As Singularidades do Coração Amarelo


fiodeprumo,

A Ana Vidal, poeta, tem um coração de ouro. Quanto mais coisas sei dela, mais a aprecio. Há uns dois meses, com aquela discrição que a caracteriza, pediu-me uma frase sobre a velhice para um projecto do Coração Amarelo. Enviei.

Hoje, ao chegar a casa de mais uma entrevista, tinha no correio uma pequena preciosidade: um livro lindíssimo com fotos de mulheres e homens de cabelos brancos. Cada retrato tem uma frase a fazer-lhe companhia. Lá estava a minha entre tantas outras de gente mais sólida do que eu e dos universos mais variados. 
A obra chama-se “Singularidades” e as escolhas não podiam ter sido melhores. Ao folheá-lo confirmei como o olhar dos velhos é tão transparente!

A Associação Coração Amarelo, uma IPSS – Instituição Particular de Solidariedade Social, foi fundada em 2000 por um grupo de sete amigas – Rosa Maria Araújo, Maria Manuela Marques Alves, Elvira Rojão, Helena Cadete Bernado, Lisete Oliveira, Lucília Fernandes de Campos, Ana Pires Marques – sensíveis aos problemas sociais, que viriam a centrar a sua atenção no combate à solidão dos mais idosos.

Desenvolve a sua actividade em parceria, em estreita colaboração ou com o apoio de entidades como a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e Cruz Vermelha Portuguesa (Projecto “Mais solidariedade menos solidão”), Segurança Social, Câmaras Municipais de Lisboa, Cascais, Sintra, Porto, Oeiras e Porto de Mós, Montepio, Fundação Calouste Gulbenkian, Plataforma Saúde em Diálogo, SIC Esperança e Delta Cafés através do Projecto “Tempo para dar”, BES através da iniciativa “Mealheiro da Avózinha”, com os “Voluntários com Asas” dos colaboradores da TAP (desenvolvendo o projecto ”Seja tripulante por um dia”), Grupo José de Mello Saúde e outras, dedicando-se, em regime de total voluntariado, a minimizar a grande solidão em que muitos idosos vivem em Portugal, fazendo-lhes companhia e ajudando-os em pequenas tarefas caseiras ou no exterior, levando-lhes o afecto e a atenção que lhes falta no fim das suas vidas.

Vive exclusivamente de subsídios diversos, das quotas dos seus associados, de donativos, de receitas de eventos que regularmente organiza, salientando-se as “Colectivas de Arte”, o lançamento simultâneo de uma serigrafia da escultora Maria Morais e a edição de dois livros “Solidão” e “Menos Solidão””, dos quais constam textos alusivos à solidão e à solidariedade da autoria de personalidades da vida nacional e imagens de todas as obras expostas nas referidas Colectivas e fotografias de bons fotógrafos portugueses.

Vale a pena comprar este livro e ajudar aqueles que nesta época do ano ainda se sentem mais sós. E, se não conhecem este Coração, aconselho-vos a cuidarem bem dele e a visitarem o site da casa em www.coracaoamarelo.pt

 

8 comentários em “As Singularidades do Coração Amarelo”

  1. Eu sempre pensei, sem me enganar, que a Aninha – doc(e)Inha- é uma rapariguinha maravilhosa.

    Mas essa do coração amarelo é uma cor muito pálida. Será que há um significado subjacente?

    1. Obrigada pelo exagero que não mereço, Vent(inho).
      Limitei-me a dar um ínfimo contributo para uma obra que, ela sim, é maravilhosa.

      E já que refere a cor e o seu significado, não resisto a contar que a minha dificuldade em relacionar um coração com a cor amarela me fez demasiadas vezes, no princípio deste trabalho, incorrer numa terrível gaffe (sou perita nelas) por causa dessa estranheza: em vez de “Coração Amarelo” chamava à obra, distraidamente, “Sorriso Amarelo”. Lá me corrigiam com paciência e explicaram-me que o amarelo é a cor da alegria, escolhida para contrariar a solidão e a tristeza dos mais velhos. 🙂

    1. Penso que, pelo menos por enquanto, o livro não está nas livrarias. Pode comprá-lo através do núcleo da Associação Coração Amarelo da sua área (é uma organização espalhada por todo o país). O livro é um documento precioso e custa, se não estou em erro, 15 €. Pode consultar o site para mais informações em http://www.coracaoamarelo.pt

  2. Minha querida Helena, fico muito contente por saber que gostaste do livro. Ficou muito bonito e digno, uma abordagem artística e nada lamechas sobre um tema delicado, uma chaga social que infelizmente alastra. Eu não fiz quase nada, limitei-me a dar um texto meu para o livro e a recolher e organizar mais uns tantos textos de poetas, escritores, actores e outras personalidades da vida portuguesa que aceitaram ajudar a chamar a atenção para esta causa tão nobre. Tudo pro bono, como é evidente. O verdadeiro mérito é da Associação Coração Amarelo.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *