Avivar a memória aos crentes


Sérgio de Almeida Correia,

“Garantiu-me solenemente que não cometeu qualquer irregularidade nas funções que desempenhou” – Aníbal Cavaco Silva sobre Dias Loureiro

 

“Na sua opinião [Passos Coelho], é importante realçar que não existe qualquer relação política entre o BPN e o PSD e que o partido não deve mostrar “embaraço” relativamente ao facto de no caso estarem envolvidos antigos dirigentes do partido e membros dos seus governos, incluindo Oliveira e Costa.“

 

Ficando claro que penso hoje o mesmo sobre o que Mário Soares disse em Évora que pensei em tempos a propósito do que ele disse no encontro da Aula Magna [“Custa-me ver a forma como se perde o lastro histórico no discurso histriónico. Devia haver uma forma democrática de proteger dos seus próprios excessos quem tanto contribuiu para a redução da nossa infelicidade colectiva.” ], só gostaria de acrescentar, em relação aos que que agora vieram a terreiro criticá-lo, que recorrendo à mesma lógica de Cavaco Silva sobre Dias Loureiro, Soares tem igual direito de acreditar na palavra de José Sócrates. Mesmo que aos olhos dos outros, incluindo dos meus, possa ser visto como um disparate.

Da mesma forma, o que não quer dizer que eu concorde com a lógica, o PS devia levar à letra as palavras então proferidas por Passos Coelho e não mostrar “embaraço” relativamente ao facto de um antigo dirigente do partido e ex-primeiro ministro ter um problema pessoal para resolver com a justiça portuguesa. Se na opinião de Passos Coelho o PSD não devia ficar embaraçado com o envolvimento da nata cavaquista na escandaleira do BPN, cujas suspeitas são de nível semelhante, não vejo porque deva o PS sentir-se embraçado. Até porque, até prova em contrário, não consta que ao invés do que aconteceu com o BPN haja mais alguém suspeito, ou que tivesse sido tão conivente como foram muitos outros que têm hoje responsabilidades políticas e lucraram com a escandaleira. Quando muito seria um incómodo para António Costa resolver.

 

3 comentários em “Avivar a memória aos crentes”

  1. Não vi nada que o Passos tenha dito que implique que o PS deva sentir embaraço com este caso.

    Aliás, não o vi a comentar este caso, que não fosse para dizer que é um caso da justiça. No máximo, disse noutro contexto que os políticos não são todos iguais.

    E este caso é mais grave porque levanta a suspeita de corrupção passiva enquanto desempenhava as funções de PM.

    Ainda assim, não é nada anormal que os amigos tenham a convicção pessoal e profunda da sua inocência.

    Mas é anormal que decidam embrulhar todo o PS no caso, e fazer dele um mártir político.

  2. Não sabe o Sérgio que também havia (e há) gente do PS no caso BPN?
    Pondo de lado as inconveniências agora proferidas pelo Dr. Soares, não reparou na maneira como ele, recentemente, defendeu o seu amigo Ricardo Salgado, aconselhando-o, até, a manter-se calado, ameaçando tudo e todos, dizendo que se ele abrisse a boca muita gente ia sair chamuscada?
    Não minimize o caso Sócrates. A procissão ainda vai no adro.

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