Até não restar nada para queimar


Pedro Correia,

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O País arde. Literalmente. Nunca ardeu tanto como agora. Mais de um terço da mancha florestal europeia queimada ao longo deste ano em toda a União Europeia pertence a este pequeno país com reiterados sonhos de grandeza: 140 mil hectares de zona verde tornaram-se área interdita, carbonizada, danificada, inutilizada. O equivalente a cento e quarenta mil campos de futebol.

Num único dia, sábado passado, houve 268 incêndios – novo e triste e lamentável máximo nacional.

Em muitos destes casos – talvez mesmo na maioria – onde havia árvores nada mais haverá doravante do que mato rasteiro e daninho, futura matéria combustível. Em qualquer dos casos, muitas das populações afectadas – talvez mesmo a maioria – não viverão tempo suficiente para ver crescer árvores outra vez à dimensão de outrora. Numa espécie de prenúncio da morte ainda em vida.

 

Vejo este país a arder. Hoje em Vila de Rei ou Tomar como ontem em Pedrógão. Hoje em Oliveira do Hospital como ontem em Alijó. Hoje em Sabrosa como ontem em Mértola. Hoje em Ferreira do Zêzere e Cantanhede como ontem em Mação ou Abrantes.

As chamas não devastam apenas a paisagem física: destroçam também a paisagem humana e social. Porque as parcelas do País que ardem são as do Portugal desfavorecido, envelhecido, esquecido. Um país que há-de emergir das cinzas ainda mais distante do risonho e soalheiro país litoral, que ocupa sempre a fatia mais volumosa das telediários e das publirreportagens invasoras em grau crescente dos espaços noticiosos, algumas das quais a recomendar-nos hotéis de luxo e restaurantes polvilhados de estrelas Michelin a preços obscenos.

 

Vejo a minha Gardunha a arder, vejo as chamas invadindo essa jóia irrepetível que é a aldeia de Castelo Novo, na vertente sul da serra – e sinto o que sentem tantos outros portugueses perante a destruição de paisagens familiares que lhes são tão queridas.

A fúria, a mágoa, a frustração, a impotência perante o crime e os palradores de sofá em Lisboa que nos intervalos das tricas políticas ainda ousam apontar o dedo acusador aos poucos que persistiam em morar nas zonas agora devoradas pelas chamas, acusando-os de plantar o que não deviam.

Ali quase não havia eucaliptos: havia muitos castanheiros, muitos carvalhos, muitos pomares – com destaque para os cerejais em que se ancorava boa parte da frágil economia local. Tudo isto já pertence ao passado.

 

Empreguei sem reservas nem remorsos a palavra crime porque é disso mesmo que se trata perante fogos iniciados em simultâneo, quase sempre de noite ou de madrugada, em fragas e penedias de difícil acesso. 

É uma palavra de que os políticos fogem, preferindo outras – sem asperezas, sem rugosidades, naquele discurso redondo que tanto cultivam e nada tem a ver com a linguagem comum. Falam nas mudanças climáticas, nos “efeitos do aquecimento global” e nas “décadas de desordenamento das nossas florestas”, como se só em Portugal houvesse temperaturas altas e florestas desordenadas.

Refugiam-se no abstracto para iludir responsabilidades concretas.

Nem uma só vez oiço qualquer deles aludir à palavra que parece queimar também. A palavra crime.

 

Enquanto não houver uma mobilização nacional contra os fogos criminosos, enquanto os políticos continuarem a contornar a questão, enquanto não houver a noção inequívoca de que os responsáveis por esta  catástrofe ambiental e humana não podem permanecer impunes, o País continuará a arder.

Até não restar nada para queimar.

56 comentários em “Até não restar nada para queimar”

    1. Na sequência do drama de Pedrógão, senti tristeza mas senti sobretudo uma enorme revolta – desde logo por ver alguns intervenientes na praça pública resignarem-se ao fatalismo, aludindo à inexorável existência de calamidades naturais.
      Agora, que o fogo invade e destrói paisagens que me são familiares desde a minha infância mais remota, sinto também revolta mas sobretudo uma enorme, indescritível tristeza.

  1. “Número de incêndios em Portugal volta a diminuir”.
    Incompetência e descaramento, como se apenas depois de tudo praticamente ardido é que pudesse diminuir.
    Por quanto tempo mais é que se vão permitir as patranhas do chefe Costa com a cobertura de peões que abrem a boca à medida do que ele manda cantar?
    Não se pode acreditar que um Pás arda e adormeça enquanto poupa o carregador da tocha.

    PENSAMENTO LATEJANTE
    É preciso e é urgente exercer o direito cortante à indignação, quando altas figuras do Estado, e seus servidores em função, como os de noticia e opinião, praticam a rastejar o mais alto grau da indignidade.

    1. Quando se alude ao “desordenamento da nossa floresta”, as responsabilidades abrangem o poder político central mas também o poder político autárquico, que costuma ser poupado nestas ocasiões. Grande parte da prevenção dos fogos devastadores e assassinos cabe às estruturas autárquicas. Muitas falham por completo nesta missão.

      1. Ora.
        Pergunto-me com que espírito estas gentes vão, dentro de mês e meio, ser chamadas a votar. O que pensarão ao olharem para aqueles boletins de voto. E o que farão.

    1. Sim, Beatriz. O termo é este: assassinos. É certo que as chamas matam, destroem, devastam.
      Mas o verdadeiro homicida é quem pega fogo. O delito de lesa-património natural, a partir de certas proporções, tem de estar equiparado ao homicídio.

      1. O delito de lesa-património natural, a partir de certas proporções, tem de estar equiparado ao homicídio.

        Que proposta indecente.

        O Pedro saberá que, quando alguém ateia (voluntária ou involuntariamente) um fogo, não pode saber que proporções esse fogo assumirá. E essas proporções dependem em larga medida de terceiros (dependem de o fogo ser rapidamente combatido ou não).

  2. “Enquanto não houver uma mobilização nacional contra os fogos criminosos, enquanto não houver a noção inequívoca de que os responsáveis por esta  catástrofe ambiental e humana não podem permanecer impunes, o País continuará a arder.
    Até não restar nada para queimar.”

    Os incêndios florestais nasceram e cresceram com o regime que nos desgoverna.
    São apenas a mais impactante revelação de toda uma política de terra queimada.
    Literalmente!
    Porque não ardem só as florestas.
    Ardem também a nossa identidade, as nossas melhores empresas e os nossos melhores recursos.
    A nossa classe política vendeu a alma ao diabo em troca de um prato de lentilhas para si e de uma mão cheia de nada para o povo.
    Quarenta e tal anos de incêndios é muito tempo para quaisquer desculpas ou explicações.
    Diga-se o que se disser, não há voltar a dar:
    – os criminosos são eles;
    – os cúmplices somos nós que reiteradamente os elegemos.
    “Noção inequívoca”!
    João de Brito

    1. Acho espantoso chegarmos ao ponto a que chegámos e ainda não ter havido um pacto nacional, interpartidário, para o combate a este flagelo – mesmo com as palavras e os gestos de incentivo do Presidente da República.
      O Parlamento aprovou um mero paliativo, ao jeito de quem assobia para o lado, e foi de férias, deixando o País a arder. Lá para Outubro, se lhes apetecer, os senhores deputados voltam a pensar no assunto.

      1. Espantoso? Ainda bem que há alguém que consegue preservar-se do cinismo.
        Para mim, o espantoso seria exactamente o contrário.

          1. Concordo na prioridade, mas a movimentação terá (teria) de vir da sociedade civil e acontecer localmente. O poder central encontra-se completamente cativo e bloqueado.
            Todavia, também é sabido que todas as acções de valor que possam vir a ser empreendidas neste âmbito e que tentem curto-circuitar os esquemas de compadrio e corrupção instalados serão rapidamente anuladas. A história que o PA está a contar no Portugal Contemporáneo é verdadeiramente paradigmática.
            A única saída: como antigamente, fazer o que se tiver de fazer, pela calada. E não ter medo de usar uma arma.

  3. Esta tragédia faz parte da “maior reforma da floresta desde o D. Diniz”: arder até à última árvore. Nem as árvores que o Medina mandou plantar no Saldanha escapam.

    1. Essa frase que citou é de uma jactância e de uma imbecilidade sem limites. E um insulto aos largos milhares de portugueses que jamais esquecerão este trágico Verão de 2017.

