
Ao ver as imagens do “índio” a encabeçar a invasão do Capitólio, só posso pensar que o slogan de Trump era afinal de contas “make America indian again” (desculpem não usar “first nations”, como agora se usa em correctopolitiquês, mas realmente não ficava bem).
Aquelas imagens devem ter deixado todas as repúblicas das bananas a rir-se, ou pelo menos a sentir-se vingadas. Aliás isso já se viu através de comunicados da Venezuela. São imagens que esperaríamos que viessem de países assim.
Isto choca mais por ser numa das maiores, mais antigas e mais sólidas democracias liberais, com todos os seus defeitos. Mas já aconteceu antes, sim.
Em França, em 1934, uma massa de antigos combatentes, grupos nacionalistas, tradicionalistas (como na altura pujante Action Française) e fascistas tentou marchar sobre o parlamento, no que resultaram dezenas de mortos e feridos. Anos depois iriam na sua maioria colaborar com a ocupação alemã.
Em 1981, um grupo de militares espanhóis, comandados pelo pitoresco Tejero Molina e o seu chapéu da Guardia Civil, ocupou as Cortes de Espanha, com o intuito de instalar um novo regime militar-franquista, impedindo a tomada de posse do novo governo, e só se renderam quando o Rei Juan Carlos a isso os obrigou.
E mesmo em Portugal, em 1975, recorde-se o celebre episódio em que as “forças populares”, isto é, alguns milhares de trabalhadores da construção civil, cercaram o parlamento por 36 horas, não deixando os deputados sair nem sequer para comer, excepto os das suas cores políticas. Depois disso, o então primeiro-ministro, Almirante Pinheiro de Azevedo, diria aquele icónico
“fui sequestrado, não gosto de ser sequestrado, é uma coisa que me chateia”.
Escusado será dizer que todas estas tentativas não pretendiam instalar nada de bom e acabaram por ser vencidas pela força das instituições e pela vontade popular, a autêntica, expressa nos votos.
Nos bananais que ficaram a rir impossível ver invasões assim.
O João Pedro esqueceu-se do “pá!” no fim dessa frase de Pinheiro de Azevedo. Por muito sombrias que as coisas estejam, lembrar-me daquele “pá!” final faz-me sempre sorrir.
Pinheiro de Azevedo usava tantas vezes o pá – de resto como os militares da altura – que pensei que fosse redundante.
Aquelas imagens devem ter deixado todas as repúblicas das bananas a rir-se, ou pelo menos a sentir-se vingadas.
Exatamente. Todas aquelas Sérvias, Ucrânias, Bielorrússias, Bolívias, etc etc etc, nas quais os EUA andaram a promover “revoluções coloridas” em que se acusava eleições de terem sido falseadas. Agora os EUA tomam um pouco do veneno que andaram a inocular noutros países.
Exatamente, balio.
Mas, manifestações/cerco são uma coisa e esta do Capitólio foi um assalto com gamanço e tudo. Faltou, por não saberem, um grupo de ladrões de obras de arte como aconteceu por cá no meio da confusão do assalto à Embaixada de Espanha.
Não me lembro de nenhum assalto ao parlamento da Bielorrússia, onde o ditador permanece no poder, nem ao da Ucrânia ou Bolívia, e o da Sérvia confirmou-se que realmente que as eleições tinham sido falseadas. Deve estar a fazer confusão. Ou é daqueles que acha que as centenas de milhares de ucranianos revoltados cem 2014 eram todos “agentes pagos do imperialismo”?
Apenas a título de curiosidade, o indivíduo na foto chama-se Jake Angeli e é um artista americano, membro e ativista da Antifa.
Aliás, esta foto e outras como esta têm criado bastante polémica nos EUA.
O Angeli é grego , da Grécia , pois , e é tão grego que escreve num fb antigo em grego , não perdeu as raízes, o que faz ainda mais confusão. E aparece em imensas manifestações como “fuck the police” ( eu vi as fotos), sempre representando esse papel de maluquinho , dá ideia de ser um adereço contratado para manifs.
Se Angeli é grego, ou de ascendência grega, não sei. Mas tem cidadania americana e é cidadão americano.
Entretanto, têm surgido mais fotos polémicas do acontecimento. A última é Angeli no capitólio, a conversar com o jornalista e activista holandês Michiel Vos, que curiosamente é marido de uma das filhas de Nancy Pelosi.
Isto tudo colocou a América aterrada. E cada vez mais, a cada dia que passa, porque não acabou ontem.
Não, não é e é por rumores como esses que devemos desconfiar das primeiras coisas que lemos. O tipo é um seguidor de teorias da conspiração tão delirantes como o seu aspecto, e claro, da Qanon.
Chamar “assaltar parlamentos” quando a polícia abre as portas.
Então agora já não se chama “protesto”?
A destruição de estátuas e monumentos também foi um “protesto”?
Destruir estátuas é mau. Invadir edifícios do poder legislativo onde se encontram representantes legalmente eleitos pelo povo é bem pior, ou precisa que lhe expliquemr? Até me admira não vir falar em marxismo.