Balanço de Inverno (1)


Sérgio de Almeida Correia,

ng2682413.jpg

 (Global Imagens/Arquivo)

Passados os dias conturbados de 2015, feitos de promessas sem amanhã, e arrumada a casa por uns tempos após a chicana eleitoral e o circo das presidenciais, o país prepara-se para voltar a confrontar-se com os problemas de sempre. O combate ao desemprego, o crescimento económico, as políticas de educação, saúde e segurança social, o combate ao défice, o aumento da produtividade, a melhoria dos salários, as inadiáveis reformas da administração pública, a que ultimamente se acrescentam as novas preocupações com os direitos humanos, a crise dos refugiados e as epidemias que se espalham à velocidade da luz, estão para durar. Enquanto isso, os partidos preparam-se para enfrentar os tempos que se avizinham, alguns para se reposicionarem e trabalharem o futuro, purificando-se para melhor se aguentarem na mudança de estação.

1. O CDS/PP caminha para o seu congresso. Vai ser um congresso diferente, primaveril, não só porque marcará a despedida (até ver irrevogável) de Paulo Portas, mas em especial porque assinalará a chegada de mais uma mulher à liderança de um dos partidos com assento parlamentar. A chegada de Assunção Cristas à liderança do CDS/PP, à semelhança do que aconteceu com o Bloco de Esquerda, será um dos motivos de atracção para o acompanhamento da vida política. O dinamismo de Catarina Martins e de outras dirigentes do BE, como Marisa Matias e a incansável Mariana Mortágua, vai ser agora replicado à direita. Pessoalmente, creio que o país só tem a ganhar com a presença de mais uma mulher qualificada na política. Cristas é uma mulher com excelente formação académica, senhora das suas ideias, com uma invejável capacidade de comunicação e argumentação e que, tal como as dirigentes do BE, não padece dos defeitos de formação política numa jota, sendo certo que pelas suas características pessoais e índole humanista dispensa a elevada dose de cinismo, tacticismo e oportunismo que caracterizou algumas lideranças masculinas. E não me refiro só ao CDS/PP. Se Cristas quiser poderá mesmo renovar o discurso à direita, dar-lhe uma marca ideológica e identitária própria, que aquela há muito perdeu, e, com uma maior ou menor dose de populismo, conquistar terreno no campo desertificado e improdutivo em que actualmente se posiciona politicamente o PSD. Se há alguém em quem qualquer português confia é numa mulher simpática, com ideias claras, com uma figura desempoeirada e tranquila, que além de criar os filhos e dar ordens em casa consegue ter uma carreira académica e profissional de mérito. Se a isso for capaz de juntar a capacidade de liderança de um partido que representa uma fatia considerável de eleitores, poderão ser muitos os que desconfiem, mas creio que serão mais os forcados e marialvas que, às escondidas, estarão dispostos a apoiá-la e incentivá-la. Os outros que se cuidem.

0 comentários em “Balanço de Inverno (1)”

  1. tal como as dirigentes do BE, não padece dos defeitos de formação política numa jota

    Há quanto tempo é que as dirigentes do BE nele militam? Provavelmente, não há pouco. Também devem ter um longo historial de formação política.

    1. De facto! Acho uma graça a história das Jotas, são sempre sempre associadas à direita. Jotas todos os partidos as têm (JS, JC, JP, JSD), o caso do BE é diferente, eles são uma imensa Jota do mais novo ao mais velho. Não há paciência para entradotes com a mania que são jovens e jovens com a mania que são entradotes armados ao intelectualoide.
      O percursos de todos são sempre os mesmos, nas escolas (seguido das universidades) tomam de assalto as associações académicas, junto com isso devotam grande parte da sua vida activa entre “causas” e reuniões, plataformas, assembleias e outras coisas a fingir que são sérias. Não é preciso ser presidente de uma jota para se ser jota.

