
De Maputo recebo uma série de mensagens com um filme telefónico. É de uma violência desmesurada e por isso não o partilho.
Na estrada asfaltada uma mulher nua caminha, trôpega. Perseguida por um grupo de soldados, e é um deles que filma. Rodeiam-na, aos gritos, ela cambaleia desnorteada. Ainda é jovem, deve ser uma camponesa, depreendo pelo seu cabelo, e é uma mãe, anunciam-no as mamas pendentes. Os soldados espancam-na com um varapau, ela defeca em pé, apavorada. Um dos homens dispara junto à sua cabeça, um único tiro e ela, em pânico, corre, cambaleando alguns metros no asfalto. Um outro soldado avança e abate-a com uma rajada. Outros disparam várias rajadas, 20 ou 30 tiros. Gritam, exultantes, “matámos o Al-Shabab”, coisas dessas, filmam-se, até de cara à mostra, ufanos, com “V”s de vitória.
Não posso afiançar que os assassinos sejam da tropa regular, ainda que os seus uniformes o indiciem, e não sei o suficiente para retirar ilações sobre o seu armamento. Um deles tem uma t-shirt vermelha e outro tem uma mochila também dessa cor, um verdadeiro contra-senso em termos de acção de combate, e disso cada um poderá inferir o que pretender – que são guerrilheiros fingindo-se soldados mas ainda usando material avulso, em acção de contra-informação, pois a tropa regular não aceita esse vestuário civil; ou que são militares regulares, em tropa mal equipada e com frágeis e desatentas cadeias de comando. Mas percebo que os militares falam entre si em português, e que pelo menos um deles tem um sotaque que me soa a macua (os “érres” muito enrolados, viçosos). E que praguejam muito em português – “porra”, “foda-se”, “puta” -, o que me faz pensar que terão sido recrutados em contextos urbanos ou periurbanos, onde o uso do vernáculo em português é mais comum. Algo que me conduz a pensar que serão oriundos de áreas a sul daquele extremo nortenho, onde o português é mais superficial. Enfim, parecem-me tropas regulares. Mas poderão ser – como decerto alguns argumentarão – guerrilheiros em acção de contra-informação. Mas se é disto que se trata é muito bem feita, pois realmente parece o contrário.
Este tétrico assassinato não é apreensível para se falar de outras coisas, para avaliar os males do mundo, para comparar com outros fenómenos ou aquilatar das posturas próprias ou alheias. Pois este assassinato à beira da estrada, a mãe nua defecando em pavor face à matilha das feras humanas, é o mal absoluto.
E urge fazer alguma coisa, realmente efectiva! E terminar o estupor que o país e os países, vizinhos e/ou amigos, mantêm diante desta enorme desgraça no Cabo Delgado. Num Moçambique trôpego, cambaleando à beira da estrada, abocanhado pela matilha das feras.

A história está por vezes contra nós e outras a nosso favor. Mesmo estando em nosso desfavor não deixo de me lembrar que temos tropas na RCA e defender as populações.
Parece (ouvi ontem nas notícias) que metade dessas tropas está infetada com o vírus e, embora saudável, está aquartelada e a não defender coisa nenhuma.
Um horror que tem de ser divulgado. Vou levar, abraço.
O autor do post inicia-o com o seguinte parágrafo “De Maputo recebo uma série de mensagens com um filme telefónico. É de uma violência desmesurada e por isso não o partilho.” para logo de seguida passar a uma narrativa na primeira pessoa, do próprio ou de outem, em se tratando do conteúdo, duma dessas messagens. Melhor fora que bota batesse com a perdigota, porque assim até pode ser o excerto de um qualquer livro de terror.
É claro que a situação naquela parte do território moçambicano está má, muito má, mas textos imprecisos como este não ajudam a melhorá-la.
Pois, falta dizer que são muçulmanos. Como sempre. Ah, já sei, eram “lobos solitários” ou “nada indica que este caso tenha motivações terroristas”.
Quem é que é muçulmano? Os soldados do exército moçambicano? Duvido. A população do sul de Moçambique não é muçulmana. O islamismo domina no norte de Moçambique, não em todo o país.
Se, como relatado no post, os soldados em questão têm sotaque do sul do país, então o mais provável é que não sejam muçulmanos.
Isto vai ser como foi nos Balcãs: os muçulmanos e as brigadas do estado islâmico que começaram os ataques vão ser descritos como vítimas, para depois conquistarem um enclave numa terra que nunca lhes pertenceu. Nasceram numa tenda que era de Abraão, mas com a ajuda do esquerdismo e de gente utópica e imbecil (que eles odeiam) qualquer dia estão no Alaska.
Quando o homem se faz besta devia ser enjaulado junto com elas.
“jpt”, confesso-me rendido aos seus conhecimentos sobre a biologia dos locais (os “indígenas” moçambicanos): «deve ser uma camponesa, depreendo pelo seu cabelo, e é uma mãe, anunciam-no as mamas pendentes» e « pelo menos um deles tem um sotaque que me soa a macua (os “érres” muito enrolados, viçosos). E que praguejam muito em português – “porra”, “foda-se”, “puta” -, o que me faz pensar que terão sido recrutados em contextos urbanos ou periurbanos, onde o uso do vernáculo em português é mais comum»…
Já não tão rendido, me confesso, à lógica do seu “post”: é que logo na 2.a frase do seu 2.o parágrafo V. afirma que eles são soldados («Perseguida por um grupo de soldados (…)» e «Os soldados espancam-na (…)» e « Um outro soldado avança (…)»)… para quê depois entrar no rodriguinho do talvez (« Não posso afiançar que os assassinos sejam da tropa regular»)? Ou V. até está disposto a sustentar uma argumentação semântica onde “soldado”, em português pode até, aqui, significar algo que não um membro “da tropa regular”?
Mas eu até acredito que os “soldados (a “tropa regular”) de Moçambique (ou “da FRELIMO”, como eu sei que é o que V. gostaria de realçar) andem por Cabo Delgado a matar mães (como indicam, segundo V., as suas mamas) camponesas (como indicam, segundo V. uma vez mais, os seus cabelos!)… é que lá está, isso hoje em dia até nem é um crime se for para eliminar um problema maior como é o deste caso: o que está aqui em questão é a sharia, meu caro! É a maldita da sharia! E se não percebe isso (e até o compreendo pois estive algures na década de 90 no Maputo e não descobri um único tuga que até o percebesse: nenhum deles me pareceu ter conseguido desligar o botão do circuito cerebral que associa a FRELIMO aos tradicionais rótulos colonialistas depositados nos seus cerebelos onde ela continua a significar “turras”) basta seguir a leitura ortodoxa de todos os interessados nas riquezas naturais que até é o que está em questão.
Que país ocidental até ainda não percebeu que Moçambique (para V.: a FRELIMO!) tem o direito de fazer o que eles têm feito no Afeganistão ou na Líbia, Síria ou… a lista é tão longa que me quedo por aqui.
É a sharia, meu caro, e a rapariga do seu “filme telefónico” é apenas uma islâmica infiel (mamas ao léu?) que, evidentemente, até com a sharia acabaria por ser apedrejada até à sua morte! Quanto aos «que praguejam muito em português – “porra”, “foda-se”, “puta” -, o que me faz pensar que terão sido recrutados em contextos urbanos ou periurbanos, onde o uso do vernáculo em português é mais comum», a única coisa que me vem à cabeça é que eles devem ter tido um contacto muito frequente com os ex-colonos e novos colonialistas que encontrei no Maputo: todos eles conseguiam usar o vernáculo numa proporção realmente surpreende… na pensão onde fiquei um mês, um gin tónico pedido por mim, geralmente, 10 minutos depois até era “pedido” pelo dono da pensão com um “foda-se, onde é que está a porra do caralho do filho da puta do gin tónico ali do patrão”?
Moçambique, como a maioria dos países africanos, tem problemas graves e dispensa leituras ressabiadas dos seus problemas…
onde é que está a porra do caralho do filho da puta do gin tónico
Isto é lindo. Tenho pena de já não beber para poder mandar vir um assim.\
in other news: O Islão tem de ser destruído. Ponto final.
Não conheço Cabo Delgado mas estive poucos meses em Angola em 1968. Estive nos Dembos onde visitei fazendas de café, em Nova Lisboa onde me incomodei com uma particular realidade social, caçei no deserto de Moçamedes, gostei de Sá da Bandeira, demorei-me no Cuando-Cubango, as “terras do fim do mundo” quase desconhecidas dos habitantes de Angola e, claro, conheci Luanda.
