Hoje, a propósito do Festival Internacional de Cultura, a Déjà Lu andou em polvorosa. A RTP tinha-nos pedido para filmar um par de entrevistas numa das nossas salas e nós não nos fizemos rogados. Estendemos a passadeira vermelha e vergámo-nos em vénia, mortinhos por assistir a tudo.
O primeiro entrevistado foi Andrew Morton, famoso biógrafo de várias personalidades, incluindo membros da família real inglesa. A conversa foi muitíssimo interessante, mas confesso que tinha o coração em pulgas. Sabia que o segundo convidado seria David Lodge. Ora, eu adoro o David Lodge, a tal ponto que já li três vezes o “Terapia” e sei várias passagens de cor.
De maneira que quando a equipa técnica, entre uma entrevista e outra, comentou que “o outro” ainda não tinha chegado, tive de me insurgir e de perguntar se se estavam a referir naqueles termos miseráveis a Sir David Lodge.
Lá chegou então o senhor, muitíssimo discreto, que se deixou entrevistar com toda a candura.
No final, convidei-o a visitar a livraria. Expliquei-lhe que se tratava de uma livraria solidária, cujos lucros eram destinados a 100% para projectos de profissionalização de jovens com Síndrome de Down. Neste momento fui interrompida: “Down Syndrome, you said? Do you know that I have a son with Down Syndrome?’”.
E foi assim que tive direito a uma prolongada cavaqueira com um dos meus escritores predilectos, que autografou com toda a boa vontade e simpatia uma data de exemplares que lhe fui pondo à frente com toda a lata do mundo.
Depois, convidei-o a voltar à livraria para passar pelas brasas num dos nossos cadeirões, prometendo que não o ia maçar nada, nada, nada. Mesmo nada.
A vida às vezes dá-nos cada presentão.
Eu, em estado de comoção apocalíptica.


Impossível. David Lodge é um ser mitológico, capaz de fundir humor slapstick com Kierkegaard. Não pode ser conhecido pessoalmente. Muito menos ter bigode.
Será que mandou um dos seus duendes académicos em seu lugar? Tudo é possível.
Muito bem, Francisca. Mais que merecida, esta prenda.
David Lodge é um dos meus escritores contemporâneos preferidos. Um ensaio dele, ‘A Consciência e o Romance’ tornou-se para mim numa obra de cabeceira: um dos melhores livros sobre livros que já li.
Confesso que mandei vir o livro há uns tempos mas que acabei por só o folhear. Tenho de lhe voltar a dar uma vista de olhos.
Abraço
What a lucky, lucky, lucky girl you are, Francisca!
Fico feliz por si, mas com um pouquinho de inveja (confesso!), pois também gosto tanto do David Lodge…
Beijinho branco.
🙂 Antonieta
Foi mesmo uma emoção, Antonieta.
Amanhã não perco a conversa dele com Inês Pedrosa na Casa das Histórias da Paula Rego.
Sortuda. Eu comecei a ler Lodge por “A troca” e depois foi uma compra incessante de todos os outros, ” o mundo é pequeno”, “notícias do paraíso”, “terapia”, “um almoço nunca é de graça”, “um dia o museu britânico vem abaixo”, “até onde se pode ir” e por aí a diante, (dos mais recente ainda não li nenhum) mas fui também emprestando os livros a amigos e familiares, de forma que nas mais de 2’000 entradas do meu pequeno acervo de leitura de hoje, julgo não ter nenhum Lodge. Mas vou ter que readquiri-los novamente. Aquela mistura de ficção com ensaio em cada livro dele, que tanto me agrada. Eu sou um fã da escrita de David Lodge.
Olá Vítor,
A Vida em Surdina é fenomenal. Se não leu, atire-se a ele sem temor.
Um abraço
Cara Francisca,
Pode dizer-me quando passa a entrevista na RTP?
David Lodge é um dos meus escritores de eleição e tenho imensa pena de não ter podido estar ontem na Casa das Histórias. Como prémio de consolação li a entrevista que lhe fez o Carlos Vaz Marques, publicada ontem no Público.
No livro Até onde se pode ir, DL relata o nascimento duma criança com Trissomia 21. Na biografia conta a história na primeira pessoa.
Foi há quase 50 anos ou seja
há vários séculos, considerando a forma como as coisas eram então encaradas. Aconselho a biografia. Claro que fala dum mundo que já não existe (contenção, austeridade, exigência, rigor e mais coisas caídas em desuso) mas que eu conheço bem devido à educação que tive (pais
nascidos antes da II Guerra…)