No meio desta torrente de notícias que nos afogam de neura e angústia, dou por mim a pensar que devemos a nós próprios não nos focarmos exclusivamente no lado errado das coisas. Florbela Espanca escreveu que ‘há uma primavera em cada vida: é preciso cantá-la assim florida, pois se Deus nos deu voz, foi para cantar’. A minha primavera são a minha mulher e os meus filhos, a quem não posso amar mais. E a quem nunca hei-de amar menos. Aos que já encontraram as primaveras da vida, digo que as vão beijar, abraçar, contemplar ou confortar. Que lhes falem se estiverem longe. Que lhes escrevam, se for apropriado. Que as recordem, se não lhes puderem falar. Em todo o caso, que as cantem. Aos que não as encontraram ainda, digo que as procurem. E que nunca desistam. Em qualquer dos casos, não fiquem aí a ler este post que isto de um homem estar assim a falar de amor é coisa para me fazer corar.
As primaveras da vida
Rui Rocha,

Não sei se o amor, esse de que fala, se procura. Penso que apenas se encontra ou não se encontra. O que se procura é a disponiblidade, a susceptibilidade para apreender o outro e para se ser apreendido.
É ainda uma forma de o cantar, Sílvia.
Sem dúvida. 🙂
Se se procura, ou apenas se encontra, nem sei. Sei que será feliz quem o encontrar. Nem me parece ser preciso mais nada.
É bem possível que o resto sejam manobras de diversão, CF. Ou de aborrecimento.
E porque não haveria um homem de corar?
É bonito ler a delicadeza dessas suas palavras e associando á maravilhosa Florbela E, tentar ainda que por breves momentos, esquecer que estamos sempre analisando o lado invernoso da vida.
Na verdade eu acho que a ” máquina ” está preparada para nos fazer sofrer a todos…
Ao homem sincero, que não tem medo de falar de amor, nem de corar, tiro o meu chapéu…
Obrigado, Cr. Um dia a máquina há-de ser reprogramada.
Obrigada por este post, Rui, às vezes quase esquecemos o que é importante.
De nada, Gi. Escrever também foi importante para mim.
O DO (política, cultura e quotidiano), desgasta-se (75%?) em política que já dá pena! Há que pôr posts de cultura, quotidiano (desculpem, gosto do DO). Os políticos, como qualquer outro profissional, erram que se fartam! Divulguem outras situações, certamente saberão. Há pessoas que preechem a sua vida a ver televisão, espreitar política, novelas, quem se casou, quem se separou, quem se juntou, a fazer compras, a saber quem está enfermo, quem morreu (ai coitado que já foi!), quem emagreceu e quem engordou (física ou $), a consultar blogs, a informar-se…e assim enchem os seus dias…tanta coisa num dia só! E, se refectirem, a vidinha (permitida pelo próprio) é cheia de lixo de informação que muda! O DO pode falar sobre ciência? Obrigado!
Este post é diferente! Parabéns, Rui.O essencial faz a vida valer a pena!
Obrigado, André. Uma das coisas boas que está a acontecer é que o nosso campo de escolha está alargar-se. Às vezes, isso abafa-nos. Cabe-nos também pôr a cabeça fora de água e procurar aquilo que nos interessa. Não falta por aí onde encontrar excelentes conteúdos sobre ciência. No DO, temos esta que mostramos.
Marvelous ! A simplicidade das grandes verdades. Muito bem. É preciso ser-se assim: declarativo.
Diria que é imperativo, Chloé.
Como diria o Rui Veloso, a primavera da vida é bonita de viver. Neste caso, é bonita de se ler. Parabéns pela tua, Rui, e goza-a bem.
Obrigado, Ana.