As primaveras da vida


Rui Rocha,

No meio desta torrente de notícias que nos afogam de neura e angústia, dou por mim a pensar que devemos a nós próprios não nos focarmos exclusivamente no lado errado das coisas. Florbela Espanca escreveu que ‘há uma primavera em cada vida: é preciso cantá-la assim florida, pois se Deus nos deu voz, foi para cantar’. A minha  primavera são a minha mulher e os meus filhos, a quem não posso amar mais. E a quem nunca hei-de amar menos. Aos que já encontraram as primaveras da vida, digo que as vão beijar, abraçar, contemplar ou confortar. Que lhes falem se estiverem longe. Que lhes escrevam, se for apropriado. Que as recordem, se não lhes puderem falar. Em todo o caso, que as cantem. Aos que não as encontraram ainda, digo que as procurem. E que nunca desistam. Em qualquer dos casos, não fiquem aí a ler este post que isto de um homem estar assim a falar de amor é coisa para me fazer corar.

15 comentários em “As primaveras da vida”

  1. Não sei se o amor, esse de que fala, se procura. Penso que apenas se encontra ou não se encontra. O que se procura é a disponiblidade, a susceptibilidade para apreender o outro e para se ser apreendido.

  2. E porque não haveria um homem de corar?

    É bonito ler a delicadeza dessas suas palavras e associando á maravilhosa Florbela E, tentar ainda que por breves momentos, esquecer que estamos sempre analisando o lado invernoso da vida.

    Na verdade eu acho que a ” máquina ” está preparada para nos fazer sofrer a todos…

    Ao homem sincero, que não tem medo de falar de amor, nem de corar, tiro o meu chapéu…

  3. O DO (política, cultura e quotidiano), desgasta-se (75%?) em política que já dá pena! Há que pôr posts de cultura, quotidiano (desculpem, gosto do DO). Os políticos, como qualquer outro profissional, erram que se fartam! Divulguem outras situações, certamente saberão. Há pessoas que preechem a sua vida a ver televisão, espreitar política, novelas, quem se casou, quem se separou, quem se juntou, a fazer compras, a saber quem está enfermo, quem morreu (ai coitado que já foi!), quem emagreceu e quem engordou (física ou $), a consultar blogs, a informar-se…e assim enchem os seus dias…tanta coisa num dia só! E, se refectirem, a vidinha (permitida pelo próprio) é cheia de lixo de informação que muda! O DO pode falar sobre ciência? Obrigado!

    Este post é diferente! Parabéns, Rui.O essencial faz a vida valer a pena!

    1. Obrigado, André. Uma das coisas boas que está a acontecer é que o nosso campo de escolha está alargar-se. Às vezes, isso abafa-nos. Cabe-nos também pôr a cabeça fora de água e procurar aquilo que nos interessa. Não falta por aí onde encontrar excelentes conteúdos sobre ciência. No DO, temos esta que mostramos.

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