Às vezes nem é preciso mudar nada para que tudo fique na mesma


Teresa Ribeiro,

Eis o estribilho que andamos há décadas – sim, décadas – a ouvir de cada vez que muda a cor do nosso fastio. Servirá, como sempre, para todas as desculpas. Ouvi-lo-emos até que a voz lhes doa. E note-se, é matéria de facto. Sempre que o poder muda de mãos, é tradição passá-lo com contas marteladas e/ou projecções erradas.

É lamentável, mas também o alibi perfeito para quem chega.

0 comentários em “Às vezes nem é preciso mudar nada para que tudo fique na mesma”

  1. Interessante é ver como a “narrativa” é apresentada, precisamente de modo a que possa servir de álibi. Do mesmo artigo, embora longe do mesmo destaque:

    Apesar do aumento da dívida bruta na óptica de Maastricht (a contabilidade que interessa não só a Bruxelas mas também aos mercados), o Banco de Portugal ressalva que, em termos líquidos, a dívida até registou uma descida de 500 milhões de euros. O banco central explica que os depósitos subiram 2,5 mil milhões de euros e que, por isso, a dívida líquida de depósitos da administração central caiu para 213 mil milhões de euros.

    Este indicador revela que o Tesouro português tem assim mais margem de manobra para fazer face a necessidades de tesouraria e gerir o momento da emissão de nova dívida.

  2. Teresinha, a conta é simples de ser feita: Cofres cheios significa dívida não paga, logo o dinheiro aí existente conta como dívida para efeitos contabilísticos. Mais, a questão da dívida e do défice não me surpreende nem devia surpreender quem diz estar atento à evolução da economia e das contas públicas.

    Quanto ao alibi, queira ser mais precisa para que possamos entender onde tal se encontra.

    Desejo-lhe um Bom Ano, pleno de lutas e conquistas.

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