  4. Sempre houve incêndios florestais. Nunca os houve tão numerosos nem de tamanha envergadura como os deste ano.
    Era eu miúda e os meus pais iam levar agua e leite aos militares que, ao lado dos bombeiros, combatiam o fogo na Serra de Sintra. Todos os anos a Serra ardia. Durante muito tempo a serra ardeu.
    Há muitos anos que a dualidade Sintra -Fogo foi praticamente extinta. Algo se fez ? Sem dúvida que sim. E a Serra de Sintra, um dos pontos fortes do turismo no momento, também é habitada, com casas, casinhas, casebres, palácios e construções devolutas. Houve ordenamento florestal? Acredito que sim. Se é um exemplo a aplicar? Se é comprovadamente um bom exemplo de ordenamento florestal, porque não? Já foi a Serra da Morte, agora é um paraíso verde. Se houve interesses por detrás do ordenamento ? Provavelmente. Porque não criar interesses por este país fora ? Porque não aplicar penas de prisão perpétua aos incendiários? Porque não obrigar a um referendo sobre o ordenamento florestal um PutOutIt, ou PutItOut … once and for all.

    1. Fez-se em Sintra, como se fez no Gerês e noutros locais do País. E a palavra-chave é esta: vigilância.
      Qualquer estratégia nacional de combate a este flagelo passará sempre pela reposição dos sapadores florestais que durante décadas acautelaram a progressão de fogos nas matas.
      Tendo 90% dos fogos origem criminosa, como o próprio Governo reconhece, e não resultando de inevitáveis causas exteriores à acção humana (como a tal árvore assassina que o agora tão calado director da PJ pretendeu apontar ao País como origem do fogo de Pedrógão), a primeira etapa terá de passar sempre pela reactivação dos postos e das brigadas de vigilância florestal.
      O resto é demagogia política que já não ilude ninguém.

  5. Sinto o coração apertado com tantas mortes ,
    destruição e desolação… mas alguns independentemente
    deste estado de sítio, andam todos contentes.
    Num país onde as vacas andam a voar ,o que nunca tinha acontecido
    antes, é tudo normal nem se pode fazer de outra forma.

    1. Eu compreendo que os telediários têm de ser feitos – e alguns continuam a durar mais de hora e meia, coisa única na Europa a que pertencemos.
      Mas choca-me ver metade dos noticiários televisivos preenchidos com esta tragédia nacional do fogo que devasta a paisagem humana e ambiental do País enquanto a outra metade é preenchida com festarolas e folguedos, além de “sugestões de férias” a preços pornográficos.

  6. “É a palavra de que os políticos fogem”!

    É a vergonha deste país. Há um saudosismo da classe política em relação à época não longínqua da classe que apreciava pensar por nós. Há uma apatia cúmplice daquilo que se faz passar por comunicação social. Há um argumentário conivente pela gente que manda subalternos com pouco auto estima falar de relâmpagos em árvores, falar do mítico “eucaliptal”, falar das armas que afinal eram sucata. Há uma cumplicidade criminosa desta maldita gente, por locução e por inacção.

    1. Quase coro de vergonha ao lembrar-me das palavras irresponsáveis do director da PJ apontando ao País a árvore onde começou o trágico incêndio de Pedrógão. E questiono-me o que será feito do senhor, que desde então tem permanecido tão calado.
      Não há mais árvores assassinas para mostrar aos portugueses?

      1. Não há mais árvores assassinas para mostrar aos portugueses?

        Ainda agora houve uma no Funchal. Matou só por si um terço do número de pessoas que morreram em Pedrógão.

  7. LATEJANTE A FERVER
    Só um pantomineiro da pior espécie pode vir alegar “aproveitamento político” perante as posições criticas assumidas por vastos setores, tanto das oposições como até dos aliados arregimentados e bem pagos, ou mesmo da sociedade tendencialmente medrosa em relação à tragédia que incessantemente se abate sobre o nosso país em calendário sem fim.
    Ele como responsável de proa não faz mais do que sacudir-se.
    Isto vindo de um fulano que tem toda uma vida dedicada não só a aproveitamentos matreiros, mas em escala avantajada e de forma descarada a golpadas politicas de caserna que raramente alguém ousa pôr a descoberto.
    Uma de duas, ou ele merece ser abatido, ou nós não merecemos melhor que um declarado e reconhecido impostor.

