A entrevista de António Sampaio da Nóvoa à RTP Informação – muito bem conduzida por Vítor Gonçalves, um dos melhores entrevistadores actuais da televisão portuguesa – permitiu mostrar enfim ao País o candidato presidencial apoiado por uma parte do PS.
Confirma-se: é uma solene vacuidade.
Sampaio da Nóvoa surge como emanação directa do brilhante “laboratório de ideias” pessoais de Mário Soares, de onde na última década já haviam saído o próprio Soares, em marcação cerrada a Manuel Alegre (o que entregou a Presidência de bandeja a Cavaco Silva em 2006), e Fernando Nobre (novamente para travar o passo a Alegre). Mas Alegre e Nobre – como Almeida Santos, que Soares em vão planeou lançar, como sucessor de si próprio, nas presidenciais de 1996 – tinham percurso e biografia. Nóvoa, pelo contrário, nada tem para exibir além das suas respeitáveis credenciais académicas e de umas quantas frases grandiloquentes mas vazias de conteúdo político, como a que rematou a entrevista de ontem: «Os livros são a vida, está lá tudo.»
A frase, de algum modo, revela o candidato. Até ao momento em que decidiu apresentar-se na corrida a Belém, após conversar com «milhares de pessoas» (das quais apenas menciona Soares), Nóvoa notabilizou-se na vida pública por dois discursos: um pronunciado no 10 de Junho de 2012, a convite de Cavaco, e outro em Novembro de 2014, no congresso do PS, a convite de António Costa.
Tinha 19 anos quando aconteceu o 25 de Abril: o que fez na altura? O mesmo que já fazia na véspera da revolução: estudava e jogava futebol em Coimbra. E durante o febril processo revolucionário? E na ressaca do PREC? E militou antes, de algum modo, contra a ditadura?
Tudo na mesma linha, tão vaga como nevoeiro.
Durante décadas, nada dele transpareceu fora das opacas paredes da Academia. É especialista em História (como Pinheiro Chagas, vergastado por Eça numa das mais célebres polémicas de que há memória cá na terra) e sempre foi «de esquerda». Sem no entanto revelar aos compatriotas que ignoram tudo sobre ele quais foram as suas opções de voto nestas quatro décadas.
Entende que «há uma democracia que vai para além dos partidos», frase que já Otelo proclamava em 1975 e pouco grata vinda de um candidato que se prepara para ter um aparelho partidário a fazer-lhe a campanha.
Só por insistência do entrevistador, já no final, introduziu na sua prédica a necessidade de combater a corrupção – matéria essencial na política portuguesa. E jura que, se fosse Presidente da República, teria dissolvido a Assembleia da República em Julho de 2013, a pretexto da saída de Vítor Gaspar e do momentâneo arrufo de Paulo Portas – apesar de haver uma sólida maioria parlamentar e o País, sem acesso aos mercados financeiros, se encontrar então sob assistência externa de emergência. Transformando assim, por contraste e certamente sem intenção, Cavaco Silva num estadista.
Ao escutar Sampaio da Nóvoa, dei por mim a lembrar uma expressão que ouvia muito quando era miúdo: «Este quer assentar praça em general.»
Envolto em névoa, é mesmo isso que pretende Nóvoa: assentar praça em general. Sem tirocínio político, sem percurso cívico conhecido dos eleitores que serão convocados às urnas em Janeiro, chega aos 60 anos confessando que tremeria perante a primeira crise séria se estivesse em Belém, lançando o País numa aventura irresponsável.
É pouco como cartão de visita. E, francamente, não se recomenda.

![SAMPAIO[1].jpg SAMPAIO[1].jpg](http://4.fotos.web.sapo.io/i/B980612ba/18371641_MUmel.jpeg)
Intriga-me a razão por que o Sampaio da Nóvoa é o candidato do PS. A sério que não percebo esta estratégia. As perguntas são inevitáveis: será que, no Largo do Rato, alguém acredita que o homem é mesmo o melhor para o lugar, ou sequer que tem hipóteses? Existem sondagens ou estudos de opinião a fundamentar esta opção? Perguntaram a alguém de fora do aparelho: “Olha lá, sabes quem é este senhor, tu ou alguém das tuas relações?” Ninguém por aqueles lados tem consciência de que poderão estar a dar de bandeja a presidência à direita? Depois de um presidente como Cavaco Silva, o PS parece estar deliberadamente a prescindir de um golo de baliza aberta…
Do “laboratório de ideias” do PS (vulgo, Mário Soares) a direita só pode esperar o melhor. Daí as vitórias oferecidas de bandeja a Cavaco Silva em 2006 e 2011.
