jiajia que referi?
            2. Porquê “chinesa”? E não de uma origem maravilhosa inventada por nós?

        1. E nós, mulheres, também vamos ter os nossos robots, que nos farão TUDO na perfeição e ainda por cima nos tratarão da casa de um modo que vocês, homens, jamais seriam capazes.
          E seremos todos/as muito felizes!

          1. Evidentemente, que sim!
            O género deixa de existir.
            O que esta Mudança está a provocar, e daí o teor dos meus comentários, é a actual falácia dos debates sobre o género e o racismo (por causa da cor da pele).
            Esta mudança na concepção do que é o Ser-humano, desmorona a maior parte dos actuais argumentos que sustentam as ideologias de esquerda.
            Logo, o conteúdo curricular da Disciplina Obrigatória “Cidadania e Desenvolvimento”, que “aborda temas como direitos humanos, igualdade de género, interculturalidade, participação cívica, ambiente e sexualidade, entre outros” (Ministério da Educação).

          2. “Esta mudança na concepção do que é o Ser-humano, desmorona a maior parte dos actuais argumentos que sustentam as ideologias de esquerda.”

            Não me parece. É isso que a Esquerda quer a não ser que não tenha entendido o seu argumento.
            O caminho lógico da Esquerda vai levar a que o acto sexual seja um acto de agressão, a penetração um acto de supremacismo. É só uma questão de tempo.
            A Esquerda Marxista quis sempre o Homem Novo. Que as crianças sejam uma tábua rasa de onde se pode construir do zero. O que eles querem fazer nelas também é pouco mais que zero, é apenas reflexo do desejo de poder sobre os outros que é tudo o que os faz mover.
            Implica claro a anulação das capacidades com que as crianças nascem. Temos os belos exemplos dos Ministérios da Educação por quase todo o mundo que fazem os possíveis para anular as capacidades das crianças.

          3. 1. A acção política esquerdista tem-se servido da disciplina “Desenvolvimento e Cidadania” para pregar a sua ideologia aos jovens. Sem contraditório nem escrutínio democrático. Os recentes casos postos em tribunal por pais de alunos são o indicador de uma revolta em crescendo.
            2. Esse acto anti-democrático da Esquerda coarta a liberdade de escolha e de opinião. É um uso abusivo do Estado.
            3. Mas é necessário argumentar junto aos alicerces do problema.
            4. O corpo anatómico que nos tem servido de suporte irá sendo gradualmente substituído. Basta consultar as dezenas de empresas que já hoje laboram, semelhantes à “ReAnima-Bioquark” de Filadélfia. Não se trata de dezenas de engenheiros e cientistas, são já milhares a trabalhar nisso. A repercussão na riqueza e no poder dos Países será enorme.
            6. Logo, o que se desmorona é uma ideologia que baseia a discussão do género, da reprodução, do racismo, mão-de-obra, e das relações humanas em termos de um corpo que vai desaparecer. A tal “Cidadania e Desenvolvimento” já não se discutem nem ensinam como a Esquerda faz.
            7. Quem souber liderar ideologicamente esta mudança técnica, económica e social irá ganhar o poder nas próximas décadas.
            8. É esse debate que tento provocar.

        2. SAP2ii a 26.02.2021 às 15:41
          Para mim não dava.
          Gosto, sempre gostei e gostarei de uma mulher que me saiba dizer NÃO!
          Que também se pode interpretar por sentimentos e personalidade.

          1. E não se pode também pôr isso no algoritmo?
            Ou dito de outro modo, esse critério de preferência não continua a ser a nossa recusa em nos transformarmos?
            De recusarmos o Ser que Há-de Vir?

          2. Não é uma questão de recusa numa transformação, aceite-a quem quiser e seja muito feliz. Trata-se de uma habituação a uma conduta de vida que me apraz sobremaneira. Ser eu a decidir e conduzir o fado do meu destino.
            Feitios; como dizia o saudoso Solnado.
            Por isso e não recusando para os outros, para mim repudio-a veementemente.
            Talvez me compreenda melhor se lhe confidenciar o meu sentido de vida, que é.
            Vive, deixa viver quem quer e morrer quem quiser.

