Autárquicas (11)


Pedro Correia,

  

DOIS VENCEDORES

 

António Costa, com Helena Roseta e Sá Fernandes na sua equipa, venceu a corrida para a Câmara Municipal de Lisboa por maioria absoluta. Mas fez mais que isso: conquistou para o PS o melhor resultado de sempre do partido concorrendo isoladamente em Lisboa.

Rui Rio, coligado com o CDS, venceu a corrida para a Câmara Municipal do Porto por maioria absoluta. Mas fez mais que isso: conquista o terceiro mandato ampliando a anterior maioria, algo nunca conseguido por nenhuma força política na Invicta.

 

Dois nomes apenas numa noite em que houve 308 vencedores. Mas estes não são vencedores como os outros: os triunfos que obtiveram nas urnas transcende em muito as fronteiras dos dois principais concelhos do País. O socialista António Costa e o social-democrata Rui Rio conquistam terreno político que lhes permitirá firmarem-se como líderes alternativos dos seus partidos – o que provavelmente sucederá mais cedo do que ambos julgam.

23 comentários em “Autárquicas (11)”

  1. É uma leitura possível Pedro. Por mim não faço uma leitura política tão abrangente. A estrondosa vitória de António Costa, e do PS, com maioria absoluta pela primeira vez na história contra toda a direita unida em Lisboa, é transcendente e não se compara ao combate político travado no Porto. A comprová-lo foi o ar de velório patético que perpassava na assistência que ouvia a Drª Ferreira Leite a anunciar a vitória do PSD.

    1. Concordo com o ariel. A vitória de Rio já era esperada e não teve nada de especial, é mais do mesmo. Estrondosa foi realmente a vitória de Costa em Lisboa, metendo no bolso a direita coligada, o BE e a CDU. É obra!

      1. Só não entendo por que é que a Clara, como a Ariel, olham para António Costa como se ele fosse um homem isolado. Ele não conseguiu juntar a esquerda partidária, é certo, mas protagonizou uma coligação entre tendências já conhecidas da autarquia e que é uma verdadeira amálgama de ideias.

        1. Já com Rui Rio (e ainda me lembro do seu primeiro mandato, em que acabando de ser eleito, não pôde festejar, teve de se “esconder” num edifício da baixa portuense e foi aconselhado pela PSP a sair do Porto …), trata-se do primeiro autarca com três mandatos, aumentando a maioria, em que realmente se elege o autarca contra a clubite.
          Há que morar no Porto, porque só nós cá é que sabemos ….

          1. Não posso deixar de voltar a lembrar: Rui Rio aumenta a maioria num terceiro mandato, finalmente e só com ele se afasta a clubite causadora de défices tremendos e inexplicáveis na Câmara, em detrimento das obras públicas e sociais e não tem ambições desmedidas.
            É apenas, honesto. Foi nisso que os portuenses votaram.
            Provavelmente, também nunca será administrador de nenhum império.

        2. João, o facto de ter conseguido “uma coligação o o entre tendências já conhecidas da autarquia” é muitissimo relevante, sendo o reflexo da capacidade política federadora à esquerda por parte de António Costa. Falar em “verdadeira amálgama de ideias”, parece-me desadequado, quando se trata de Lisboa. Quando muito concedo que a campanha não foi brilhante no que toca à mensagem. Mas isso só vem reforçar a transcendência dos resultados, malgré tout … é preciso não esquecer que António costa que está na Câmara há dois anos, tinha uma maioria absoluta do PSD na Assembleia Municipal, que lhe fez a vida negra, preparando o terreno para a coligação de direita que aí vinha. Não teve qualquer hipótese de fazer brilharetes junto do eleitorado, recebeu uma autarquia exangue . Comparar isto com o que se passou no Porto, é legítimo, mas parcial.

          1. Não fiz tal comparação, Ariel.
            Quanto à “verdadeira amálgama de ideias” referia-me a diferenças notórias entre os vencedores, no que toca a uma nova ponte, ao aeroporto, aos contentores, etc., o que me parece bastante complicado para conciliar.

          1. Pois foi maloud. Aliás viu-se logo no tom das declarações do Ruben de Carvalho que foi tudinho por baixo da mesa.

    2. Ariel, o meu raciocínio tem a ver com as lógicas internas do PS e do PSD. Para além das vitórias autárquicas ontem alcançadas. António Costa acaba de dar um passo de gigante rumo a uma futura liderança do PS – demonstrando ser capaz de congregar outras forças de esquerda, ao contrário do que fez Sócrates. E também Rio deu um passo decisivo rumo a uma futura liderança do PSD – demonstrando ser capaz de esmagar nas urnas a candidata socialista imposta pelo secretário-geral do PS às estruturas distritais do partido.

      1. De acordo Pedro. Nessa perspectiva, que não foi o meu entendimento inicial, estou de acordo.
        Só uma palavrinha adicional para defender a minha dama. Do que conheço de Elisa Ferreira e conheço alguma coisa, ele vale muito, muito mais do que mostrou nesta campanha. Aliás penso que nesta campanha ela foi uma sombra dela própria, mas isso é outro debate. Noutras condições, noutro contexto daria uma excelente presidente da câmara de que o Porto se orgulharia. Mas a vida é feita de escolhas. Glória aos vencedores, honra aos vencidos.

  2. Muito bem visto, Pedro. Ambos carismáticos, sem atitudes polémicas e comentários infelizes, arrecadam vitórias históricas.
    Entraremos numa nova era?

    1. Havemos de entrar, mas podes esperar sentada. Até lá, entre os mais de cem autarcas reeleitos que vão começar o seu último mandato, ainda teremos de assistir ao que já se adivinha. É fartar, vilanagem…

      1. Sentei-me logo … sei que a espera é longa!
        Nem preciso de reler os Asterix’s: ´três moedas para mim, uma para Roma. Tenho apenas um ano para enriquecer; Roma pode esperar …

  3. Correndo isoladamente? Que ideia absurda. O homem fez um acordo coligatório contra-natura com a Roseta que valia 6% desde as últimas eleições intercalares e com o “Zé que faz falta” que valia o suficiente para ter dado ao Bloco de Esquerda o vereador que agora perdeu. Coligação essa – repito – contranatura, tendo em conta a defesa de soluções opostas relativamente à política urbanística, contentores da Liscont, manutenção de aeroporto e praticamente todas as questões que interessam à cidade. Se houvesse um tipo do PNR que valesse alguns votos, também entraria na coligação.

    Em resumo, uma vitória, sem dúvida. Mas nunca solitária. Sem Roseta, não haveria abraço entre Sócrates e Costa no final da noite de hoje.

  4. Clara França Martins e José Barros, cada qual a seu modo e com argumentos que se completam, validam o meu raciocínio. Ela, presumo que involuntariamente, passa um atestado de incompetência política a Elisa Ferreira. Ele, presumo que involuntariamente, passa um atestado de competência política a António Costa.
    All is well when ends well.

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