Tudo pode ser dito baixinho. Se pensares bem até os gestos têm um som e este pode ser baixinho.
A mãe nunca aprovara, mas agora pouco importa, nunca foi capaz de fazer nada baixinho, de dizer ou pensar e não seria, decerto, agora que iria começar nessa árdua tarefa de não perturbar o mundo, de ser como os demais.
As pessoas.
Dizia a mãe. E ela que sim. A mala da escola cheia de cadernos com poemas, frases.
Olha como andas vestida.
E ela a experimentar vestidos leves, soltos, de verão, com cor, a ser outra pessoa. A mãe a dizer que o irmão podia, ela era rapariga, era diferente.
Baixinho.
Não. Ela nunca fizera nada do que lhe tinham dito e isso, era agora óbvio, baralhava e perturbava a paz comum. Ou talvez não. Agora a família dependia dela e, não querendo reduzir nada, nem tirar o som a qualquer palavra, a mulher limitou-se a aceitar a tarefa sem deixar de dizer exactamente o que pensava sobre o assunto, qualquer assunto. Mesmo que as pessoas. Ou que fosse mal visto. Mesmo não sendo homem. Vestindo todos os vestidos que bem entende. De preferência sem soutien. E a mãe a dizer
Não tens nenhum soutien lavado? Parece impossível.
Ou outro disparate qualquer já que “parece impossível” sempre lhe soou mal.

Muito bom, Patrícia. Os rapazes também não estavam (estão?) imunes às preocupações com as regras, o respeitinho e as aparências (ai, o que é que os outros vão pensar?) mas claro que para as raparigas era (é) muito pior.
Já agora (não há como ter uma escritora à mão para fazer estas perguntas irritantes): o “eu” foi propositado ou escapou-te?
Beijinho.
Jaa, escapou-me:) boa páscoa! Beijo
Belíssimo texto, Patrícia. Beijo.
Que belo texto, Patrícia. Gostei muito.
Boa Páscoa.
Adorei este teu texto, minha querida!
Boa Páscoa aos dois!
Boa Páscoa para todos! beijos
Belo texto, Patrícia.
Lindo. Um beijo, Patrícia. Barulhento. 🙂