  8. «Empreguei sem reservas nem remorsos a palavra crime porque é disso mesmo que se trata perante fogos iniciados em simultâneo, quase sempre de noite ou de madrugada, em fragas e penedias de difícil acesso. É uma palavra de que os políticos fogem, preferindo outras – sem asperezas, sem rugosidades, naquele discurso redondo que tanto cultivam e nada tem a ver com a linguagem comum. (…) Nem uma só vez oiço qualquer deles aludir à palavra que parece queimar também. A palavra crime. Enquanto não houver uma mobilização nacional contra os fogos criminosos, enquanto os políticos continuarem a contornar a questão, enquanto não houver a noção inequívoca de que os responsáveis por esta catástrofe ambiental e humana não podem permanecer impunes, o País continuará a arder. Até não restar nada para queimar.»

    Precisamente. E a impunidade, nos incêndios e não só, só tenderá a diminuir e a desaparecer quando o código penal for alterado no sentido de um drástico e generalizado agravamento das penas, em especial a (re)introdução da prisão perpétua. Embora, considerando a devastação ambiental e humana, nacional, que os fogos causam, eu talvez não colocasse de parte a hipótese de se proceder a um outro tipo de justiça, mais rápida, sumária… semelhante à que o Marquês de Pombal ordenou contra os ladrões apanhados em flagrante após o Terramoto de Lisboa de 1755.

    1. O debate sobre a reintrodução das penas perpétuas pode sempre ser feito, em qualquer ocasião, como tem vindo a acontecer em vários países europeus. Sem tabus.
      Eu estarei sempre do lado oposto – daqueles que militarão contra a reintrodução de penas irrevogáveis e perpétuas, bem como dos castigos corporais, infelizmente reinantes ainda em várias partes do globo. Portugal pode justamente orgulhar-se de ter sido pioneiro na legislação penal que nos colocou nos patamares civilizacionais superiores e deve ser fiel a este legado que tanto nos honra.

      Sou, isso sim, favorável ao cumprimento efectivo e integral das penas dos incendiários condenados à luz do ordenamento vigente, equiparando-as em caso de reincidência ao homicídio qualificado.
      O carácter dissuasório destas molduras penais é fundamental no combate ao drama dos incêndios. Há um longo percurso a fazer nesta matéria, sem dúvida politicamente incorrecta.
      Totalmente inaceitável é verificarmos, como tantas vezes ocorre, a libertação de arguidos acusados de crime de incêndio que aguardam em liberdade provisória o termo do processo. Aproveitando para atear mais uns quantos fogos.

  9. O que esperar da classe de pessoas mais execrável de Portugal – políticos? Infelizmente rigorosamente nada.
    Sinto que pagamos muito caro a liberdade e a democracia.
    Portugal tem cerca de 11 milhões de pessoas e uma governação democrata com pessimismos resultados para as pessoas. Existem no mundo cidades com mais habitantes do que Portugal! Deve ser uma loucura a gestão da entidade responsável. Nem consigo imaginar.
    A realidade dos incêndios não é nova. Já existe há muitos anos. E a governação tem alimentado o orçamento de combate aos incêndios. Estranho? Sinceramente não é estranho face aos incompetentes, falsos, oportunistas, mentirosos, vaidosos, corruptos, sacanas,…que ao longo dos anos têm governado Portugal.
    Veja-se o exemplo de que recentemente tentaram convencer da “responsabilidade” do eucalipto e hoje deflagra um incêndio no Fundão onde pomares de cerejeiras estão em perigo. Conclusão: as cerejeiras também ardem. Só a governação e oposição é que não arde. Responsabilidade não é com essa classe, nem com quem os apoia em troca de contrapartidas, muma perspetiva de amizade falsa e, claramente interesseira. Onde a permiscuidade é dominante, mesmo em classes que se intitulam de independentes, mas a verdade e a justiça, há muito tempo que deixaram de fazer parte da forma de ser e de estar.
    Como cidadão sinto-me triste e revoltado vom tudo isto e não acredito que a participação nas eleições mude alguma coisa. Essa e a lei é igual para todos, são duas grandes mentiras que esta democracia nos incutiram.
    Como referi: pagamos muito caro a liberdade e a democracia.

