Batem forte, fortemente,
Nesta invernia sem fim.
É mais chuva, certamente,
E mais vento, e frio silente,
Que gente não bate assim.
Quem bate assim, cegamente,
Com tão estranha malvadeza,
Que bem se ouve, bem se sente?
Além do tempo inclemente,
É o Gaspar, com certeza.
Que quem é mais gastador
Sofra tormentos, enfim.
Mas aos portugueses, Senhor,
Porque lhes dais tanta dor?
Porque padecem assim?
(Augusto Gil revisitado, versão 2013)

A seguir ao “Março, tarde verão”, entrei no modo joga…
Vá tem forte, forte mente,
Nesta infernia sem fim.
É mais juba, certa mente,
E mais vem tu, e feriu sim lento,
Que gene te não bate assim.
Quem bate assim, cega mente,
Contam és trama, mal vá, dessa
Que bem se ouve, bem se sente?
Além do tempo em clemente,
É o Cá-espero, com ser tesa.
Que quem é mais, gasta dor,
Sofre a dor mentes, em fim.
Mas aos por tu gaienses, Senhor,
Por que lhes dais, tentador?
Porque pá, dessem assim!
E mais forte irão bater
neste povo adormecido.
Impostos serão a doer
Porque o país está falido,
Com meio povo a morrer,
E o outro meio, combalido
Batem com tanto desdem,
E sem ponta de dignidade,
Naqueles que somente têm,
coisa nenhuma e fragilidade,
disfarçada pelo que alguém.
lhes oferece, por caridade.
E mais forte irão… vá ter
neste povo, a dor mexido.
Em postos, serão a doer
Porque o país está valido,
Com meio povo amo morrer,
E o outro meio, convido.
Vá, tem com tanto desdém,
E sem ponta de digna idade,
Naqueles que só mente têm,
Coisa nem uma, e frágil idade.
Diz farsada, pelo que alguém,
lhes oferece, por cara, a idade.
… e depois digam-me que a língua portuguesa não é o que é. Boa malha, Bartolomeu.
Pot e comentário ex celentes!
🙂
Lindo:)
🙂
Da Maia e Bartolomeu, nada como despertar a veia poética dos portugueses! Obrigada pelas vossas versões. Belos trocadilhos, Da Maia.
Cara Ana,
só parcialmente me pode imputar responsabilidade na releitura do poema, a maior parte é oferta directa da língua portuguesa, com alguma pronúncia do norte.
O que me pareceu mais notável, neste caso, é que ao lamento do poema se associava lá mente diferente, ao jeito de resposta às interrogações.
Um abraço,
da Maia