Os dados parecem já estar claramente lançados para as presidenciais. À direita o despique vai ser entre Marcelo Rebelo de Sousa e Rui Rio. Neste jogo Santana Lopes é apenas um entertainer e de Alberto João Jardim nem vale a pena falar. Mas esse despique está adiado para depois da legislativas. Marcelo aposta numa derrota da coligação que o possa fazer surgir como o candidato presidencial destinado a vingar essa derrota. Já Rui Rio espera, pelo contrário, que uma vitória o catapulte para a eleição como o candidato preferido de Passos Coelho. Neste último quadro, é possível que Marcelo nem sequer se apresente, uma vez que sempre pretendeu chegar num andor a Belém, em lugar de concorrer numa eleição disputada. Mas se as sondagens lhe continuarem a ser tão favoráveis, é possível que os seus próximos o convençam a não desperdiçar a oportunidade de uma vida. Não é por isso de excluir a existência de duas candidaturas à direita nas presidenciais.
Na esquerda, as coisas estão muito mais complicadas. Independentemente da vitória ou da derrota do PS, parece evidente que vai haver três candidatos socialistas às presidenciais: Sampaio da Nóvoa, Henrique Neto e Maria de Belém. António Costa parece que vai forçar o apoio do PS a Sampaio da Nóvoa, mas só tem para dizer dele que é um candidato próximo da família socialista, e que lhe merece muita estima, não se revendo na caricatura esquerdista com que tem sido apresentado. O que se passa é que uma caricatura acentua os traços mais visíveis da personagem e os traços de Sampaio de Nóvoa colocam-no muito mais à esquerda do que o discurso tradicional do PS. Apoiá-lo em 2016 é equivalente a se o PS tivesse apoiado Otelo em 1976 ou Pintasilgo em 1986. Espanta por isso esse apoio, perante dois candidatos do PS com muito mais currículo político e maiores hipóteses de vitória. Comparado com eles Sampaio da Nóvoa é apenas um candidato mais à esquerda, mas é sobretudo um zero à esquerda.
O que pode levar então António Costa a querer apoiar esse candidato, por comparação com um senador respeitável e com provas dadas no mundo empresarial, como Henrique Neto, ou com uma antiga ministra e presidente do PS, com largo apoio na sociedade civil, como Maria de Belém? A resposta é simples. Nenhum desses dois candidatos é próximo de António Costa, pelo que não se deixaria manipular por ele em Belém, enquanto que Sampaio de Nóvoa não tem sequer peso político para exercer uma magistratura de influência. Por isso, António Costa prefere arriscar uma derrota nas presidenciais, a ter em Belém alguém do seu partido que lhe pudesse fazer sombra. Por outro lado, tem boas relações com Marcelo e com Rui Rio, pelo que julga preferível relacionar-se com eles em Belém.
O raciocínio de António Costa está a ser semelhante àquele que Sócrates teve com Cavaco, quando preferiu deixar eleger um presidente da área contrária, em lugar de alguém do seu próprio partido, mas que não fosse da sua confiança, como Manuel Alegre. Viu-se o que aconteceu depois.

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E assim se define um candidato. Merece muita estima de um líder.
Outro lamentável post de L. M. Leitão, apenas movido por ódio pessoal, como é seu timbre em relação a muitas pessoas, especialmente, António Costa e António Nóvoa.
Disse de A. Nóvoa: «é como se o PS tivesse apoiado Otelo em 1976».
Comparar A. Nóvoa ao tonto do Otelo é o semelhante a comparar jaquinzinhos a caviar: uma tolice. Afirmação só possível por quem não viveu o PREC, pelo menos com capacidade para apreciar a desgraça que foi (ainda pagamos hoje por isso) e o que estava em jogo.
A. Nóvoa, para o senhor L. M. Leitão, é «sobretudo um zero à esquerda.» Isto, no mínimo, é um insulto grosseiro, uma linguagem pouco própria vindo de quem vem e dirigindo-se a quem se dirige.
Grande ódio pessoal a justifica, pois, o candidato foi seu vice-reitor e reitor durante 13 anos, sabe, se não andou distraído (ou dedicado a advogadichar e à sua associação de proprietários de prédios de Lisboa), não dando suficiente atenção à casa onde exerce a principal actividade profissional, não se tendo, por isso, apercebido do trabalho sério, abnegado, útil – ímpar – que A. Nóvoa desenvolveu na universidade.
