Baixa política


Teresa Ribeiro,

O argumento de que a RTP era um sorvedouro de dinheiro, que sugava aos contribuintes 1 milhão por dia, sensibilizou-me. De resto, há muito que me interrogava sobre o interesse de manter dois canais, sobretudo em manter um canal com características indistintas dos outros canais generalistas, com o dinheiro do Estado. Agora, do nada, caem do céu números que nos apresentam outra realidade e que – pasme-se – são grosso modo corroborados pelo governo.

Sabendo-se que a privatização de mais um canal vai rebentar com o mercado publicitário, base de sustentação dos media e que essa crise vai ter um efeito dominó, afectando não só as televisões como todos os outros órgãos de informação,  porque raio não se fecha pura e simplesmente um dos canais? Se afinal o “sorvedouro” até já pode dar lucro, chamem as coisas pelos nomes e não afirmem que é por razões financeiras que querem descartar o canal público de televisão. Não vou sequer discutir aqui a importância de manter o serviço público. Propositadamente limitei-me às razões financeiras, as que sempre têm sido invocadas para defender a necessidade de despachar a RTP.

Mas se dúvidas houvesse, percebe-se agora que esta decisão é política e de forte base ideológica. E se é política e lesiva para um sector estratégico como o da Comunicação Social, então é muito grave o que se está a preparar.

27 comentários em “Baixa política”

  1. É preciso ser bem ignorante para escrever isto. E é se não for má fé.
    Onde é que “sugava aos contribuintes 1 milhão por dia” desapareceu?

    “Sabendo-se que a privatização de mais um canal vai rebentar com o mercado publicitário”

    Vai? Então porquê? parece que a RTP dá lucro segundo diz…
    Então afinal o “sugava aos contribuintes 1 milhão por dia” continua ou não? Já não entendo…

    Pelo comentário “rebentar com…”
    mais uma vez fica a prova que para a elite tuga as falências estão só reservadas aos cafés e mercearias. Ao reles povo.

    A elite quer o seu mercado bem cortadinho em postas como num cartel e claro livre-se alguém de criar algo novo, um youtube, google, microsoft ou qualquer outra coisa que vá estragar o status squo…
    Depois estranham que não haja crescimento para sustentar o seu querido estado social…

      1. Que tal responder às questões?
        Não estão mais de 400 milhões de euros em causa pagos pelas pessoas cada ano na contribuição + orçamento ?

        A táctica mediática é a RTP gastar 400 milhões e deixar uns pozinhos que aparecem na contabilidade como lucro para enganar.
        E depois as pessoas vêem um cacha de um jornal a dizer a RTP teve lucro e acham que é uma coisa muito boa.
        Tal é o poder da palavra lucro.

        Se conseguirem então demonstra como um povo é burro e enganado facilmente.

        1. Claro que a defesa de um serviço público de televisão não lhe diz nada, nem a preservação do inestimável acervo da RTP. Não me incomoda pagar por um serviço que considero importante para a garantia do acesso público à cultura e à produção de informação de qualidade. Serviço público, por definição é algo que serve os interesses da comunidade, logo tem o meu apoio. Porém, não incondicional. Sempre critiquei o despesismo, a péssima gestão, o desrespeito pelo contribuinte, a existência de mais do que um canal e a programação comercial do canal 1. Defendo um serviço público sustentável e se fiz este post foi porque a informação que linkei indica que a RTP pode tornar-se a prazo sustentável.

  2. Tudo o que este governo está a fazer tem uma clara base ideológica de uma espécie de Novo Estado Novo, os argumentos económico-financeiros não passam de alibis.
    Basta ver o que se está a passar na educação e o caminho que Crato segue.

  3. Está preocupada com o mercado publicitário, ou em preservar a qualidade de vida do Dr Balsemão e do Sr Visconde?
    A RTP “dá” lucro apenas por duas razões: porque recebe 140 milhões de euros que nos são pilhados mês após mês na conta da electricidade (4,77 euros, iva incluido), e porque o governo lhe paga as dividas ( quase 400 milhões de euros no principio deste ano).
    Assim vive a RTP no melhor dos mundos, e até chega para sustentar 2500 almas que lá andam a fazer o pão caro. Parece-me que 500 chegavam e sobravam para a RTP e para a RDP.
    Um milhão de euros por dia é obra; depois não nos podemos queixar que não há para o SNS, para a Educação, para as reformas, etc.!

