Não são “todos uns malandros”, claro que não. O problema da governação neste país também se explica pelas baixas expectativas de muita gente de bem que aceita cargos públicos. Quem não acredita que pode fazer a diferença ao integrar um executivo só encontra estímulo nos benefícios pessoais que a experiência seguramente lhe proporcionará. Desta forma fica comprometida desde logo qualquer ideia séria sobre serviço público. A esta reserva sucede-se, como um karma, o laxismo, a incompetência e a irresponsabilidade.
Baixas expectativas
Teresa Ribeiro,

” …Serviço Público” — Expressão que detesto até ao vómito!
Então, tratando-se da RTP dá-me diarreia!
Será que naquela casa, paga por nós, seja possível haver um programa de culinária 1000% igual ao Master Cheef ( australiano) com a pivot Catarina (20 tal mil x mês), não haja uma cabecinha pensadora que seja capaz de idealizar um programa genuinamente português?
É mais fácil ir à feira da ladra de Canes! Onde param os criadores nacionais?
Peço desculpa, se este comentário está for do âmbito do post….
Não me incomoda a expressão serviço público. No resto concordo consigo.
Cara Teresa,
Tem toda a razão. Não se pode (em sentido figurado… na realidade pode e deve-se) exigir a alguém que nunca fez nada na vida, fora atender religiosamente a reuniões partidárias, coleccionar amigos e telemóveis como quem colecciona cromos de cadernetas e ocupar uns cargos sinecurais sem importância nem formação que agora saibam governar um país.
Apesar de não ser propriamente um apoiante e, por outro lado, achar que existe um excesso de economistas / gestores neste Governo, tenho de dar o mérito a alguém como o nosso actual Ministro da Economia por abandonar (ou suspender) uma vida profissional de “topo” (ao nosso nível), com um salário chorudo para ir ganhar uns “trocos” para o Governo e aturar sindicatos e outros. Posso não concordar, como disse, com muito do que defende ou com as soluções que apresenta, mas tiro o chapéu à atitude, como tirei (e tiro) a pessoas como o Sr. Henrique Neto que, em vez de gozar uma merecida reforma, resolveu defender os seus ideais e candidatar-se a deputado (pelo PS na altura). São ESSE género de pessoas (com vida estabelecida) que fazem falta. E o mesmo se aplicaria a um operário com anos de trabalho numa fábrica… ou a um médico vindo dos hospitais… ou professor vindo de uma escola (NÃO de um sindicato!).
Concordo com o que diz, Carlos. Quem tem vida estabelecida à partida só aceita o desafio se acredita que pode mesmo influenciar a governação de forma positiva. Não quer dizer que não venha a desiludir-se. Nesse caso acabará por baixar os braços e “laissez faire, laissez passer”. Na política a motivação é quase tudo.
Teresa,
Gente de bem não aceita cargos públicos para os quais sabe não estar capacitada. Gente de bem não presta um serviço à comunidade para enriquecer, para obter dividendos imerecidos e eticamente reprováveis, para tratar da vidinha, ganhar influência ou ascender socialmente. Gente de bem não mente, não deturpa, nem tenta deixar os outros na ignorância por via da omissão. Gente de bem não ofende o seu semelhante com os gestos e palavras que profere quando sabe que o seu semelhante sofre na pele as consequências dos seus gestos e palavras. Gente de bem não convive com malandros, por mais bem vestidos e bem cheirosos que sejam, por amor à Pátria.
Quem assim actua, Teresa, não é gente de bem.