  10. Realmente é um crime. Mas um crime especial. Não sabemos quem são os criminosos, não sabemos quais são as suas motivações (a oposição tinha uma – cavalgar a desgraça – mas penso que eles não seriam tão vis). Não sabemos a quem aproveita o crime.
    Logo é um crime feito por criminosos que não se sabe quem são por razões que não são conhecidas e que não aproveita a ninguém. É um crime esquisito, para dizer o mínimo.

    Podemos talvez falar de crime de negligência, mas dizer que a negligência na serra da Gardunha se deve exclusivamente aos que habitam em Lisboa, e os que vivem no terreno são inocentes é esquisito, para dizer o mínimo.

    Este é um caso flagrante em que se prova que o Estado mínimo por si só não resolve nada. O ordenamento do território tem sido deixado às leis do mercado e à iniciativa privada. O que tem sido defendido por unhas e dentes pelos nossos austeritários. Menos quando a desgraça lhes bate à porta. Aí gritam aqui-d’el-rei que o Estado não nos acode.

    Sugiro-lhe uma solução: Declare guerra aos incêndios, vai ver que fica tudo resolvido.

    1. Há o estado mínimo

      Há o estado máximo. Num desses estados ocorreu, por exemplo o acidente nuclear de Chernobil – o mais devastador de que há memória:
      http://www.bbc.com/portuguese/internacional/2016/04/160426_chernobyl_ucrania_aniversario_imagens_fd

      Há ainda o estado de ridículo máximo.
      Onde se inclui este exemplo:
      http://sicnoticias.sapo.pt/especiais/tragedia-em-pedrogao-grande/2017-06-18-PJ-identifica-arvore-atingida-por-um-raio
      Não é preciso declarar guerra alguma. Basta recorrer aos préstimos do director da PJ, especialista em identificar árvores incendiárias.

      1. Não me diga que o Japão é um estado máximo, nunca ouviu falar de Fukushima?

        E de Tree Miles Island? Aconteceu num estado comunista não foi?

        Parece que os acidentes não escolhem dia nem regime político.

        O que noto é que parece que há quem reduza o Estado a um bode expiatório barato.

        Continuo sem saber quem são os criminosos nem o que os move.

        Quanto ao inquérito às causas do incêndio de Pedrógão, vais ser como o inquérito ao acidente de Camarate: Vão se fazer os inquéritos judiciais e parlamentares necessários e suficientes até se ter a resposta que se quer, considerando nulos todos os que não confirmarem as suspeitas. Em camarate foram 27 ou 28, já não sei bem.

        1. Típico raciocínio comunista: quando vos tocam nos pergaminhos (e Chernobil é “património” vosso) disparam sempre noutras direcções, entrando em processo de negação.
          O doutor Segismundo explica isto muito bem.

          Conclusão: Chernobil nunca aconteceu.
          Nem o Gulag.

          1. Estava eu muito bem a ler um post sobre incêndios e eis que a questão passa a ser se Chernobil existiu ou não.

            Quando faço notar que além de Chernobil já houve acidentes do mesmo género noutros países, a douta conclusão é que falo deles porque sou comunista.
            Parece que um defensor das liberdades não reconhece senão Chernobil, o único sítio onde o átomo é comunista.

            Como maneira de fugir ao assunto que não se quer responder não está mal.

            Se não me engano o assunto que eu levantei é a estranheza que me causa tantos defensores do Estado mínimo estarem ofendidos porque o Estado não tem uma presença máxima.
            Querem o Estado mas não querem pagar os impostos. Eu também não gosto de pagar impostos, mas não há omeletes sem ovos.

          2. E, desconversando à boa maneira comunista, lá passou da tragédia dos fogos ao pregão da ideologia.
            Seja qual for o tema em discussão, vocês são incapazes de debater sem recurso à muleta do jargão ideológico. Metido a foice e a martelo.

          3. Quanto a puxar o assunto para a político terá de queixar -se a quem escreveu isto:
            “A fúria, a mágoa, a frustração, a impotência perante o crime e os palradores de sofá em Lisboa que nos intervalos das tricas políticas ainda ousam apontar o dedo acusador aos poucos que persistiam em morar nas zonas agora devoradas pelas chamas, acusando-os de plantar o que não deviam.”

            Quanto a Chernobil queixe-se de quem citou isto:
            “Há o estado máximo. Num desses estados ocorreu, por exemplo o acidente nuclear de Chernobil – o mais devastador de que há memória”

  11. Hoje é feriado.

    Hoje há fogos activos, infelizmente e, por isso, a comunicação social mostra os horrores que as chamas provocam.

