Identificar medidas de poupança de custos através de uma exaustiva revisão dos gastos de cada Ministério e da racionalização das despesas não relacionadas com salários e pensões, que actualmente representam uns assombrosos 56% do total da despesa pública.
Da carta enviada pelo governo grego ao Eurogrupo. Tradução minha.
A carta está cheia de propostas vagas, sem quantificação de resultados previstos, mas tem no mínimo uma utilidade: demonstra que a Grécia precisa menos de perdões de dívida do que de uma gestão minimamente competente. Tomara o governo português ter disposto de uma margem como a revelada no trecho acima.
Versão original do parágrafo traduzido:
Identify cost saving measures through a thorough spending review of every Ministry and rationalisation of non-salary and non-pension expenditures which, at present, account for an astounding 56% of total public expenditure.

E, se bem entendo, o que dizem é que pretendem racionalizar as despesas NÃO RELACIONADAS com os tais 56% da despesa. Assim sendo, o astounding é para continuar assombroso.
Creio que é com as relacionadas com os 56%. O que tem lógica, desde que o façam mesmo e não pelo lado do aumento de salários e pensões (o que baixaria a percentagem mas subiria a despesa global).
Um parágrafo daqueles deixa uma pessoa confusa… Que valor se atingirá se àqueles 56% se adicionarem os salários e pensões? (Apetece dizer: mais de 100%…) E pretendem baixar substancialmente o valor em qualquer caso assombroso à custa dos consumos intermédios? Ó Varoufakis, engana-me, que eu gosto.
O José anda com traduções rápidas.
http://expresso.sapo.pt/os-alvos-de-varo ufakis-ricos-devedores-ao-fisco-contraba ndistas-e-monopolistas=f912126
http://expresso.sapo.pt/bom-sinal-para-a-g recia-presidente-do-eurogrupo-ja-marcou-t eleconferencia=f912158
Qual é o erro na minha tradução? De resto, acho muito bem que Varoufakis considere o número “astounding” e declare ir procurar reduzi-lo (desde que não faça pelo lado do aumento dos salários e pensões).
Estão lá os salários e a electricidade, José. Quanto ao seu outro comentário, não se precipite como a Alemanha o fez com o seu inter e exterland (Portugal e Espanha).
Se estão, o inglês do Varoufakis é muito “técnico”. De novo:
“rationalisation of non-salary and non-pension expenditures which, at present, account for an astounding 56% of total public expenditure”
Quanto ao resto, veremos nos próximos meses se a carta é mais do que um compêndio de boas intenções. Duvido mas ainda bem que a Troika (perdão, as Instituições) e o Eurogrupo não partilham o meu cepticismo.
Leia os links que disponibilizei e verá que está lá tudo. O futuro mostrará que os ajustes prosseguirão.
Já Há acordo, José. Não podia ser de outra forma. O caminho faz-se caminhando.
Já Há acordo, José. Não podia ser de outra forma. O caminho faz-se caminhando. eformas-entregue-pela-grecia-estara-em-l inha-com-os-compromissos-diz-comissao/
http://observador.pt/2015/02/24/lista-de-r
Eu sei que há acordo. E não nada no post contra o facto. Há apenas a constatação de que o governo grego tem onde cortar – de acordo com os seus próprios documentos (e adjectivos).
Quanto ao artigo do Expresso, desejo boa sorte aos gregos na tentativa de irem buscar aquelas receitas. E não estou a ser irónico (ou só um bocadinho).
Errata: “não HÁ nada”.
Há muito que eles mostravam que tinham onde cortar e como deviam fazer os cortes. O José parece-me incomodado por este acordo, que não ficará por aqui, ter sido alcançado.
As verdades incomodam muito… Negar a evidência é patético…
a Grécia precisa menos de perdões de dívida do que de uma gestão minimamente competente
É sempre tão fácil condenar os outros e ver o argueiro no olho deles!
Pergunto, que país (ou que empresa) não terá secções com gestões absolutamente incompetentes?
Nenhum (e nenhuma). So?
Se todos os países têm secções incompetentes, devemo-nos preocupar em eliminar as nossas incompetências, em vez de passarmos o tempo a acusar os outros de serem incompetentes.
Veja por exemplo o cadastro português de prédios rústicos. É uma coisa da mais gritante e chocante incompetência. A troica mandou-nos, em 2011, fazer um cadastro de jeito. Até hoje, três anos depois, nada foi feito (este ano encetou-se um projeto-piloto em seis municípios do país).
Ou veja os concelhos portugueses. 304 concelhos para o nosso território. Muitos deles sem capacidade técnica nem para fazer um mapa da Rede Ecológica. A troica mandou-nos em 2011 fazer uns concelhos de jeito. Três anos depois, essa reforma ficou deliberadamente pelo caminho.
Acusar os outros é muito fácil. Reconheçamos que eles têm as suas dificuldades e bloqueios, tal como nós temos os nossos.
Levando essa lógica ao limite, cada um de nós devia falar e tratar apenas de si próprio. A autarquia ou o país onde se vive já constituem entidades cheias de “outros”.
Quanto à fusão de concelhos, escrevi isto em 2011: 48038.html
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/35
Não mudei de ideias.
Trabalhei durante mais de 20 anos em 5 distritos deste país, vivendo nas sedes de pequenos concelhos em casas alugadas ou de empresa, convivendo com as pessoas pois tomava todas as refeições fora e tendo eu próprio que resolver problemas de cadastro predial das empresas que dirigi e que tinham propriedades espalhadas por aqui e ali, algumas situações com mais de 70 e até 80 anos.
O Luís Lavoura, como é frequente, fala do que não sabe.
Mas não é defeito seu, as grandes cidades estão cheias de teóricos que depois invocam ter uma casa de família algures, onde passam esporádicamente uns dias todos os anos, para darem lições a quem viveu lá.
Falo do que sei, pois tenho bastantes propriedades rústicas. O cadastro rústico português é uma vergonha. Tem uma correspondência muito longínqua com a realidade das propriedades. Uma pessoa não tem forma de saber quem é o proprietário de uma qualquer terra.
Ainda agora estive na Suíça e pude ver o que é o cadastro rústico lá. Em cada comuna suíça há um mapa, público, em que se mostram todos os limites de todas as propriedades rústicas da comuna e se diz quem é o seu proprietário e onde ele reside. Qualquer pessoa pode, sem ter que perguntar nada a ninguém, consultar o mapa e ficar a saber qual é o proprietário de qualquer terreno nessa comuna. Quando estaremos em Portugal em condições de dizer o mesmo?
Agradeço a sua resposta.
Não é que isso me sirva de consolo nenhum,aviso desde já, mas o espanhol ou o francês não são melhores e sobre esses também tenho quem me fale com bastante conhecimento de causa (o italiano não sei).
Isto para lhe dizer que a “cultura latina” terá provávelmente a ver com isso e que o seu exemplo da Suíça (que respeito) não me parece útil pois não estaremos nunca em condições semelhantes à Suiça em nada que implique organização como eles nunca estarão nunca em condições semelhantes a nós no que implique desenrascanço…
Portanto aprendamos com aqueles que nos são mais próximos em tudo e têm evoluído, são esses exemplos que é importante discutir.
Gostava portanto que me dissesse como é que se resolve um assunto em que os proprietários dos terrenos rústicos – algo que hoje em dia só dá chatices e nenhum lucro – são os primeiros a borrifarem-se para regularizarem a mais pequena situação e nem o cuidado de olhar para as cadernetas e verem se estão correctas muitas vezes têm.
Voltamos assim ao início e eu admito ter-me explicado mal.
O Luís Lavoura conhece o seu caso pessoal e decerto outros, em determinada(s) zona(s) do país.
Mas parece desconhecer como isto tudo nasceu e se manteve durante muitas décadas, entregue a funcionários e proprietários pouco “cuidadosos”.
Nuns sítios apanhei os problemas das famílias desavindas ou das heranças não declaradas, noutros os “desleixos” variados de conservatórias do tempo da outra senhora, noutros os dois juntos, o cardápio todo, cada cavadela sua minhoca.
Que ainda ninguém pegou nisto a sério, tem toda a razão.
Mas quando se mantêm 3 ou 4 concelhos contíguos com menos gente todos juntos que qualquer avenida maiorzita de Lisboa, o problema está identificado para mim.
Eu não sei como se resolve o assunto, mas sei que ele tem que ser resolvido.
E aquilo que afirmei foi que o nosso cadastro rústico é uma vergonha e que o governo ainda não fez esforço nenhum para o melhorar; não disse que fosse fácil fazê-lo. Disse apenas que estava no programa da troica a obrigatoriedade de o fazer e que o governo não cumpriu (e nem sequer se esforçou por cumprir).
Quanto a Espanha e França e Suíça, permito-me discordar de si. Devemos tentar imitar os melhores (os suíços), não apenas aqueles que alegadamente nos são mais próximos culturalmente (os espanhois ou os franceses). Os suíços são uma mescla de culturas, estão próximos tanto da França e da Itália como da Alemanha, e aquilo que você verifica é que quando passa de qualquer país vizinho para a Suíça nota loga a diferença. Aliás, o mesmo é verdade quando você passa de Portugal para a Espanha, nota logo a diferença no arranjo da terra – os espanhois podem talvez ser culturalmente próximos de nós, mas têm a paisagem rústica deles a anos-luz da nossa.
Mais uma vez agradeço a sua resposta.
Pois foi isso que eu disse: tem que ser resolvido e dei-lhe razão.
No entanto há aqui algo que me parece distinguir os nossos modos de encarar o assunto: eu sempre trabalhei na indústria (bastante ou mesmo muito) pesada, onde o como resolver os problemas de forma pragmática se sobrepunha à perfeição do método a utilizar, para quem tinha essas responsabilidades nas empresas.
O método era importante e fundamental, mas um método adequado ao local e às pessoas, a procura da perfeição levou sempre a que não houvesse dinheiro para pagar ordenados nem fornecedores ao fim do mês.
Tanto assim que quando fui convidado para dar algumas aulas como “convidado”, nos anos que trabalhei no distrito de Lisboa (cidade onde nasci e sempre tive a família), pedi para dar uma aula “à experiência” e acabei por não aceitar- ninguém ía ganhar nada com aquilo, as linguagens eram diferentes.
Quanto ao resto não sei que lhe diga: viajo na Europa desde os 3 anos (portanto há 65) e falo várias línguas.
O que me diz eu conheço há muitos anos e concordo consigo.
Mas o que eu também conheço há muitos anos é a maneira de estar nestas coisas e noutras dos meus concidadãos.
Para mim os objectivos devem estar escalonados por etapas, tal como quando se tem um filho ou um neto “calão” no liceu (tive disso e tenho disso) não é a insistir que ele seja o melhor da turma que vamos lá: ele sabe que isso é impossível e portanto nem se esforça.
O mesmo se passa neste campo em que está tanto por fazer.
Quanto a nós, eu distinguiría entre o interior norte, o interior sul e o litoral, vivi em todos (de resto neste momento escrevo-lhe duma casa que tenho no interior beirão).
E portanto quando se refere à passagem para Espanha terá que me dizer a que fronteira se refere.
Cumprimentos
eu distinguiría entre o interior norte, o interior sul e o litoral
A propósito dessa distinção, eu diria que deveria ser exequível fazer um cadastro atualizado das terras no Alentejo, onde as propriedades são grandes e, em geral, os proprietários têm interesse nelas. Seria um começo.
Totalmente de acordo que deveria ser por aí que se devia começar.
Durante muitos anos do século passado houve por lá muito “descuido burocrático” precisamente porque os proprietários não eram muitos e pouca gente discutia limites, as propriedades confinavam com outras que tais de grande dimensão.
Também andei por lá 6 anos e aí o problema era mais a “desarrumação” nos registos, pois quando quis arrumar “a casa” (já agora que ali estava…) confrontei-me com um espírito do tipo “isto é tudo tão grande que mais um bocado menos um bocado…”, o que não era para mim aceitável do ponto de vista do correcto conhecimento e clara definição do património de uma empresa.
Totalmente diferente do interior norte, onde tinha estado 6 anos e me tinha preocupado também com esses aspectos de “arrumação”, pois aí os proprietários (e mais uma série de gente) têm ideia de onde acaba o que é deles e começa o do vizinho e qualquer tentativa de mudar extremas acaba ao murro quando não mesmo a tiro…
Isto vai lá é com fisioterapia após a cirurgia. Varoufakis, aprende!