E planeia a RTP Informação fazer entrevistas aos outros que já formalizaram também a sua candidatura, alguns dos quais como maior intervenção pública e política nos últimos anos, como Paulo Morais ou Henrique Neto?
Caso contrário, irá a CNE impor à RTP que o faça, conforme é sua obrigação legal, ou vamos apenas considerar que a RTP decidiu fazer uma entrevista a um antigo reitor, e que só acidentalmente a entrevista estava relacionada com as futuras eleições.
Jogar com as regras do Casino, favorece sempre o Casino, mas ainda assim nenhum Casino se atreve a deturpar tão estrondosamente as desvantagens dos participantes.
Eu faria exactamente as mesmas perguntas do comentador De da Maia. Veremos as respostas…
Ainda nada foi comunicado nem á CNE nem ao Magno regulador.
Ao Corpo Nacional de Escutas?
Obrigação de serviço público não permite outro cenário, Helena. Por mim, estarei atento.
E eu também, já que estou muito interessada em saber como se comporta a novel estação pública!
Esta entrevista ao candidato Pinheiro Chagas surgiu por lapso na RTPi. Devia ter sido exibida no Canal História.
Para quem não viu a entrevista ficou aqui clara a revelação do escuro negativo de laboratório.
Confesso que a entrevista me deixou algo enevoado.
«E jura que, se fosse Presidente da República, teria dissolvido a Assembleia da República em Julho de 2013, a pretexto da saída de Vítor Gaspar e do momentâneo arrufo de Paulo Portas.»
Ou seja, Sampaio da Nóvoa seria outro… Sampaio.
Um contrafeito a impingir requentados fora de prazo sanitário.
Nem mais!
Tem toda a razão!
é uma solene vacuidade
Não pondo isto em causa, questiono:
(1) E alguns outros candidatos pré-anunciados, não o são também? Por exemplo, Marcelo Rebelo de Sousa – não é também ele uma vacuidade, um indivíduo que só fala, fala, caga sentenças sobre tudo e mais alguma coisa, mas nada de útil faz? Porque acusa o Pedro Nóvoa de ser vácuo, mas não faz a mesma acusação a outros?
(2) Para que necessita o Presidente da República de ser algo mais do que vácuo? Ele não tem poderes basicamente nenhuns. É uma figura vazia de poder, portanto não faz mal nenhum que seja também vazio de tudo o resto.
O Luis Lavoura refere-se aos PR portugueses em geral, ou a este último em particular, que por não estar vinculado ” à esquerda” é uma figura vazia de poder ?
Refiro-me à figura do Presidente da República tal como ela existe na Constituição. Afirmo que o PR em Portugal, de acordo com a nossa Constituição, praticamente não tem qualquer poder efetivo.
Só por insistência do entrevistador, já no final, introduziu na sua prédica a necessidade de combater a corrupção – matéria essencial na política portuguesa.
Sim, mas, afirmar essa necessidade é completamente vazio de sentido se não se disser como é que se pode fazer isso.
Ou seja, afirmar que se deve combater a corrupção é parte desse mesmo vácuo que o Pedro condena.
Ainda não vi ninguém a fazer propostas concretas (e legalmente e constitucionalmente válidas) para combater a corrupção.
Numa breve passagem que fiz pela última emissão d’O Eixo Do Mal, ouvi Daniel Oliveira dizer (sem sequer corar) algo como “quer queiramos quer não, Sampaio da Nóvoa tem um percurso político”. Felizmente, todos os seus companheiros de painel desataram a rir-se na sua cara.
As coisas que eu perco por não acompanhar esses programas humorísticos…
Não vi, nunca vejo ao não perceber o “motivo”. E, claro, não gostei.
Obrigado ao Pedro Correia por este… serviço público.
Agora, cuidado com os sms 🙂
Confesso ter gostado muito mais do programa anterior, Zé Luís. Refiro-me ao Barcelona-Bayern (3-0).
eheh, deve ser por isso que não vi a entrevista, anzi, nem sabia dela 🙂
Passar de Messi para Nóvoa é um choque.
Trazer uma academico que sempre lidou com a confortavel teoria para a vida prática e com consequencias por vezes graves pode ser arriscado. Temos visto exemplos ultimamente que nos ajuda a ser cautelosos.
Como cantava Sérgio Godinho em 1974, “só quer a vida cheia quem teve a vida parada”.
Na mouche, meu caro Pedro.
