O Senhor Primeiro-Ministro está demissionário, mas mantém-se igual a si próprio. Ou, melhor dito, varia conforme a sua semelhança. Em essência, é incompetente e irresponsável e especializou-se em manipular, ocultar, omitir e negar a realidade. Sendo estas características permanentes, a intensidade com que as pratica aumenta em função da vontade que vai detectando nos que o rodeiam para lhe aparar o jogo. O facto de ter um partido submisso e aparentemente entusiástico dá-lhe forças renovadas. Sondagens que não o colocam ao nível rasteiro onde ele sabe que devia estar dão asas às suas piores qualidades. Só este contexto em que, aparentemente, tudo lhe foi e é permitido, sem qualquer responsabilização, justifica o topete de apresentar um programa eleitoral que assenta em falsidades e em mistificações. Tudo isto é tanto mais grave quanto é certo que este é o ainda líder do governo. E que, nessa qualidade, está a negociar condições da ajuda externa que, como o próprio reconhece, serão completamente diferentes daquelas que constam do programa eleitoral e que foram decalcadas do PEC IV. Ora, perante tamanha desfaçatez e a aparente indiferença e permissividade de um grupo significativo de portugueses, importa deixar claro a José Sócrates que nem todos, apesar de tudo, estamos disponíveis para dar cobertura às suas trampolinices. Aqui fica o registo de algumas vozes que ajudam a perceber onde estão as aventuras políticas e os tiros no escuro a que Sócrates se refere:
Estela Barbot (FMI)
“É crucial que os decisores de política e os gestores públicos prestem contas e sejam responsabilizados pela utilização que fazem dos recursos postos à sua disposição pelos contribuintes”.
Carlos Costa (Governador do Banco de Portugal)


Estava a ver que no DO não comentavam as palavras do actual Governador do BP, as quais considero serem as mais importantes proferidas desde há doze anos, por um responsáver português.
A minha ignorância questiona-me: Onde andou e o que andou a fazer o sr. Vitor Constâncio este tempo todo?
Se o déficit recomendado pela UE é 3%, porque é que o sr. Sócrates se vangloreia de ter conseguido SÓ 7,8, mais rigorosamente 9,1 %?
Começo a perder a paciência. Dava mais depressa um tiro nesta cambada, que um pontapé num cão, coisa que não se deve fazer.
Partilho das suas palavras e da sua indignação, Singularis. Só há uma solução. Um tiro democrático no dia das eleições, através do boletim de voto.
Estela Barbot? Uma loira a falar do FMI?
Por favor, não era preciso ter ido tão fundo!
As palavras de Estela Barbot são sensatas e adequadas à situação actual. Seriam sempre de muito mais valor do que as de um anónimo moreno que fala do fundo. Da caverna dos abrantes.
Meu caro Rui,
Acho que não percebeu o meu comentário.
Ir tão fundo para nos explicar o FMI, aplicado a Estela Barbot, para – bem poderia ser Estrela Barbot – pretendia dizer que bastava alguém menos conhecedor, de fundo e do Fundo, para nos explicar a tão propalada gravidade da situação.
O seu comentário revela, contudo, o pré-juízo de que os comentadores só aqui vêm “deitar abaixo” e falar mal. No entanto, compreendo-o, porque as prestações televisivas da referida Senhora não têm sido mais do que medíocres. Mas não duvido da sua competência do dos conhecimentos que ela tem do(s) Fundo(s): Monetário Internacional e do País.
Não está mal o ataque ao pré-juízo vindo de quem alicerçou o comentário na cor do cabelo da pessoa em causa.
Ainda um acrescento à resposta ao comentário anterior:
Quer ver outro pré-juízo seu, Rui?
Quem lhe disse que eu, por ser Anónimo – “direito” que o Delito de Opinião me reconhece -, sou/vivo/vegeto/ na “caverna dos abrantes”?
Que caverna é essa?
Caverna, só frequento a de Platão.
Quanto a Abrantes, fica muito longe de Trás-os-Montes, meu caro, e, embora nada tenha contra os de Abrantes, prefiro a máxima “Para cá do Marão, mandam os que cá estão”.
Abraço,
Ainda bem, Anónimo. Um abraço.
Hum… Aquela imagem… É o Henrique Galvão a fugir do Santa Maria?
Aposto que o reconheceste pela cor da gravata, João.