Luanda, uma belíssima baía e, perto, a espectacular praia do Mussulo. Baía e Mussulo e acabou. Detestei o resto. Uma cidade talvez tipicamente portuguesa, no que Portugal tem de pior. Na urbanística um desastre: ao lado de um prédio moderno de n andares um armazém de paredes a pedir tinta, sem portas e com telhado de chapa de zinco, cenário que, sem o contraste extremo descrito, ocorria regularmente por toda a cidade; pior ainda, uma cidade cercada por musseques ou seja com segregação social marcante e sem transportes públicos suficientes que transportassem os trabalhadores ao centro da cidade. Sociologicamente outro desastre: desde um restaurante, gerido por uma francesa, onde me obrigaram a pôr uma gravata para poder entrar, até ao cheiro a sugerir défice de saneamento em certas zonas o desiquilíbrio era notório. Sobretudo uma população de origem europeia muito maioritariamente constituída por funcionários e que eram mesmo muitos. Foi em Luanda que vi a única cena de violência sobre nativos (concerteza que haveria muito mais mas é significativo que tenha visto apenas essa). Uma criança negra que, com a tradicional caixa, engraxava sapatos e tendo possivelmente, sei lá, aplicado o pano no tornozelo e não no sapato, foi agredida por um forte pontapé que a deixou estendida de costas com a caixa virada e entornado o seu conteúdo. Foi numa esplanada relativamente cheia e creio ter visto alguns olhares de reprovação mas nenhuma reacção.
Pois meu caro António Vaz, tenho lido os seus comentários e escreveu ter nascido em Angola mas esclareça-me: era de Luanda?
Num artigo no Economist de há bastantes semanas sobre a insurreição no norte de Moçambique já se falava que essa insurreição era alimentada pelo péssimo tratamento que é dado aos locais pelo poder estatal e pela tropa moçambicana.
Ou seja, não se trata de uma luta dos bons (os militares moçambicanos) contra os maus (a insurreição islâmica), mas sim de uma luta de maus contra maus.
Permita o jpt levar-lhe algum consolo, antecipando o futuro.
O consórcio internacional envolvido na exploração do gás na região de Cabo Delgado vai ter de alegrar uns e outros para os deixarem em paz:
– pagarão umas massitas a gregos e troianos e contornarão os obstáculos.
– o governo moçambicano ficará grato por isso, e as mamas das mães, que revelam um armazém sem sustento, continuarão pendentes por muitos e tristes anos.
Portanto, jpt, recomendo vivamente que peça a porra dum caralho dum foda-se filha da puta para patrões, que é marca de gin conforme comentador acima, e viva a vida de forma tranquila com o que não pode mudar. Se puder, e ainda tiver ânimo, durante os goles reze umas avé-Maria, pois os bons pensamentos trazem bons resultados.
Chateie-se antes com o que pode fazer no dia-a-dia.
Entristece a quem conhece os povos e Moçambique de Sul a Norte.
O território dito País, Moçambique, é uma criação artificial, um restício de outra criação artificial, o Mapa Cor-de-Rosa.
Extenso, povoado por muitas e diferentes etnias, apenas subsistiu como relativa unidade graças ao “colonianismo”. O acima mencionado linguajar, vernáculo português, não é suficiente, nem desejável, cola cultural.
Nem muito menos o foi a unidade cultural imposta artificial e violentamente pela Frelimo. A Renamo ao centro tinha o seu espaço natural. Como um mitigado simbiótico islamismo o tinha a Norte.
Quem tudo quer tudo perde?.
Estive a ler com um carvalho de um copo de gin na porra da mão, que por acaso não estava trémula nesse momento, devia estar desimpedida, coisa rara, e não percebo o porquê de tanta admiração, de muçulmanos a atacar uma mulher com mamas, pelos intestino e a proferirem ordinarices em Moçambique!
-Qual é o espanto? Temos disso aqui bem perto, em Lisboa…
Que hajam sempre textos onde o ser humano se consegue perfeitamente espelhar.
Não escreve quem quer…
Escrever é como as alheiras de Mirandela , a receita tem de ser “fiel”…