À medida que a “procissão” começar a andar, estou seguro que outras facetas do CV se conhecerão.
Abraço
ES
Espero que este seja o primeiro de muitos comentários a pretexto das presidenciais, meu caro Eduardo. Mantendo uma tradição do DELITO.
Um forte abraço, esperando rever-te em breve, agora no tempo das cerejas.
Sampaio da Nóvoa não é um “player”. Isso é certo. Mas dado que foram os “players” dos últimos 30 anos que nos trouxeram até aqui.
E não percebo a acusação de vacuidade. Um presidente deve apresentar princípios e uma visão do exercício do cargo. Pouco mais. O programa de governação é coisa do governo.
Agora, num país decente, com um presidente decente, este governo tinha caído 3 vezes ou quatro. O regular funcionamento das instituições foi posto em causa por diversas vezes. A começar nas promessas de campanha rasgadas logo na tomada de posse, e passando pelas sucessivas inconstitucionalidades, crises irrevogáveis, ministros insustentáveis que ainda por lá estão, etc etc etc.
Para o L Rodrigues este governo é como Cristo, caía mas levantava-se, umas vezes com ajuda, outras não.
Quanto ao resto, percebe-se que o L Rodrigues acredita em bruxas e que está convencido que se o A Costa chegar ao governo vai cumprir as promessas que fez até agora e as que vai continuar a fazer. Todas. O L Rodrigues não está só. Há gente assim.
Olha… um bot…
Na realidade o “l.rodrigues” é que é um bot e um grande bot!
Vira o disco e toca o mesmo, não tem outro…
“…que nos trouxeram até aqui”.
Sempre a mesma conversa de coitadinhos que não têm culpa de nada e são vítimas de tudo e todos.
A mim quem me “trouxe até aqui” onde estou fui eu nos últimos quase 70 anos.
E se tivesse que me queixar alguma vez era de mim porque tinha feito tudo o que tinha a fazer para estar “noutro aqui” qualquer.
Mas como quem me lê por aqui sabe nunca por nunca me queixo, isso é a conversa dos falhados.
Sim senhor, é o herói do seu reino.
Entretanto, no mundo real, debate-se política e poder. Coisas que têm o seu quê de colectivo. Uma coisa é a vida de cada um, em que cada um faz o melhor que pode, outra coisa é a vida de um país, resultado de vontades colectivas. Umas mais oportunistas e organizadas que outras, certamente. Todas bem intencionadas, por certo…
Do meu reino e não só, mas isso são outras histórias.
Mas não sou herói nenhum, não sou é um cobardolas escondido atrás das culpas que são sempre dos outros, que é coisa diferente.
E exactamente por o ser do meu reino e não só fiz, faço e espero bem que a minha “saúde de ferro” aos 68 anos me permita continuar a fazer muito mais pela “vida de um país”, o meu e o seu, do que escrever banalidades bem intencionadas em caixas de comentários.
Citar vontades colectivas por sistema é a prova provada das impotências individuais: não há vontades colectivas, há indivíduos com os seus interesses e egoísmos que por vezes coincidem.
Não se debate política e poder nenhum senão nas caixas de comentários.
Saia à rua, ande por aí 3 a 4 horas por dia, almoce onde calhar, use o autocarro como eu uso apesar de ter carro(s) e dinheiro para andar com ele(s).
Ouça as pessoas, todas as pessoas, as que não estão a falar para si e portanto a querer ser minímamente simpáticas consigo.
E se puder (eu posso) viva metade do mês em Lisboa e a outra metade num concelho banal com 15 mil habitantes, aprende-se muito (tudo) sobre “o seu quê de colectivo”…
Uma boa noite para si
“…porque NÃO tinha feito tudo…”, claro.
Já agora o que é que é “um país decente”?
É que quando leio isto tiro logo a conclusão, porventura injusta, de que a pessoa em causa não conhece mais país nenhum (*) nem lê jornais de tendências variadas noutras línguas.
(*) Ír em turismo onde quer que seja não vale a ponta de um chifre como conhecimento de um país.
Pretender que o Presidente da República tivesse dissolvido uma coligação com larga maioria no parlamento – e que, de resto, será a primeira cumprir uma legislatura inteira em 40 anos de regime democrático – é subverter por completo a letra e o espírito da Constituição da República.
Pretender que isso sucedesse em plena vigência do memorando de entendimento, quando Portugal não tinha acesso a financiamento autónomo e uma crise política dessa dimensão só faria disparar os juros da nossa dívida e acentuar um cenário de insolvência financeira, é juntar a irresponsabilidade política à ilegitimidade constitucional.
