O Pedro Correia escreveu aqui: “O mais chocante é verificar que a presunção da inocência que reivindicamos para as restantes actividade ilícitas das sociedades contemporâneas estar ausente de todas as imputações de assédio sexual. Como bem alertou a insuspeita Margaret Atwood, o que lhe valeu um indignado coro de críticas. Os novos empestados ardem na fogueira sem lhes ser reconhecido o exercício do contraditório. Ou, se o fazem, ninguém os escuta. Porque estão condenados à partida. E não há recurso da sentença. Já vimos este filme. Noutras épocas e sob outras alegações. Acaba sempre mal, como sabemos.” O João André riposta “A verdade é que me estou nas tintas …”. Como somos co-bloguistas e o DO é um sítio plácido apago o postal abrasivo que me apeteceu escrever. Mas como não me estou nas tintas – de facto isto é uma questão civilizacional – proponho a leitura deste texto de Alexandra Lucas Coelho.
Assédio? (2)
jpt,

Captaste o essencial do que escrevi e que surge também no texto da Alexandra LC, por coincidência publicado nesta mesma manhã, apenas duas horas após o meu.
Sublinho este raciocínio, fundamental no artigo dela – e que também vem ao encontro do que defendo:
«A caixa de Pandora está aberta. Se qualquer pessoa pode decidir, ao fim de 25 anos, que Allen é culpado de uma coisa que foi investigada e descartada, valerá tudo. Ou seja, investigação, peritos, tribunais, justiça, valerão nada. Toda a gente pode escolher aquilo em que acredita, ou passa a acreditar. Mas continua a haver uma diferença entre acreditar só porque a maré vira, e acreditar por causa dos factos.»
Não podemos estar-nos nas tintas para isto. Muito menos invocar todos os direitos para um lado e ignorá-los por completo para o outro.
O meu ponto é este. Quando abdicamos de fios condutores em nome de excepções, até em nome de causas louváveis, tornamo-nos permeáveis aos maiores arbítrios.
O meu ponto é que a boa causa serve para que os defensores dos arbítrios, os inimigos da democracia se dela se sirvam para a minar. Isto com a complacência das boas almas.
O texto da A. Lucas Coelho está, de facto, extraordinário.
O texto está bom, pois está informado e sistematizado. Ou seja, agrega o que ao longo dos anos qualquer pessoa minimamente interessada naquele caso sabia. Mas o que é certo é que há uma multidão (uma mole, mesmo) de gente pretensamente cinéfila, informada, e até admiradora do Woody Allen que apagou toda a informação disponibilizada ao longo das décadas e qualquer reflexão, própria e alheia, para re-queimar o homem. Um bom exemplo do tipo de raciocínio predominante nestas questões.
E propõe muito bem, pois não é justo que se negue a ninguém o direito a defesa, não podemos agora colocar todos no mesmo saco e condenar de imediato só porque alguém resolveu dizer que fez, que aconteceu, é muito perigoso seguir essa via.
isso
Actualmete ? Resumem-se a vendetas de “misandristas” recalcadas que infelizmente serviram de rastilho a um banquete de minado de claviceps e ergotismo…
Chamaste a atenção para algo que eu escrevi de forma errada no meu post. Não, não é a parte de me estar nas tintas para as acusações. É o facto de ter escrito que havia boas razões para ele sofrer essas acusações. Neste caso referia-me ao facto de ele ter sido acusado pela própria criança (era-o à altura) desses abusos. Mas saiu-me mal.
Mas estou-me de facto nas tintas. Precisamente porque também cresci com Allen e os seus filmes e não me parece que tenha sofrido profissionalmente com as acusações. Ao contrário de Alexandra Lucas Coelho não escolhi lados. Allen parece-me um pouco estranho (aquela coisa de acabar com a filha adoptiva da mulher…) e Farrow de facto algo destrambelhada.
Quando isto acabar com consequências devido a acusações falsas ou exageradas conversamos sobre as tão funestas consequências do movimento.
O teu texto não é errado, é adversário. Se consciente ou inconscientemente não o posso afirmar. “Quanto isto acabar”?
Certo: não é “quando”, é “agora que”. Mas tinhas algumas dúvidas que isso acontecesse?
O meu texto não é errado nem certo (não me considero dono da verdade, deixo apenas a minha opinião. É adversarial porque reage a dois posts que também o foram.
A atitude Marxista é essa.
Depois dizem que “foram cometidos erros”.
Continuando a defender a mesma arquitectura de Poder discricionário que permitiu esses mesmos erros.
Marxista era o seu pai.
Oops, saiu como anónimo em vez de Lucklucky.
Assim se vê o nível do Marxista.