    Como hoje há fogos activos, mostram-se e fala-se, também, dos antigos, com os seus cortejos de desgraças já contados.

    Hoje não há anúncios de candidaturas no PS, nem no PSD, nem no Bloco, nem CDS, nem CDU e, portanto, não se fala tanto deles.

    Hoje não há acções publicitadas do Governo e, portanto, nada se diz da actividade governamental.

    Hoje é um dia sem notícias que não sejam as desgraças dos fogos, as quedas de árvores, mas sem discursos inflamados.

    Hoje é feriado e, portanto, é o vazio; os portugueses estão na praias a “estornicar”, os políticos estão a preparar os discursos inflamados, os emigrantes no habitual vai e vem das deslocações de Verão, os padroeiros são celebrados e, reina a caos “incendiário” neste cantinho.

    Poder-se-ia editorializar sobre os malefícios dos fogos, das preocupações das cheias e das inundações, poder-se-ia opinar sobre os problemas da saúde e da educação, do desemprego, da retoma, por substituição das desgraças passadas.

    Poder-se-ia falar de cultura, dum bailado, dum concerto, duma exposição que houve ou vai haver.

    Mas não; hoje é feriado e os portugueses descansam na paz duma sardinhada feita numa mata, duma beata mal apagada com o pé ou que se deita pela janela do carro, duma ultrapassagem feita à “maneira”, duma corrida feita fora dum autódromo, dum banho tomado fora da zona vigiada, na digestão duma “almoçarada”, num comboio que ateia fogos, de mãos criminosas.

    Hoje é feriado e, Portugal recomeça amanhã.

    Só não é feriado para os que combatem os incêndios (chamados agora de operacionais), para os que comunicam o que os combatentes fazem e os meios de que dispõem, para os que defendem as suas casas e os seus outros bens.

    Estes não foram a banhos.

    Os outros ouvem, vêm e/ou comentam.

    Todos são portugueses, todos somos responsáveis, um pouco ou muito, pelo que está acontecer.

    Até quando?

    Rui Carlos

      1. Claro que concordo com a sua afirmação.

        Apenas não sei a verdadeira proporção entre o número do que agora se chamam ignições e número destas ateadas criminosamente.

        Alguém o deverá saber ou estará a investigar. Talvez o saibamos no futuro.

        Contudo há, para mim, uma verdade indiscutível.

        Após a deflagração do fogo e, se esta não é “morta à nascença, a sua propagação é extraordinária.

        E, é aí, que reside a minha verdade indiscutível, o tema da manutenção (particularmente a preventiva)

        Faltam muitas coisas que deveriam estar feitas porque já pensadas politicamente, socialmente, em termos agrícolas e florestais, etc.

        Mas uma das que falta fazer é a limpeza rural, florestal e urbana.

        Mas os portugueses, muitos seguramente, não sabem, não querem saber da manutenção preventiva (afinal uma acção de prevenção).

        Alguns porque não podem e outros porque não querem.

        E isto é verdade nos campos, nas florestas, nos jardins, nas estruturas urbanas (estradas, edifícios, etc.).

        Quantos de nós estão preocupados, por exemplo, com a segurança das suas redes de gás, de electricidade, de água, das fachadas dos prédios, dos acessos, dos equipamentos de drenagens de águas pluviais etc. Isto na nossa casa.

        Talvez seja o momento de pararmos para reflectir.

        Ou talvez não, estamos a caminho das eleições autárquicas e, o tema da manutenção talvez não dê votos. Só as inaugurações.

        Oportunidade perdida? Espero que não.

        Atentamente

        Rui Carlos

        1. Veremos se dá votos ou não. Mas face à tragédia nacional dos incêndios essa é uma questão quase irrelevante.
          Tem de haver um pacto nacional, interpartidário, para pôr cobro a isto.

  12. Os fogos têm sido um “precioso” alimento para as audiências televisivas…
    Repetem até à exaustão as mesmas imagens em quase todos os noticiários …
    dando um retrato deprimente de como o problema está a sendo abordado pela CSocial em geral.
    Ouvi na TVI : – ” O fogo está perto da aldeia… deixa-me perguntar a este senhor:
    está preocupado?
    ….
    A nossa esperança é a ressurreição do D. Diniz Capoula Sebastião … ” O mata eucaliptos”

    1. É evidente que as TV’s se espojam alegremente nestes dias. Mas as imagens estão ainda longe de conseguir mostrar a dimensão do que está a acontecer. E sabemos qual é a alternativa: enfiar a rolha e limitar-se a mostrar a denodada Patrícia nos seus briefings diários…

  13. Era a altura de um Presidente com eles no sítio e não um choramingas chamar um primeiro ministro e dizer-lhe ” ou acaba com esta incompetência ou demita-se”

  14. onde havia árvores nada mais haverá doravante do que mato rasteiro e daninho

    Não. Boa parte das árvores resiste aos incêndios. Seja porque só a casca se queima mas o interior sobrevive, seja porque as raízes sobrevivem e voltam a dar rebentos.

    Dois eucaliptais meus arderam no ano passado. Este ano já estão todos viçosos, cheios de rebentos novos. Sem que eu lhes tenha feito nada, a não ser mandar cortar os troncos queimados.

    E aqueles dois grandes fogos que no passado houve na serra algarvia? Os sobreiros que arderam permaneceram todos vivos, e lá estão. Só a cortiça exterior se queimou.

  15. como se só em Portugal houvesse temperaturas altas e florestas desordenadas

    Não as há só em Portugal, é verdade. Mas Portugal tem uma produtividade primária (a quantidade total, em quilos, de vegetação que cresce num metro quadrado de terreno durante um ano) muito superior à da generalidade dos países europeus. Com a agravante de que essa matéria verde cresce continuamente, sem parar, ao longo de todo o ano – uma terra que seja limpa em abril já estará em agosto toda coberta de mato bom para arder. A produtividade primária em Portugal é imbatível. Uma terra para estar limpa tem que ser limpa duas ou três vezes por ano. E não há dinheiro que pague isso, porque a maior parte da terra em Portugal dá muita erva, mas pouco ou nenhum lucro.

  16. Os investigadores dizem que menos de 30% são fogos provocados (alguns intencionalmente). Os peritos dizem que os eucaliptos são sem razão indicados como os maus da fita. O trabalho que se deve fazer no inverno é o unico que pode reduzir os fogos. Um incendio depois de começado nas condições de abandono em que estão os nosso campos, é impossivel de parar dizem os tecnicos.
    Sabendo isto melhor que eu não entendo o seu post.(Não percebendo nada de fogos, na minha opinião , não concordo de maneira nenhuma com ele).

    1. Não concorda com quê?
      Que a grande maioria dos fogos tem origem criminosa?
      O próprio Governo aponta nessa direcção, como não podia deixar de ser:
      http://www.msn.com/pt-pt/noticias/portugal/governo-diz-que-h%C3%A1-m%C3%A3o-criminosa-nos-inc%C3%AAndios-em-portugal/ar-AAqb7dG
      Há “origem humana” em 90% dos fogos, garante o ex-comandante operacional nacional das operações de socorro da Protecção Civil, que sabe muito mais do assunto do que você e eu:
      http://www.jn.pt/nacional/interior/origem-humana-em-90-dos-fogos-4724939.html
      Se pelo menos metade dos incêndios começam de noite, como também está documentado, esse facto basta para validar a tese da mão criminosa:
      http://ominho.pt/metade-dos-incendios-florestais-dos-distritos-braga-viana-do-castelo-comecam-noite/

      1. Para si mais que para mim é importante que pense e use factos e não convicções. Sem querer entrar em polémicas veja o RTP2 ontem 16 Agosto as 21h30 que teve um antigo responsavel da PJ sobre incendios. Mas não use crenças, porque escreve publicamente. Eu só me engano a mim e as convições dos meus doutoramentos na facebook. No seu caso escreve para milhares.

        1. O que lhe trouxe aqui foram factos. Notícias com declarações atribuídas. De especialistas na matéria.
          Todos apontando para a origem criminosa da esmagadora maioria dos fogos. Que em grande parte começam de noite, não por acaso.
          Continuo portanto sem perceber de que é que discorda.

  17. Perante a desfaçatez do Governo e a inoperância das forças de protecção civil o PR devia dissolver o parlamento.

    1. Você deve ser pró-árabe e comunista, gosta de coisas desérticas e de tudo queimado para nada tapar a vista para o olho do cú do Sauron.

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