À falta de testosterona, quando vejo um belo par de pernas femininas sou atraída não pelo desejo, mas pelo impulso atávico de as avaliar (Beauvoir tinha razão até certo ponto: neste como noutros aspectos, não nascemos assim, mas fazem-nos assim, desde a mais tenra idade).
No caso, como as ditas não eram de carne e osso mas de papel, permitiram-me imaginar, desdenhosa, quanta daquela perfeição que se via no cartaz da montra da farmácia se devia a trabalho de photoshop.
Ao lado, lia-se: o primeiro cuidado lifting inspirado no laser infravermelho de remodelação à base de turmalina. Alguém sabe o que é um laser infravermelho de remodelação à base de turmalina? É evidente que não, mas ninguém, a começar por quem concebeu o texto, está preocupado com isso.
Antes a cosmética adulava-nos com eufemismos incompreensíveis, agora os publicitários que se ocupam das campanhas para a dermo-estética atiram-nos com um impenetrável fraseado pseudo-científico, só para não pensarmos que a relação qualidade-preço da banha da cobra que nos estão a impingir não compensa.
Em destaque, logo abaixo da marca, aquele produto anti-celulite era identificado como uma “mousse crocante”. Mousse aplica-se, com propriedade, à textura de muita coisa, incluindo cremes de barbear, protectores solares e até substâncias usadas em bricolage. Mas… crocante? Crocante só pode ser o qualificativo de um produto alimentar.
A falta de subtileza do sub-texto, que associa pernas a uma sobremesa, e a certeza de que apostaram milhões na eficácia desta campanha que, note-se, visa conquistar as mulheres, irritaram-me solenemente. E se fossem chamar oferecidas às vovozinhas deles?


Cara Teresa
O que eu sei é que as mulheres estão a enlouquecer com a história da estética e da falsa beleza. O seu postal é de grande interesse para que as mulheres parem um pouco para pensar.
Este comentário tem uma razão, relacionada com o que escreveu. Um amigo meu, engenheiro mecânico alemão, especialista em maquinaria laser, informou-me que na maior parte das “clínicas” de estética e depilação existentes em Portugal, comete-se um crime constante. Os aparelhos não têm qualquer manutenção e inspecção. As operadoras não têm qualquer experiência técnica. Os aparelhos ao fim de certo tempo necessitam de uma verificação técnica no sentido de se confirmar se os parâmetros automatizados para a actividade se mantêm ou se foram alterados. Na grande parte das aparelhagens as anomalias são uma realidade a necessitar de assistência técnica e de ajustamentos, incluindo no sistema computarizado.
Como essa assistência não se verifica, como forma de poupar dinheiro para a ganância do lucro rápido, as mulheres que se sujeitam a solários, massagens e depilação têm sido alvo fácil de graves mazelas no corpo. Recentemente uma senhora que conheço, após uma depilação nas pernas ficou gravemente queimada em consequência do aparelho não estar em condições técnicas, e teve de ser alvo de uma intervenção cirúrgica plástica.
Fica o alerta para quem ainda acreditar que as “bruxas” existem…
Cruzes, João. Registo o aviso.
“laser infravermelho de remodelação à base de turmalina”?
Hmmm, cheira-me a algo crocante… para a turma da lina.
:)))
“As milhares” e “o seu auto-estima” é que…
Como diz que disse?
Bah, eu acho que essas pernas estão cheias de el casei immunitas temperadas com oxy action, para disfarçar a turmalina e o tom infravermelho. E também há uma camadinha ultravioleta, que é a cor da moda. O aspecto crocante é do papel, não te deixes impressionar.
🙂
Falaste em papel crocante? Desse gosto. Quanto mais melhor, para depois poder gastá-lo nestas mistelas, enfim…
“Aspecto crocante” já as “minhas” vão tendo e lá por isso não estou nada impressionada…:))
Ou será “aspecto de casca de laranja”?
(mousse crocante e farripas de casca de laranja é a receita perfeita)
Perfeita, não sei, Ema. Mas aquela que eu vi na montra é estupidamente cara. E eu detesto que me assaltem o bom senso com falinhas mansas.
Concordo consigo, Teresa. Quanto à “receita perfeita” foi uma brincadeira, um devaneio culinário. :))
Culinário, ou mesmo gastronómico 😉
A publicidade não tem limites; umas pernas bonitas, umas palavras ‘caras’, um bom trabalho fotográfico e até há mulheres que se deixam levar neste(s) ‘conto do vigário’.
Espero que a ‘mousse crocante’ tenha a cotação do ouro.
O meu gato não gosta da comida húmida ‘mousse’ gosta mais da ‘terrine’, já o meu cão gosta mais de ‘paté’.
Ambos gostam da comida seca bem crocante.
Hehehe.
Esses fregueses não se deixam enganar, Virgínia 🙂
Turmalina é uma estimada comentadora do outro lado do Atlântico que nos frequenta. E mais nada.
Bem sei, bem sei. Dessa Turmalina eu gosto 🙂