Até 1982, o Governo respondia perante o PR. Deixou de o fazer desde então. Responde perante a AR, que sempre lhe conferiu um apoio indiscutível (lembro-me só de um deputado do CDS da Madeira a votar contra dois orçamentos de Estado).
Felizmente não vigora entre nós uma variante de peronismo que permita a um qualquer Presidente da República dissolver a legislatura por capricho, cálculo político ou necessidade de mostrar “musculatura”. Recordo, aliás, que Cavaco empossou um governo minoritário (o de Sócrates em 2009) cumprindo precisamente os preceitos constitucionais. Por maioria de razão teria de sustentar um governo com maioria. Goste-se ou não dela. As coisas são o que são.
Um presidente, e um primeiro ministro, têm responsabilidades ajuramentadas. “Prometo pela minha honra bla bla bla…” está lá tudo…
Um governo que promulga sucessivamente legislação inconstitucional vindo tudo a bater com maior ou menor estrondo num Tribunal Constitucional, teria certamente tido mais cuidado se não tivesse um presidente a assinar de cruz.
Nao se trata de peronismo. Trata-se de não tratar o voto popular como um cheque em branco. E de haver alguém que lembre essa responsabilidade.
As deliberações do Tribunal Constitucional, que forçaram o Governo a expurgar os diplomas que estariam feridos de inconstitucionalidade, comprovam precisamente o normal funcionamento das instituições. Anormal seria o incumprimento dessas deliberações.
Agora imagine que se concretizava o cenário enunciado por Nóvoa se estivesse no exercício da função presidencial: dissolução da Assembleia da República em Julho de 2013 – no auge do programa de ajustamento financeiro imposto a Portugal pelas instituições internacionais. Seguiam-se meses de campanha eleitoral, de enorme agitação política, de fuga maciça de investimento, de manchetes negativas na imprensa internacional, de subida dos juros da nossa dívida pública – tudo para um de dois resultados a emergir lá por meados de Outubro desse ano: ou a recondução do executivo liderado por Passos Coelho ou a ascensão a primeiro-ministro de António José Seguro que, sem maioria parlamentar nem entendimentos à esquerda, se veria forçado a formar um governo de coligação… com o PSD. O mesmo Seguro que, por sinal, viria a ser expurgado pelo seu próprio partido, em referendo interno, escassos meses depois.
Vislumbra um pingo de lógica em tudo isto? Eu não. Por isso escrevi que, mesmo sem querer, Nóvoa acaba quase por transformar Cavaco num estadista.
Quer mesmo analisar as diversas medidas do governo e as intervenções de Cavaco à luz da Lógica? As únicas lógicas coerentes ao longo destes anos foram:
submissão acrítica à ditadura da troika, privatizar os lucros públicos/nacionalizar os prejuízos privados.
Só a adesão a estas lógicas permite justificar o desvario que isto foi (e ainda é, como a pressa em privatizar águas e oceanários…)
Já estamos a falar no Oceanário de Lisboa? Caramba, só mesmo neste país que demorou 15 anos a tirar da Constituição a cláusula das “nacionalizações irreversíveis” (no mesmo ano em que caiu o Muro de Berlim…), manteve durante esse tempo a banca comercial portuguesa sob monopólio estatal e tardou ainda mais a abrir as televisões à iniciativa privada. Só num país que manteve os principais jornais sob tutela do Estado (isto é, do Governo) durante toda a década de 80 (tal como inúmeros outros sectores da economia, das cimenteiras às cervejeiras), pode haver hoje uma polémica pública sobre a concessão do Oceanário a privados.
Verdadeiramente extraordinário. Temos o vício, neste país, de nos entregarmos acaloradamente a debates com três décadas de atraso.
Falando de política. A apreciação que faz, inteiramente legítima, é sua. Muita gente pensa de maneira diferente. O juízo será feito pelo soberano – isto é, o povo, no termo da legislatura, em Outubro, quando os portugueses se pronunciarem no local próprio, que são as urnas eleitorais. Aí esta maioria será julgada.
Transferir essa responsabilidade para o solitário inquilino do Palácio de Belém, que se chamasse António Nóvoa teria interrompido a legislatura antes sequer de chegar a meio, dissolvendo uma maioria parlamentar que se comprovou ser sólida pela convicção subjectiva de que estaria em risco “o regular funcionamento das instituições”, é conferir ao Chefe do Estado uma margem de discricionariedade e live arbítrio que excede largamente os seus poderes constitucionais. Sabendo nós que a lei fundamental portuguesa confere uma dimensão essencialmente parlamentarista e não presidencialista ao nosso sistema político desde a revisão de 1982.