    1. Caro Alexandre, teme-se que a entrada no mercado de mais um canal de televisão tenha um impacto muito negativo nas outras televisões, mas também nas rádios e na Imprensa que dependem de receitas publicitárias. Temos um mercado muito pequeno, as empresas de comunicação social já estão todas no vermelho com as quebras brutais do investimento em publicidade que derivaram da crise económica. Balsemão não está a fazer bluff quando fala na asfixia do sector e isso é preocupante não só para os empresários envolvidos e para os profissionais de comunicação social, mas para todos.
      De acordo com a informação que linkei, o mesmo governo que dizia que a RTP era um sorvedouro, agora já vem afirmar que é uma empresa viável. Se é assim, e é esse o ponto do meu post, então não faz sentido avançar com esta privatização.

      1. Não foi o Expresso que escreveu em manchete:

        (cito de cor) Quem ficar com a RTP garante um lucro de 20 millhões”
        Ora, aqui está uma boa oportunidade para o dr Balsemão investir!

        O grande alarido á volta do S.Publico é uma ova…

        O problema é a “tachada” que está prestes a acabar…

        Vinte e tal mil para o serviço publico dos malatos e catarinas, 2000 funcionários ( tantos quanto a CNN) contas sem controlo… programas para os amigos…
        Além do Futebol que sei que gosta muito, diga-me 2 ou tres programas da rtp1 que se digam verdadeiro serviço publico?

        Não vá na onda!

        1. Am, sempre contestei a programação da RTP e considerei um abuso esses salários milionários serem pagos pelo bolso do contribuinte. Para resolver esses problemas não é preciso privatizar a estação.

      2. “Balsemão não está a fazer bluff quando fala na asfixia do sector e isso é preocupante não só para os empresários envolvidos e para os profissionais de comunicação social, mas para todos.”

        Ou seja o Balsemão e você de acordo não querem que outros tenham o direito ao sonho de construirem uma TV.
        Estou a usar as palavra emocionais frquentemente usadas nos festejos de aniversários das TV’s.

        Como eu disse as falências, a concorrência e o mercado livre é para o povo.
        A Elite é destruir à partida tudo o que lhe possa cortar o poder.
        Como se sente como aristocrata da velha guarda que destroí os sonhos do jovens que agora estão a começar?

        1. E qual é o problema de proteger um segmento de mercado estratégico como o da comunicação social se for possível fazê-lo? Para si imagino que será estatismo e intervencionismo esquerdalho, eu chamo-lhe sensibilidade e bom senso.

  4. Teresa,
    Não reparou que só a taxa, cobrada na factura da energia eléctrica, representa quase meio milhão de euros por dia?

    1. E reparou na evolução das contas apresentadas pela administração da RTP e nas declarações do governo sobre a sua viabilidade? Em que ficamos? Se é assim, para quê privatizar, comprometendo o serviço público e contribuindo para uma mais que provável crise de todo o sector da comunicação social?

      1. “Não reparou que só a taxa, cobrada na factura da energia eléctrica, representa quase meio milhão de euros por dia?”

        Isso não interessa para a senhora, vê a palavra lucro e fica

        “E reparou na evolução das contas apresentadas pela administração da RTP e nas declarações do governo sobre a sua viabilidade?”

        Deve estar a gozar ou querer fazer dos outros parvos.
        A RTP não é viável sem mais de 400 milhões de euros
        100 milhões por taxas, 300 milhões por favor político para mater a RTP com rédea curta.

        Que reserve uns milhõzitos para dizer que tem lucro é irrelevante.

