
A minha filha e a minha irmã têm-me repetidamente exigido que não escreva “palavrões” no blog/FB. Aceito agora. O governo anuncia redução fiscal aos emigrantes que retornem: já leio inúmeros a botarem contra nós, que nos baldámos do país, quais veros traidores; e leio vários opinadores, até autores, sempre prontos (e bem) à verrina contra a corveia que os encargos fiscais por cá são, destinada a alimentar a mesquitamachadose, mas agora a invectivarem esta redução fiscal; e num pais que nunca teve uma poltica demográfica mas teve, e muito, uma apropriação geracional da riqueza, com o escandaloso esbulho que o pós-25 de Abril fez ao futuro, é vê-los a criticar parcas medidas para captar mão-de-obra que pague impostos (e não os imigrados vítimas do “dumping” social que os defensores dos “refugiados” tanto julgam adorar). Saiba essa gente, que me reduz a nacionalidade por ser emigrante, e que se está nas tintas para as curvas do país em nome das suas doutas preferências do dia, que não direi palavrões. Deixo-lhes mesmo, aos agora tão incomodados com as reduções fiscais anunciadas para os miseráveis retornados que andaram lá fora a explorar pretos (afrodescendentes), (pérfidos) brancos e gentes de várias outras etnias, um poema do tão português (e vindo de Durban julgo que nunca mais cruzou a fronteira daquele enclave onde lhe botaram a pitoresca estátua) Pessoa:
Alma de Côrno
Alma de côrno – isto é, dura como isso;
Cara que nem servia para rabo;
Idéas e intenções taes que o diabo
As recusou a ter a seu serviço –
Ó lama feita vida! ó trama em viço!
Se é p’ra ti todo o insulto cheira a gabo
– Ó do Hindustão da sordidez nababo!
Universal e essencial enguiço!
De ti se suja a imaginação
Ao querer descrever-se em verso. Tu
Fazes dôr de barriga à inspiração.
Quer faças bem ou mal, hyper-sabujo,
Tu fazes sempre mal. És como um cú,
Que ainda que esteja limpo é sempre sujo!

Julgo, que quem quer regressar o faz unicamente pelo desejo da sua vontade, ou/e por o País lhe oferecer as condições, que pela sua ausência, numa determinada, obrigaram uns à emigração. Acho que é uma macacada esta coisa de benefícios fiscais para os “retornados “, além de dividir arbitrária e injustamente os portugueses. Em termos práticos estas medidas fiscais são Bola.
A haver benefícios fiscais que os criem para os empresários, nacionais, estrangeiros, residentes ou não residentes, que criam emprego decente. Ponto.
Uma patetice.
Moral da história (se é que esta história tem moral): isto é mesmo um país de merda, governado por gente de merda.
(E desculpe qualquer coisinha, porque eu não tenho ninguém que me aconselhe a não empregar palavrões. Por isso…)