E ele fez o que tanta gente exigiu (e continua a exigir, retoricamente, é bom de ver), a reforma do Estado (na área onde a podia fazer, contra ventos e marés, boicotes, incompreensões, facadas nas costas, etc., depois de uma primeira recusa no tempo de Mariano Gago, no caso integrando o Instituto Politécnico, para lhe conferir a vertente técnica e tecnológica, tal como acontece em Évora/Beja e em Faro)
E acabou com um anacronismo de mais de 80 anos, unindo 2 universidades separadas desde a criação da U. Técnica, em 1930 (a U. de Lisboa, erradamente chamada Clássica, fora criada em 1911), fundindo cursos repetidos, serviços (1 só reitoria, um só Serviço Social), dando-lhe dimensão que permite a criação de massa crítica, potenciando a interpenetração das colaborações entre as diversas áreas científicas. Em suma, rompendo com a lógica tão portuguesa das quintinhas.
E tudo feito no mais amplo ambiente de discussão do projecto de fusão por todas as escolas (faculdades), por todos os corpos das 2 universidades, o que permitiu que o projecto fosse sendo reformulado, melhorado, e que apenas uma faculdade (o ISCSP) não tivesse aprovado a fusão. É obra! (totalmente ignorada pelo autor do post).
Quando não se fazem as reformas, clama-se retoricamente por elas, quando se fazem, ou se criticam, ou se ignoram (como é o caso). Lamentável.
Lurdes Pintassilgo: ou ter apoiado «Pintasilgo em 1986».
O PS só não a apoiou por causa da disputa interna de dois galos – Zenha e Soares – ambos no pleno das suas vidas políticas e com pretensões a carreira política futura. Era uma candidata que, noutra conjuntura, o PS apoiaria com alguma naturalidade: Mais um tirinho ao lado.
H. Neto: «um senador respeitável e com provas dadas no mundo empresarial, como H. Neto». Com 80 anos a fazer 2 meses depois de, eventualmente, tomar posse como PR, com um passado empresarial digno de registo (mas com buscas policiais na empresa e reconhecimento, pelo próprio, de procedimentos administrativos ilegais para beneficiar de fundos europeus).
Quando não queremos uns, hiperbolizamos os aspectos que achamos que os podem diminuir.
Quando adoramos outros (por mera conveniência política conjuntural), esquecemos o que os mancha.
Quanto a A. Nóvoa, não tem passado académico brilhante nem acção relevante de gestor universitário: não interessa ao autor do texto.
(Sabia que A. Nóvoa acabou com a tralha dos privilégios pessoais como reitor? Prescindiu de motorista, de ajudas de custo, legais, mas injustificadas, etc.? Não interessa, não é?
Quanto a H. Neto, aí esquecemos os rabos-de-palha e relevamos a acção empresarial bem sucedida.
M. de Belém: «uma antiga ministra e presidente do PS». Está a referir-se ao Ministério da Saúde? De onde foi remodelada nem aguentando 4 anos? Ou desse relevantíssimo Ministério da Igualdade (mais uma tralha guterrista), dado apenas para lhe calar a boca e manter o estatuto?
E Presidente do PS? Nossa senhora nos valha. Com aquele verdadeiro crânio como líder: o Tóto Zé Seguro?
É este o passado de M. de Belém que a aconselha para PR?
Há tempos, noutro lamentável post de ataque a A. Nóvoa, dizia que não tinha uma ideia sobre a função. Esta senhora tem?
Zeinal Bava também era uma “lenda mundial ao dirigir uma pequena empresa como a PT e obter lucros acima do triplo da média mundial para empresas similares”.
Ricardo Salgado também era uma “lenda no mundo dos negócios sendo o dono disto tudo, a pessoa com mais património em Portugal e o melhor homem de negócios no empreendorismo nacional”.
Não se deve colocar alguém ligado a grandes negociatas numa posição de poder. A maioria não o querem, porque perdem os lobbies. Os outros, só para lá vão quando já se encheram e querem acabar a vida em glória.
Também não gosto de ver um académico a liderar a presidência… ou a Dra que é mais uma figura de corpo presente do que pensante… Só que o Marcelo iria fazer o mesmo que faz o Cavaco e o Rio iria fazer de tudo para eliminar os outros partidos da cena nacional, tal como tentou fazer no Porto enquanto lá esteve.