O sr. Silva candidata-se como cabeça-de-lista de um partido a um cargo relevante, numa eleição geral. Vence as eleições, deixando o segundo classificado a 5%. Três meses depois, o seu partido perde uma eleição nacional, sem que o sr. Silva tivesse sido cabeça-de-lista ou sequer candidato em qualquer lista.
A qual destes resultados eleitorais está inextricavelmente ligado o sr. Silva?

Por falar em balanços…
Ninguém “façerá” aqui um balanço sobre o tristérrimo episódio de distribuição de camisolas e… pasme-se, resmas de fotocópias (será que foi ao mesmo sítio do quiosque da Marinha Grande?), ontem na “Comichão de Ética”?
Ou isso não interessa para nada?
O sr. Silva está «inextricavelmente ligado» ao partido que integra, não sendo um mero “militante-base”.
O sr. Silva foi secretário de estado do governo do sr. Lopes.
O sr. Silva foi deputado durante as lideranças do sr. Mendes e do sr. Meneses.
O sr. Silva exerceu, com a confiança e solidário com a comissão política nacional, o cargo de presidente do grupo parlamentar, órgão desse partido, desde que a sra. Leite foi eleita líder do partido.
Com a divisões pelo meio, a palavra final para a escolha do cabeça-de-lista à Europa foi da sra. Leite, eleições que o partido venceu, com o contributo do sr. Silva.
A sra. Leite perdeu as legislativas, sendo o sr. Silva um já muito destacado, leal e grato apoiante dela.
O mesmo aconteceu nas autárquicas, em que a sra. Leite, não obstante a queda em votos e mandatos, viu o partido continuar a deter a presidência da ANMP, reclamando vitória.
Entretanto, o sr. Silva, coerente, defendeu sempre a manutenção da sra. Leite no cargo.
O sr. Silva, a certa altura, declarou peremptoriamente que não sairia do PE, por ter assumido esse fresco compromisso com o eleitorado, pondo-se de fora de uma eventual corrida à liderança, adiantando o nome de um candidato, o sr. Sousa.
O sr. Silva é agora candidato à liderança do partido.
O sr. Silva, nas entrelinhas, é agora acusado por vários companheiros, da parte do sr. Aguiar, de não ter feito o que “estava combinado”, isto é, encontrarem, todos, por junto, uma solução alternativa ao sr. Coelho.
Corre nos mentideros que o sr. Silva é o preferido não só da sra. Leite, como do sr. Barroso, para não falarmos do sr. Pereira, da Marmeleira.
O sr. Silva, acumula vitórias e derrotas, e não pode deixar de assumir umas e outras, em nome do partido que quer liderar.
A quem é que o sr. Silva está «inextricavelmente ligado»?
À situação do seu partido, e aos seus companheiros.
Conclusão;
Paulo Rangel é do melhor que apareceu nos últimos tempos na política, tem talento, inspira credibilidade e começa a ganhar carisma. Disso, não há dúvida.
Mas quem quiser atestar baseado na vitória do partido nas europeias, em que foi cabeça-de-lista, em vez de o elevar, diminui.
O que passou, passou. E o maior trunfo de Paulo Rangel, relativamente ao passado, é não ter resmas de “histórias”, ao invés dos outros dois candidatos.
Ainda assim, fiquem a saber os apoiantes de Rangel que, por curta que seja a gaveta, remexer muito no arquivo, pode ser contraproducente.
Digo eu…
Agradeço o comentário, que tem muitas notas úteis sobre os méritos e deméritos de Paulo Rangel. Eu quis apenas sublinhar a ilógica de um dos argumentos anti-Rangel: que o seu nome estaria indelevelmente ligado à derrota de 28/09, em detrimento da sua vitória pessoal nas europeias. Abraço!
Caro João Gomes André,
Registo e não tem que agradecer. Tenho todo o gosto em ir acompanhando os posts do DE.
Só quis sublinhar, sem beliscar (que fique claro), a “ilógica” de defender Paulo Rangel por essa via.
Não é que seja um erro crasso, mas acho que quem quer apoiar o candidato tem argumentos melhores.
Quem o diz é quem não o apoia, assim como a nenhum dos outros e, por isso, há-de estar numa posição mais confortável, se dermos por adquirido que o distanciamento ajuda a lucidez.
Cordiais cumprimentos,
Está inextricavelmente (uau!) ligado à mulher do Senhor Silva: há sempre uma grande Senhora Silva atrás de um grande Senhor Silva.
Eu sabia que tu ias gostar do inextricavelmente, João 🙂
Não gozes. Hehe…
Olha que tens o rei dos ‘gangsters’ por cima…
Não tenho sorte, ninguém pega….
Não gosto nem deste, nem do outro Sr. Silva.
Um é um “génio” que já não “façerá” diferença nenhuma em nada que diga.
Este, fazem dele um génio e a diferença está no que possa dizer num dia e aquilo que contraditoriamente dirá noutro.
Por isso me espanta (ou talvez não) que com tantos atributos e competências, nas sondagens esteja em ultimo dos três candidatos à liderança do partido e a larga distância do segundo.
Resta saber se a estrondosa popularidade se deve ao facto da sua enorme coerência ou se ao apoio da ainda líder.