  5. Que miséria de país!
    Não há tempero (bom senso). Isto é assim: Querem uma coisa, quando não a conseguem como desejam, já não querem, e, partem logo para o outro extremo, todos ofendidos. Visto assim até parece coisa de meninos mimados e malcriados.
    Já enjoa tanta conversa em torno disto.
    Vamos lá ver o que está bem:
    – O trabalho da RTP é ou não é uma acção de cidadania?
    – O arquivo da RTP, é ou não é um documento único da Historia recente de Portugal (património de Portugal)?
    – Todos nós pagamos a taxa o que resulta em 140 a 150 milhões de euro ano, certo?
    Vamos lá ver o que esta mal:
    – Média salarial 40.000 euros: MAAU…
    – Média do “esbanjamento” diário dos últimos anos: 1 milhão de euros: UM ROUBO!
    O que eu penso ser o mais lógico a fazer:
    – Reestruturar a RTP por forma a que se ajuste a sua manutenção e funcionamento dentro dos valores das taxas.
    – Tomar medidas para não aumentarem as taxas quando bem o entenderem.
    -Tudo o que estiver a mais, simplesmente, deixa-se para traz.(borda fora)
    – Os ordenados dos artistas que por lá andam, reduzidos a valores compatíveis com a gestão da receita.
    – Os que não aceitarem, que vão procurar trabalho para onde bem entenderem.(borda fora)
    E não venham com a lenga-lenga dos direitos adquiridos, é graças a eles que o país esta atolado. Há milhares de portugueses a enfrentar desemprego e falências, eles também tinham direitos, que até à pouco tempo julgavam adquiridos.

    1. Portuguesacoriano, não podia estar mais de acordo. Que emagreçam o que têm a emagrecer, mas que se preserve o serviço público e aquele arquivo, que é nosso património.

  6. E se, por acaso, não reabrirem centenas de empresas, agora no início de Setembro.
    Faltam 4 dias para a bomba rebentar. Estou curioso.
    E se este caso, da TV, foi encomendado. Um “fait divers”. É que, a ser assim, o primeiro já é inevitável.
    Mas alinho. 10 milhões é mercado para 4 canais abertos? Os outros, não estatais, não são também públicos? Ou são reservados?

    Por vezes é preciso baralhar as cartas.

  7. É um facto, a primeira notícia que refere, diz que a RTP dá lucro…
    1. Pela primeira vez em 20 anos
    2. Com uma “boa conjugação de todos os factores dificilmente se repetirá este ano.” segundo Guilherme Silva, Costa, o presidente do CA da RTP
    3. Lucro que irá ser abatido no passivo de 500 milhões
    4. Com um capital próprio, i.e., um patrimonio líquido negativo de 554 milhões.

    Portanto, sim, existe “qualquer coisa” para comprar na RTP, também se assim não fosse, teria de ser uma daquelas vendas simbólicas por uns cêntimos.

  8. Dou completa razão a Passos Coelho.
    Os escassos milhões gastos na Cultura (vai em maíscula na ‘pasta em causa ‘… e não é por acaso) e os redondos biliões dispendidos nos dois pseudo-canais de serviço público são uma falácia, ou seja, a imagem da provincianice nacional.

    1. A RTP não são apenas dois canais, é muito mais que isso. Talvez o mais importante e pouco falado até agora, seja o seu arquivo. Também está incluído na consessão/privatização? E estará devidamente valorizado? Aliás, como se pode valorizar um acervo como aquele?

  9. Até pode ser “guerrilha” :

    C Manhã: “Nuno Santos”, director de informação ganha:

    mais de 14.000 Euros ” !Alguem nestas condições quer ser privatizado… o Tanas!

  10. Eu concordo com a autora do post. O estado devia proibir a entrada de novos concorrentes em todas as áreas que estão em crise ou em vias de.
    Restauraçao, transportes, produçao automovel, vestuário, comércio tradicional, bombas de gasolina, mobiliário e tantas outras actividades. Deviam ser mercados fechados porque a entrada de novos pode significar que outros fechem.
    Quem tem ideas de negócio que emigre!

  11. É política e de forte base ideológica!
    Pode falar-me da base ideológica de quem quer manter na esfera da propriedade : o preço certo, o concurso do Malato e mais uma caterva de telenovelas e soaps de todo o tipo, ?

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