  2. além de criar os filhos e dar ordens em casa

    Que sabe o Sérgio sobre a criação dos filhos e a ordem doméstica da sra. Cristas? Quem lhe diz que ela não delega a criação dos filhos numa ou mais nanás brasileiras ou ucranianas? Quem lhe diz que lá em casa não é o marido quem dá tirânicas ordens?

      1. A sra. Cristas tem interesse, evidentemente, em criar da sua família a imagem polida que o Sérgio vê. Aquilo que ela conta nas entrevistas pode não ser verdade. Há muitas pessoas que mentem sobre diversos aspetos da sua vida privada com o objetivo de criarem de si uma imagem boa ou impressionante.
        Eu acredito que o marido da Assunção ajude. Agora, duvido muito que ela não tenha uma ou mais nanás para lhe cuidar dos filhos. Conheço mulheres dessa classe social que mal põem a vista nos filhos durante os dias úteis, deixando-os todo o tempo ao cuidado das nanás.

        1. Ó Lavoura, conheces ‘mulheres dessa classe social’?
          E sabes a diferença entre uma naná e uma ama?

          Não sei se esses estudos te ficam bem…

  3. Hoje estou com tempo e pouco assunto.
    Vou fazer a exegese escatológica do texto.
    No 1º parágrafo, só os refugiados e talvez as epidemias são novidade. Tudo o resto sempre assim foi… ou não?!
    O 2º parágrafo, muito longo, muito denso e muito feminino parágrafo, surpreende-me e agrada-me. Pintar o cenário, tradicionalmente cinzentão, de rosa-choque alegra os olhos e aquece o coração.
    O drama prosseguirá inalterado, mas o cenário e os bastidores terão outra animação.
    Que bom!

  4. Mais uma socialista, mais uma estatista, mais um desastre.

    Talvez consiga ocupar o espaço que o PS está a abandonar.

  5. De visita a Hong Kong, jovem – tinham aparecido os primeiros iPods – entrei em uma daquelas inúmeras lojas em Kowloon ( Nathan Road , não longe de Jordan ST , se não falha a memória….) de tralha electrónica que exibia uma serie de caixinhas do desejado Gadget ” na montra.
    Perante a minha solicitação, responderam-me que tinham esgotado o stock de iPods ‘ naquela loja, mas se esperasse uns 15 minutos, um dos empregados iria a outra loja da mesma firma buscar um para mim!
    Ahimé!, jovem e inconsciente, acedi. Convidaram-me então a sentar e logo desataram a querer vender-me uma serie de outra tralha de pseudo-electrónica – câmaras fotográficas para espiões, leitores de DVD portatil , eu sei lá. Uma oferta especialmente hilariante foi quando tentaram convencer-me da utilidade de um aparato para aparentemente,’ cortar penugens interiores das narinas’ – notando eu para mim mesmo, e bastante divertido, as minhas imberbes narinas, declinei a oferta ao que o insistente chinês retorquiu… ” it may be useful for girlfriend too”….

    Porquê o prólogo anterior? – porque acho que este post ‘ pôs na montra a Sra. D. Cristas para ver se consegue atrelar o impingir de um outro aparato narrativo, para esteticizar ou maquilhar muito desajustado trombil ” deste pifio “tempo novo” do xuxa Costa e camaradas….”and it may be useful for girlfriend(s) too”

  6. Pandora quando foi criada por Zeus só possuía um defeito, a curiosidade. E o Jarro de Pandora, ao ser aberto, libertou muita coisa, menos a esperança.

    Espero, sinceramente, que a versão de sua reflexão não contrarie o fogo (a Luz)de Prometeu, que foi oferta para o mundo humano. Sim, porque o esquema divino da anterior coligação visava impedir que os comuns mortais se elevassem ao estatuto desses deuses, ou dos Zeus.

  7. Se a Cristas tiver o bom senso de ser o que parece ser,
    sem ter medo de enunciar valores de direita,
    sem hesitar em denunciar a língua de pau da esquerdalhada,
    terá futuro na Política.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *