Assim se vê a força do PC


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Um abaixo-assinado tornado petição fez o malfadado Acordo  Ortográfico de 1990 regressar à Assembleia da República. Só o PCP a ele se opôs. Os outros partidos? Renovando, cada um com o seu trinado, o apoio a esta “coisa”.

Após a democracia a mentalidade colonial (uma visão do mundo, e uma concepção de Portugal nesse mundo) continuou resistente no país. Muito vigorosa, particularmente na direita profunda e no republicanismo do PS, que a este foi âmago – tudo muito consistente com a história colonialista da I República e do advento do Estado Novo. Foi esta via, trôpega, inculta (ainda que adornada de títulos), aliada à velha guarda da oposição democrática brasileira, esta até ridícula nas suas retóricas de então, que deu azo ao A090, um patético acto de colonialismo fossilizado.

Pelos vistos, 44 anos depois do “Democratizar, Descolonizar, Desenvolver” o único partido que se conseguiu elevar a uma descolonização foi o PCP. Ficam os outros patetas agarrados ao sonho homográfico como alimento da “comunhão de interesses e sentimentos”, a abjecta e inútil retórica desta gente. E ficam os respectivos “intelectuais orgânicos” (vá, venham-me lá tecer loas aos “de Argel” e aos ex-adeptos das FP-25) a focinhar no disparate.

Nem que seja por um dia …Avante Camaradas.

 

12 comentários em “Assim se vê a força do PC”

  1. “Where have all the flowers gone”.

    O tempo das Natálias e dos Alegres e dos Tiagos no hemiciclo já la vai. Neste momento a Língua é moeda de transacção – e vale menos cá que além-mar.

    E não acho que seja apenas o espírito colonialista que está ao luso leme do AO90, é também o excesso de colagénio: a incapacidade de aceitar a divergência natural aumenta com o dobrar da espinha.

  2. O meu aplauso à bancada parlamentar comunista, em sintonia com o pulsar da sociedade portuguesa e com a quase totalidade dos escritores, utentes qualificados deste nosso idioma tão maltratado pelos burrocratas de turno.

    1. É mesmo. O AO90 é um defeito, refutado pela “pronúncia culta” que apregoa salvaguardar. A “classe” política vira as costas à racionalidade, à sociedade, em nome de uma vetusta utopia. É mostra da sua inércia intelectual e do desfasamento face à sociedade

  3. “Rais me partissem já!”
    Então não é que, e com esta idade , pela primeira vez na vida, julgo, estou de acordo com o PC?
    Creio que aqui não se trata de “pulhítica” – trata-se, isso sim, de afirmação de Identidade Pátria.

    1. ” Rais me partam também!!! ”
      Partilho o seu pensamento. Nunca, com os meus enviesados “17” anos ousei pensar que podia esboçar um laivo de concordância com vermelhuscos. Safa!

  4. Este quase consenso, da esquerda à «direita», quanto à manutenção de uma perversão de uma componente fundamental da cultura nacional, é apenas mais um motivo (outros, igualmente fortes, existem) que justifica uma mudança de regime neste país, com a consequente exclusão (e, em alguns casos, prisão) dos «políticos» que manifestamente não sabem, não conseguem e/ou não querem defender o verdadeiro interesse público.

    1. A exclusão dos politicos faz-se através da crítica. Um tipo vai sendo derrotado, é certo, mas não há dúvida que água mole em pedra dura tanto bate até que … nada.

  5. Sempre há gente muito estúpida! Viva o Partido Comunista Português, único que se portou à altura da língua que fala.

  6. Se existe partido verdadeiramente conservador dos princípios identitários deste povo, ele leva por nome PCP. À parte as aventuras bolcheviques dos idos tempos revolucionários, com uma facção popular e militar que os apoiava mais por avidez de lagosta, camarão e vinho “bão” que propriamente por uma ânsia de colectivismo que nunca existiu e não existe.

    Voltando aos princípios. Mas isto também se aplica em matéria económica. Se reparou a defesa do tecido produtivo português, as micro, pequenas e médias empresas, que absorvem a enorme fatia de mão-de-obra nacional e também europeia, sempre foram objecto de salvaguarda por parte do PCP. As grandes intervenções deste partido em matéria de mobilização de trabalhadores tem-se centrado nas grandes estruturas económicas, em particular no sector industrial, financeiro e da distribuição.
    E eles tinham e têm razão.
    Curiosamente, o neoliberalismo europeu começou a render-se a estas evidências.

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