(Dinheiro Vivo/Lusa)
5. Recuperar o ânimo depois do resultado do camarada Edgar Silva não é tarefa fácil. Recuperar a confiança das suas hostes nos benefícios do acordo com o PS afigura-se porventura menos complicado. Mas que fazer com menos de 4% numas eleições presidenciais? Como justificar a contribuição do PCP na eleição logo à primeira volta de um “Presidente de direita”? Alternativa não há, pelo que o melhor é aguentar antes que venha outro às ordens da troika. Conhecendo-se o PCP, a sua herança, o seu passado histórico de resistência à ditadura, à partida tudo parece possível. De vez em quando engolem-se uns sapos mantendo-se a compostura. Só que hoje os tempos são outros e engolir sapos pode não ser suficiente. O BE é um perigo sempre presente e o PS não irá dar tréguas ao PCP nas primeiras trovoadas, apesar de estarem todos disponíveis para cumprirem, sem grande espalhafato, o que ficou acordado. O chumbo do PEC IV foi na altura um mal menor, mas feitas as contas acabou por sair demasiado caro aos trabalhadores. Antigamente, na URSS, havia os planos quinquenais e eles sabiam qual a penúria com que podiam contar. Desta vez foram anos de penúria sem planificação, ao sabor da troika e dos patrões. O eleitorado do PCP, entretanto, mudou. Escaldou-se. Os tempos também mudaram. As preocupações dos que envelheceram não são iguais às de outrora. Se antes o objectivo era conseguir mais, agora é não perder ainda mais e tentar manter o pouco que se aguentou na rua. O milagre da multiplicação dos votos não aconteceu, não se sabe se algum dia será possível, e se não for a Festa do Avante a malta nunca se encontra. A solução de apoio parlamentar ao Governo do PS é para valer até ao momento em que os ganhos sejam inferiores aos proveitos. Por enquanto, os sindicatos vão-se acomodando e contentam-se em mostrar que existem, mas quando perceberem que a médio prazo também os seus ganhos serão limitados porque o dinheiro não é elástico, então vão querer descalçar a bota do pé direito, a bota que o PS lhes pediu para calçarem, e voltarão à rua. Haja saúde. Nesse dia, os sindicatos regressarão com o estilo de sempre, com os mesmo rostos e predispostos ao risco. E o PCP estará de novo na encruzilhada, mudando de cor, quem sabe se forjando outras alianças. Até lá, é aguardar e ir preparando as autárquicas. Estas coisas levam o seu tempo e o melhor é ser pragmático antes que o PS e BE dêem cabo do que ainda resta do velho PCP.


Um partido a quem importa, mais do que o resultado das lutas dos trabalhadores, que as lutas lhe alimentem o poder, merece todo o mal que lhe advenha.
Compreenda, SAC, o que escrevo.
As teorias originais da esquerda, face às realidades da época em que surgiram, diziam que a alteração social passava através de uma revolução efectiva suportada em particular, e consoante a realidade de cada país, pelo movimento operário ou pelos campesinos (caso da China).
A Ocidente o muro de ferro, ou o equilíbrio do terror, que tinha sido constituído em (con)sequência da II Guerra mundial, obrigou, em especial na Alemanha, que se constituía como a linha da frente, mas também nos países próximos do Báltico, Suécia, Dinamarca e Noruega, a uma concerto social que antes da referida ocorrência não existia.
Estes modelos foram sendo paulatinamente introduzidos em todos os países do ocidente.
A queda do muro trouxe-nos a evidência da cobiça que jazia como morta, mas não efectiva, nos grandes grupos económicos e financeiros que a Europa, e o mundo, do pós-guerra, com a ajuda dos planos americanos, edificou, nem sempre de forma transparente e aceitável sob o ponto de vista ético e moral.
Todavia, tal como a oriente, crescem os cidadãos que cada vez mais vão tendo acesso à cultura e à educação. Este crescimento, associado ao conhecimento que se propaga através da era da mecatrónica, que emerge precisamente com a queda do muro, revela-nos que esses valores que subjazem no espírito da esquerda tendem a aperfeiçoar-se e, empurrados por estes cidadãos, já não tendem a basear sua acção conforme os cânones tradicionais.
Pretendo com isto dizer que a conquista do poder faz-se hoje através do voto, e é através desta acção que assistiremos ao reimplantar da nova corrente social, com base de esquerda, na Europa e até mesmo nos países latino-americanos e também nos EUA. Nestes últimos verificar-se-á cada vez mais a introdução do princípio cristão, eu disse cristão e não religioso, que já vai contagiando a Europa e os EUA.
Já ninguém te lê:| ahah
Eu percebo, que apesar de fingir que é mais rápido que a sua sombra, e mesmo metamorfoseando-se, você vai demonstrando alguns laivos de consciência ao admitir que é um zé-ninguém e que me lê. Aproveite enquanto dura. A caridade é para os ricos que (re)conhecem sua própria realidade. Os pobres dela não precisam, possuem-na.
Tenho saudades é das birrinhas sobre o comentário da semana ahahaha
Parabéns!! É o comentador n.1000 , a declarar a morte do PCP, desde as eleições….presidenciais. Pode passar na Soeiro Pereira Gomes, e levantar a sua EP para a Festa do Avante! Não precisa de ter pressa, muitos anos depois de o caro amigo se finar, ainda o PCP cá andará, pelo que o prémio poderá reverter para os seus descendentes.
Sem dúvida. O PC não consegue soltar-se das amarras da cassete. Pura e simplesmente não consegue. Continuará a perder votos afirmando a sua irredutibilidade, cada vez mais orgulhosamente sós, até desaparecer. Tive esperança na vaga jovem iniciada com o Bernardino, esperança matadinha da silva pelas palavras da Rita Rato no primeiro comentário aos últimos resultados eleitorais. Não há pachorra. Quando é que acordam?
Esperança num a ideologia que quer controlar pelo Estado,Governo tantos aspectos da vida humana quase ao nível de uma Sharia?