      1. Carlos Sousa,
        1. Mas fui eu que casei, ou namoro, com essas Robots?
        2. Não foi Brecht que disse: “Je suis un Outre”?
        3. Foi Helmuth Plessner (1928), não fui eu, que disse: «A nossa auto-compreensão racional pode ser formalizada através da ideia do humano como um ser geralmente inseparável de um papel social, mas não definido por um papel particular. O actor do papel ou o portador da figura social não é identificável com aquela figura, mas não pode ser concebido separadamente dela sem perder a sua humanidade. (…). Somente através do outro de si mesmo se pode ter o si mesmo. Com esta estrutura do duplo que liga o portador do papel à figura do papel acreditamos que encontrámos uma constante (…). A estrutura do duplo (Doppelgänger) torna possível toda a auto-compreensão, mas de modo nenhum deve ser posta uma metade contra a outra no sentido em que é «melhor por natureza» [1928, Die Stufen des Organischen und der Mensch. Einleitung in die philosophische Anthropologie, Berlin / Leipzig]
        4. Não fui eu, foi W.Iser (1990) que disse: “Mas o Diferente (…) só existe em mim como sujeito diferente, isto é, só pode surgir em mim pela minha própria experiência de mim como Outro. (…) a minha interpretação só pode surgir pela revelação do meu discurso como discurso do outro que em mim coabita com o Eu que se reconhece no mesmo institucional. (…) Torna-se necessário reconhecer a dualidade, de modo a encarar sem preconceitos a natureza diferencial do sujeito crítico e, consequentemente, do discurso que a partir dele se oferece pela plausibilidade da interpretação. A estrutura do Doppelgänger, tal como foi teorizada pelo antropólogo social Helmuth Plessner”.
        5. Não é Sarah Kember (2014) que diz: “Ethics is figured as a process of becoming-with constitutive others”?
        7. Se adoptarmos a tese de Dilthey, de que a “reality only exists for us in facts of consciousness given by inner experience” (1883), então, o Outro não é sempre dado pelo Si Mesmo de Plessner?
        8. Assim sendo, a pergunta que se pode fazer é a seguinte: «A quem nos pretendemos ligar com o Desejo do Outro de Lacan? A nós mesmos? Ou a algo exterior? Quem é o «quem» de Lacan no Desejo? O Mesmo ou o Outro?
        9. Sugiro quatro leituras, essenciais para se compreender esta mudança:
        9.1. Roland FISCHER, 1971, “Cartography of the Ecstatic and Meditative States”, Science 174 (Nov.26), p.898 [897-904]).
        9.2. Ernst MAYR, 2001, “What Evolution Is”. New York: Basic Books.
        9.3. Thomas WYNN, Frederick COOLIDGE, 2010, “Beyond Symbolism and Language: An Introduction to Supplement 1, Working Memory”, in Current Anthropology, vol. 51, Sup. 1, June 2010, “Working Memory: Beyond Language and Symbolism”.
        9.4. Emma L. Backe, et alli, 2018, ““Toying with Our Teleologies: Reflections on What SF Can Do for Anthropology”.
        10. Aqui, «Anonimus» às 17:59, referiu-se às gynoids “Cherry 2000” (interpretada por Palmela Gidley, no filme de Steve De Jarnatt) e a “Pris Stratton” (em Blade Runner). Sabe quantas dezenas de gynoids existem hoje?

        Carlos Sousa, portanto, não se trata de mim ou de si.
        É muito mais do que isso.

        1. Tem razão é muito mais que isso, experimente desfragmentar o disco rígido ou substituir a memória RAM, vai melhorar de certeza. Não mexa na Bios para não queimar o processador.

          1. Anónimo a 27.02.2021 às 11:56

            Ovelha deveras proveitosa.
            Mas esclareçamos o fenómeno comme il faut.
            Fazia tudo, … ou faziam-na fazer?

      2. O SAP2ii não é um robot!
        O SAP2ii é um vírus e já tomou conta do blog.
        Alguém traga uma vacina por favor!

        Abaixo o SAP2ii!
        PIM!

    1. SAP2ii a 26.02.2021 às 14:01
      Que maravilha. A essa nunca dói a cabeça.
      Nem tão-pouco há a necessidade de mentir que era só uma grande amiga que já não se via há muito tempo.
      E para completar a plenitude da felicidade, também não deve ficar muito dispendiosa na alimentação.

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