Bacoquice lamentável


jmmcc,

Com umas promessas de revisão constitucional e eleições, a vida no Egipto começa a regressar à normalidade: os manifestantes nas ruas vão desmobilizando, as palavras de ordem vão-se calando e os protestos vão-se silenciando, enquanto Mubarak volta a ganhar algum espaço de manobra. Foi isto que me fartei de ouvir a vários opinadores todo o dia na televisão, com a agravante de terem até (concluo eu) influenciado certos blocos noticiosos.

Afinal, todos sabemos já que o dia que está a terminar registou as maiores manifestações destas duas semanas que já leva a revolta egípcia. Pelos vistos, ainda e sempre, continua a haver quem insista em olhar para o ar, para não ver o que é e tentar ver o que quer. Lamentável, esta bacoquice cansativa.

10 comentários em “Bacoquice lamentável”

  1. Verdadeiramente espantoso é verificar como despontam do chão, como cogumelos, os «especialistas» em política do Médio Oriente em geral e do Egipto em particular. A dizerem os maiores disparates. Desde os que vêem peremptoriamente ‘guardas da revolução’ a espreitar a todas as esquinas egípcias, confundindo Teerão de 1979 com o Cairo de 2011, até aos que se vão plagiando uns aos outros, de ‘debate’ em ‘debate’, por não saberem o que hão-de dizer. Por exemplo: houve um que disse isto: «El-Baradai é mais conhecido no estrangeiro do que no Egipto». Logo três ou quatro papaguearam o mesmo disparate nos dias imediatos.
    Enfim, percebem tanto disto como eu de lagares de azeite…

  2. Estou para ver no que isto tudo vai dar. Sim, as manifestações continuam fortes. Sim, Obama parece ter tirado o tapete a Mubarak. Sim, o exército parece não ter decidido reprimir as manifestações. Sim, os comentadores encartados são essencialmente idiotas.

    Só que há coisas a analisar. Shimon Peres veio defender o regime egípcio (especificamente Mubarak, mas essencialmente o status quo com Israel). Suleiman parece ter cada vez mais protagonismo. O exército, apesar de não terem tomado qualquer acção contra os manifestantes, ainda não tomaram qualquer outro partido e sabe-se que nestes regimes o exército é sempre o king maker. Há muito medo (real ou não é outra conversa) da Irmandade Muçulmana. Os media internacionais começam a refrear (mesmo nas simples reportagens) o entusiasmo dos dias anteriores. E os manifestantes, a certa altura, terão de abrandar os protestos devido aos simples limites das suas forças.

    Isto faz-me pensar que haverá uma mudança de líder mas não necessariamente uma mudança de regime. As mudanças serão potencialmente semelhantes à primavera marcelista. Talvez eu esteja errado. Talvez eu esteja certo e a seguir à primavera venha o verão. Espero bem que sim. Seja como for, já estive mais entuisiasmado.

  3. Como se o que se diz em Portugal sobre o assunto influenciasse minimamente o que se vai passar no Egipto! Neste caso, a borboleta da Amazónia não se aplica, é mais para encher chouriços nos debates e noticiários.

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