Assédio? (2)


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O Pedro Correia escreveu aqui: “O mais chocante é verificar que a presunção da inocência que reivindicamos para as restantes actividade ilícitas das sociedades contemporâneas estar ausente de todas as imputações de assédio sexual. Como bem alertou a insuspeita Margaret Atwood, o que lhe valeu um indignado coro de críticas. Os novos empestados ardem na fogueira sem lhes ser reconhecido o exercício do contraditório. Ou, se o fazem, ninguém os escuta. Porque estão condenados à partida. E não há recurso da sentença. Já vimos este filme. Noutras épocas e sob outras alegações. Acaba sempre mal, como sabemos.” O João André riposta “A verdade é que me estou nas tintas …”. Como somos co-bloguistas e o DO é um sítio plácido apago o postal abrasivo que me apeteceu escrever. Mas como não me estou nas tintas – de facto isto é uma questão civilizacional – proponho a leitura deste texto de Alexandra Lucas Coelho. 

13 comentários em “Assédio? (2)”

  1. Captaste o essencial do que escrevi e que surge também no texto da Alexandra LC, por coincidência publicado nesta mesma manhã, apenas duas horas após o meu.

    Sublinho este raciocínio, fundamental no artigo dela – e que também vem ao encontro do que defendo:
    «A caixa de Pandora está aberta. Se qualquer pessoa pode decidir, ao fim de 25 anos, que Allen é culpado de uma coisa que foi investigada e descartada, valerá tudo. Ou seja, investigação, peritos, tribunais, justiça, valerão nada. Toda a gente pode escolher aquilo em que acredita, ou passa a acreditar. Mas continua a haver uma diferença entre acreditar só porque a maré vira, e acreditar por causa dos factos.»

    Não podemos estar-nos nas tintas para isto. Muito menos invocar todos os direitos para um lado e ignorá-los por completo para o outro.
    O meu ponto é este. Quando abdicamos de fios condutores em nome de excepções, até em nome de causas louváveis, tornamo-nos permeáveis aos maiores arbítrios.

    1. O meu ponto é que a boa causa serve para que os defensores dos arbítrios, os inimigos da democracia se dela se sirvam para a minar. Isto com a complacência das boas almas.

    1. O texto está bom, pois está informado e sistematizado. Ou seja, agrega o que ao longo dos anos qualquer pessoa minimamente interessada naquele caso sabia. Mas o que é certo é que há uma multidão (uma mole, mesmo) de gente pretensamente cinéfila, informada, e até admiradora do Woody Allen que apagou toda a informação disponibilizada ao longo das décadas e qualquer reflexão, própria e alheia, para re-queimar o homem. Um bom exemplo do tipo de raciocínio predominante nestas questões.

  2. E propõe muito bem, pois não é justo que se negue a ninguém o direito a defesa, não podemos agora colocar todos no mesmo saco e condenar de imediato só porque alguém resolveu dizer que fez, que aconteceu, é muito perigoso seguir essa via.

  3. Chamaste a atenção para algo que eu escrevi de forma errada no meu post. Não, não é a parte de me estar nas tintas para as acusações. É o facto de ter escrito que havia boas razões para ele sofrer essas acusações. Neste caso referia-me ao facto de ele ter sido acusado pela própria criança (era-o à altura) desses abusos. Mas saiu-me mal.

    Mas estou-me de facto nas tintas. Precisamente porque também cresci com Allen e os seus filmes e não me parece que tenha sofrido profissionalmente com as acusações. Ao contrário de Alexandra Lucas Coelho não escolhi lados. Allen parece-me um pouco estranho (aquela coisa de acabar com a filha adoptiva da mulher…) e Farrow de facto algo destrambelhada.

    Quando isto acabar com consequências devido a acusações falsas ou exageradas conversamos sobre as tão funestas consequências do movimento.

      1. Certo: não é “quando”, é “agora que”. Mas tinhas algumas dúvidas que isso acontecesse?

        O meu texto não é errado nem certo (não me considero dono da verdade, deixo apenas a minha opinião. É adversarial porque reage a dois posts que também o foram.

  4. A atitude Marxista é essa.

    Depois dizem que “foram cometidos erros”.
    Continuando a defender a mesma arquitectura de Poder discricionário que permitiu esses mesmos erros.

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