“Quantidade moderada de café pode prevenir a obstrução das artérias, defende estudo realizado por cientistas sul-coreanos com mais de 25 mil homens e mulheres.
O consumo de três ou quatro cafés por dia poderá reduzir o risco de enfarte por obstrução arterial, segundo um estudo realizado por cientistas sul-coreanos publicado hoje na revista especializada britânica Heart.
A equipa de cientistas, do Hospital Kangbuk Samsung, em Seul, concluiu que uma quantidade moderada de café reduz a presença de cálcio nas artérias coronárias, um elemento considerado responsável pela aterosclerose.
Os cientistas disseram que, no entanto, serão necessárias mais investigações para confirmar este estudo e determinar a explicação biológica dos supostos efeitos do café para prevenir a obstrução das artérias.
A investigação foi realizada com base numa amostra de mais de 25 mil homens e mulheres sul-coreanos com idade média de 21 anos e sem sintomas de doenças cardiovasculares.
A aterosclerose, que consiste na acumulação de lipídeos na parede vascular, pode causar o estreitamento e endurecimento das artérias, formando perigosos coágulos de sangue capazes, em última instância, de desencadear um derrame cerebral ou enfarte.”

O meu cepticismo face a estudos que volta e meia aparecem e que volta e meia contradizem outros estudos é extremamente elevado…
Normalmente, são apenas “estudos estatísticos” mas, quanto a provar algo inequivocamente, nicles.
Repare-se, por exemplo, nesta notícia de Maio de 2014:
Depois de analisarem a saúde de 800 habitantes de Chianti, especialistas concluíram que não há provas do que se pensava ser verdade: que o consumo moderado de vinho tinto tem benefícios para a saúde, nomeadamente cardiovasculares.
Vários estudos têm demonstrado que o consumo de vinho tinto, mas também de chocolate negro e frutos vermelhos contribua para a diminuição de inflamações. Pensava-se que tal situação seria por um elemento em particular, o resveratrol, uma propriedade habitualmente encontrada em uvas e o vinho. Mas também sobre isto não parece haver qualquer prova.
A ‘boa notícia’ para os apreciadores do ocasional copo de tinto à refeição, é que a BBC refere que os especialistas consideram que é essencial fazer-se mais estudos.
Atenção: ao que nós chamamos “um café”, em Portugal, normalmente, não corresponde ao mesmo, no estrangeiro. Por isso, resta saber se, com os três ou quatro cafés por dia, os sul-coreanos se referem ao café “espresso”, o concentrado, que, hoje em dia, também se pode tirar das cápsulas. A minha experiência diz-me que, quando se fala num café, no estrangeiro, é referido o café de saco, mais suave, servido, normalmente, numa chávena quase almoçadeira.
Pois, deve ser isso.
Eu também me estava a parecer, 3 ou 4 cafés por dia é a modos que uma quantidade brutal.
Seria melhor apresentarem os resultados do estudo em termos do(s) ingrediente(s) ativo(s) do café.
E também há que ter em conta que nem toda a gente reage da mesma maneira ao café. Está provado, em estudos que se fizeram ao cérebro. Há determinados receptores da cafeína que se mantêm neutros, numas pessoas, enquanto noutras reagem com muita sensibilidade. E assim se explica porque é que algumas pessoas podem beber café antes de se deitarem e dormem como uns santinhos, enquanto a outras basta beber um café de tarde para se porem a dar voltas na cama. Não é uma questão psicológica, é mesmo orgânica.
Três ou quatro cafés por dia é uma quantidade “moderada”?! A mim isso parece-me ser uma brutalidade!!!
(Não bebo café. Os meus pais, que gostavam disso, bebiam duas chávenas por dia – o pai – ou uma – a mãe. Nunca lhes passou pela cabeça beber mais do que isso.)