Tanto assim é que o Governo responde perante o Parlamento e não perante o Presidente da República.
Uma das coisas mais divertidas destas trocas de opiniões é as certezas absolutas que muita gente tem de como faria o candidato A (de quem gostam) ou o candidato B (de quem não gostam) se fosse PR e tivesse que decidir na situação X ou Y.
Isto vindo de malta que habitualmente nem sabe bem o que há-de responder ao cônjuge lá em casa se tiverem opções diferentes quanto ao candeeiro da sala é patusquíssimo.
Mas tem o meu caro toda a razão quando fala no hábito de se debaterem coisas com três décadas de atraso.
Mas não é por acaso: como o mundo andou muito depressa essas pessoas sabem bem que a “vidinha” delas não vai mudar e a conversa é só para aliviar consciências, as tais que não fizeram nada nunca para mudar essas coisas na altura certa.
Qual Floydy Maywheather , qual que!! Pedro Correia é o boxer do século..Grande tareia que aviou no Sampaio da Nóvoa
Reconheço que o ilustre académico fez um esforço, embora inglório, em encher um enorme vazio…
Um abraço, João.
Não percebo esse endeusamento da militância partidária.
Isto parece gente que acha que ser “jotinha” até aos 40 e viver do que “pinga” do Estado através do conhecimento dos aparelhos partidários é que é o currículo perfeito. Pelo menos serviu para PM.
Ser reitor de uma universidade que procede a uma fusão pede mais habilidade política do que conhecer as “relvas” certas de onde pastar.
Tirando isto era bom que a direita fosse capaz de apresentar um candidato, mas parece que estão tão ocupados com a intriga política que nem se conseguem decidir. O candidato da Direita ainda acaba por ser o Marinho e Pinho por falta de comparência dos adversários.
Esse deve ser algum monstro submarinho, nunca ouvi falar de tal criatura.
Quem é que “endeusa a militância partidária”?
Julgo ter-se equivocado no destinatário.
Acho incompreensível, isso sim, que alguém que o 25 de Abril apanhou com 19 anos, quase 20, nada tenha feito no domínio político ou cívico à época. Como se o derrube da ditadura, a revolução e os primeiros passos da democracia portuguesa fossem irrelevâncias. E mais incompreensível ainda que tenha chegado aos 60 anos para dar os primeiros passos na política.
Pode haver grandeza neste percurso. Mas o que vislumbro até ao momento é um enorme vazio.
Defendo – até como eleitor – candidaturas presidenciais fora do âmbito partidário. Mas não de pessoas que primaram pela ausência da vida pública e da intervenção cívica. Devemos votar em quem conhecemos, em que se distinguiu na palavra e sobretudo na acção nas diversas causas que abalaram este País nos últimos 40 anos.
Considero insólito surgir como candidato presidencial alguém que, nesse mesmo período, tudo quanto tem a apresentar na respectiva folha de serviços em termos públicos são… dois discursos.
O Gandhi do Intendente ainda vai penar muito por a brigada do reumático lá de casa se ter saído com a infeliz ideia do Sampaio de Valença, e ele ter ido atrás.
Diário de Notícias:
(…)
— Sampaio da Nóvoa: “Não conseguirei viver neste país se surgir outro caso BES, gold ou Sócrates”.
De um presidente assim é ca gente precisa, carago! Surge um problema bicudo e ele, ala, que se faz tarde.
Teríamos outro efémero Teixeira Gomes em Belém. Rumando ao contemplativo exílio em Bougie, à beira-Mediterrâneo, quando já se começavam a desembainhar as espadas do 28 de Maio.
Já esgotei a paciência para entrevistas do sujeito – em 2 ou 3 dias, SIC Notícias, TSF, jornal i (sem mencionar essa na RTPi, a que me poupei) – isto além de declarações dispersas por todo o lado. Não lhes prestei mais que uma atenção em diagonal, mas, sobre um ponto essencial: governos maioritários (ou, pelo menos, com algum mecanismo de estabilidade) e governos minoritários, o cavalheiro já terá largado a sua opinião ou passou-me despercebida ou simplesmente não a tem?
Sobre governos maioritários já se pronunciou: dissolveria a legislatura ainda antes de chegar a meio do percurso. Porque sim.
Julgo portanto, e pela mesma lógica, que enquanto PR jamais daria posse a um governo minoritário.